Demorou, mas história fica legal perto da conclusão

Sabe aquele time de futebol que hora está na primeira divisão, mas na maior parte do tempo fica na segundona, ou até na terceira divisão? Pois é, se Os Defensores fossem um time seriam exatamente assim. Apesar de contar com heróis do calibre de Hulk, Surfista Prateado, entre outros, esse grupo nunca ocupou uma posição de destaque, nem grandes vendas na Marvel Comics, mas mesmo assim rendeu algumas boas histórias.

Essa última versão repaginada pelo escritor Matt Fraction não foge a regra. É uma boa história, mesmo começando devagar. Da formação original da equipe, Dr. Estranho, Namor, Surfista Prateado e Hulk, o Golias Esmeralda dá lugar a Betty Ross, que agora é Mulher-Hulk Vermelha, e Punho de Ferro e até Gata Negra também se juntam a trupe.

Na trama iniciada no primeiro encadernado, os mais improváveis heróis se unem para deter uma ameaça que pode destruir toda a realidade que conhecemos: o Destruidor de Mundos. Tudo segue a velha cartilha dos quadrinhos de super-heróis, porém, as primeiras edições têm um problema, já que o roteirista não sabe qual caminho seguir: humor ou aventura.

Na versão anterior do grupo, também publicada no Brasil pela Panini, o enfoque é cômico, pois a revista foi produzida pela mesma equipe criativa da antiga Liga da Justiça cômica da DC Comics, que foi um grande sucesso no final da década de 1980 e começo dos anos 90.

Por duas vezes a Marvel teve os profissionais da Distinta Concorrência fazendo os leitores darem risadas com as tramas engraçadinhas do Dr. Estranho e seus excêntricos amigos. Talvez por esse motivo Fraction tentou seguir o estilo humorístico nas primeiras edições, só que infelizmente não teve sucesso, ficando como se diz na linguagem popular, em cima do muro, já que as piadas não funcionavam bem, e a aventura não empolgava nem um pouco. O único atrativo era arte de Terry Dodson, que também não estava lá na sua melhor fase, dando a impressão de um trabalho feito às presas.

Num mercado em que os consumidores querem novidades toda semana não há muito tempo para indecisões, e a partir da quarta edição (ainda no primeiro encadernado) o autor acerta na escolha e mantém o foco em produzir uma boa aventura. Esse ritmo continua da sétima a décima segunda história, que compõem o segundo encadernado.

Seguindo os eventos mostrados anteriormente, Estranho e os outros heróis encontram-se numa realidade diferente da nossa, após o fracasso inicial em deter o Destruidor de Mundos, e agora precisam desvendar o mistério dos Engenhos da Concórdia para impedir que universo seja destruído. Para tanto eles viajam entre dimensões e épocas diferentes, perseguindo John Aman, um novo vilão que foi introduzido nas primeiras histórias, e que tem um passado junto ao primeiro Punho de Ferro.

Essas passagens por períodos e locais diferentes dão mais agilidade a trama e reforçam o aspecto aventuresco da revista, colocando bastante fôlego na narrativa, com a equipe buscando a engenhoca mística que pode desfazer toda a confusão que se tornou a nossa realidade. Nessa fase a Terry Dodson é substituído pelos desenhistas Mike Norton, Jamie McKlevie e Marco Pierfederici.

Se a história cresce, o mesmo não acontece com a arte, pois mesmo sem estar nos seus dias mais inspirados, Dodson ainda é um grande artista, e seu trabalho aqui ainda é acima da média do mercado, já os desenhistas substitutos realizam apenas um bom trabalho, sem grande expressão. O destaque fica para a dupla Norton e McKlevie, cujo desenho é tradicional, sem excessos, com uma boa arte-final, limpa e precisa, daquele tipo que pode não ser melhor que o antecessor, mas dá conta do recado.

O final da história eu nem preciso contar, primeiro porque seria spoiler, segundo porque todos sabem como terminam as sagas super-heroísticas, mas se você leitor está procurando uma boa aventura, sem grandes pretensões, procure pelos Defensores nas bancas e livrarias da sua cidade, mas tenha paciência, pois a história demora um pouquinho para ficar legal!

Os Defensores nº 2
Editora Panini (Marvel Comics)
Roteiro: Matt Fraction
Arte: Mike Norton, Jamie McKlevie e Marco Pierfederici
Arte-final: Rachel Dodson
Formato Americano
132 páginas
R$ 18,90

Fred TavaresNas bancas / Nas livrariasDefensores,Jamie McKlevie,Marco Pierfederici,Matt Fraction,Mike Norton,Panini,Rachel Dodson,Terry DodsonDemorou, mas história fica legal perto da conclusão Sabe aquele time de futebol que hora está na primeira divisão, mas na maior parte do tempo fica na segundona, ou até na terceira divisão? Pois é, se Os Defensores fossem um time seriam exatamente assim. Apesar de contar com heróis do...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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