Esse é o mangá que faltava nas bancas brasileiras!

Lançado sem muita divulgação pela Editora Sampa, o mangá Old Boy chega à terceira edição empolgando cada vez mais o leitor. Aqui acompanhamos mais um capítulo na saga de Gotou, que começa a ficar maior, mas sem deixar pistas para o leitor do realmente aconteceu.

O protagonista é um homem quase sem memória, que ficou preso durante dez anos, numa espécie de cárcere privado, sem conhecer o motivo pelo qual estava enclausurado e muito menos quando, ou se seria libertado algum dia. De repente seu mundo se transformou em pequeno quarto, sem janelas, somente com uma abertura por onde as refeições eram levadas, e uma televisão, seu único contato com o mundo exterior. Ao ser libertado ele quer mais do que se vingar de seus raptores, quer respostas para suas dúvidas.

Por meio de flashbacks, nos dois primeiros volumes, conhecemos a vida na clausura, os cuidados que seus inimigos tinham para mantê-lo vivo, e relativamente saudável, além do próprio esforço que ele fazia para não perder a sanidade, através exercícios solitários praticados com o desejo de estar pronto para acabar com seus adversários quando os encontrasse. Já em liberdade ele começa a recordar quem era, porque na prisão também era drogado com frequência, razão pela qual possui apenas fragmentos de memórias.

Em meio a sua busca, e a necessidade de se adaptar a um mundo diferente daquele que deixou há dez anos, o herói encontra dois aliados: Tsukamoto, um antigo amigo que lhe dá abrigo num bar decadente de sua propriedade e Eri, uma garota simples que passa ser algo próximo a um par romântico. Ela é uma garçonete, que tem uma rotina enfadonha e uma vida frustrante, que ao se envolver no mistério de Gotou, vê algo que possa acrescentar alguma emoção e significado a própria vida.

No terceiro volume fica claro que o protagonista da trama é apenas uma peça num plano muito maior. Se nos capítulos anteriores foi mostrado o monitoramento constante ao qual o personagem era submetido, e como ele conseguiu escapar da vigília, agora ele se submete a observação constante, sem saída, entrando no jogo sádico de seus adversários, para de alguma forma conseguir chegar até eles.

A cada passo dado na investigação seus algozes deixam claro que ele não tem saída a não ser entrar no esquema doentio por eles elaborado e colocado em prática com precisão oriental, literalmente. O tom da história muda nesse episódio, a esperança dá lugar a incerteza e insatisfação de Gotou, que encontra-se encurralado, mas ainda não desistiu de lutar.

Oldboy não é um mangá tradicional, daqueles que inundam as bancas brasileiras, não tem robôs gigantes, naves, monstros, magia, muito menos artes marciais absurdas, com ninjas que soltam raios, nem armaduras reluzentes, é uma história adulta, um bom thriller policial, que joga o leitor numa trama cheia de reviravoltas que não deixa nada a desejar a um bom livro ou a um filme de Hollywood.

A história é tão cinematrográfica que foi adaptada para os cinemas pelo cineasta coreano Park Chan-wook em 2003, causando um rebuliço no tradicional festival de cinema de Cannes, pela originalidade da trama, além da violência muito acima dos níveis do cinema europeu e americano. A película, como não poderia deixar de ser, é diferente do quadrinho, porque apesar da violência estilizada do cinema oriental, ainda é menos chocante que na revista, pois na adaptação o diretor muda a personalidade de Gotou, deixando ele meio bobo, deslocado, que acaba servindo como um alívio cômico para a tensão do roteiro.

Outra curiosidade é que em 2013 entrará em cartaz nos cinemas a versão americana de Old Boy, dirigida por Spike Lee e protagonizada pelo badalado Josh Brolin, de Onde os fracos não tem vez. O trailer dessa nova versão foi divulgado internacionalmente na semana passada, e já pode ser visto pela internet em vários sites de entretenimento.

Agora, a Editora Sampa nos dá uma boa oportunidade de conhecer a obra original, além publicar uma das melhores revistas lançadas esse ano. O problema é dúvida em relação à continuidade do produto. Essa não é a primeira vez que a Sampa traz novidades do Japão. No começo dos anos noventa, época em que a empresa ainda se chamava Nova Sampa, lançou no Brasil o mangá Crying Freeman, que foi republicado há algum tempo pela Panini.

Também tratava-se de uma história policial, adulta, diferente de tudo que era editado na época, principalmente porque ninguém lançava mangás no País. Freeman conquistou muitos fãs brasileiros, que se esforçaram para acompanhar a série, pois na metade as revistas começaram a atrasar, o que levou muita gente a achar que a revista havia sido cancelada.

Com Old Boy o filem parece se repetir, da segunda para a terceira edição também houve um atraso no lançamento. Para quem conhece o histórico da empresa fica o medo de começar a comprar, gostar e não conseguir ler até o final.

O negócio é fazer velha propaganda boca-a-boca, leia, divulgue, fale para os seus amigos, e pode contar com uma certeza, se você é fã de uma boa história em quadrinhos, não se arrependerá de ler Old Boy!

Old Boy nº3
Editora Sampa
Roteiro: Garon Tsichiya
Arte: Nobuaki Minegishi
228 páginas
R$ 10,90

Fred TavaresNas bancas / Nas livrariasEditora Sampa,Garon Tsichiya,mangá,Nobuaki Minegishi,Old BoyEsse é o mangá que faltava nas bancas brasileiras! Lançado sem muita divulgação pela Editora Sampa, o mangá Old Boy chega à terceira edição empolgando cada vez mais o leitor. Aqui acompanhamos mais um capítulo na saga de Gotou, que começa a ficar maior, mas sem deixar pistas para o...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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