Um personagem ícone dos anos 30. Até hoje adorado por fãs saudosos e fiéis. Conhecido como “O Espírito que Anda”, o Fantasma foi criado pelo americano Lee Falk e sinceramente não lembro quando li pela primeira vez uma história com ele, mas lembro de quando li a aventura “Piratas do Céu”. Foi numa edição de 1975. Um gibi especial que tenho até hoje.

E para quem nunca havia lido uma história do personagem, ou ficava só olhando os álbuns dentro dos sebos e ficava se perguntando se valia a pena, a Pixel/Ediouro (em uma atitude que merece louvores) colocou nas bancas e em um volume único a saga completa “Os Piratas do Céu”, e ainda com um preço bem acessível, R$ 16,90.

“Os Piratas do Céu” é a sequência direta de “Os Piratas de Singh”, onde aparece a personagem Sala, pertence a uma quadrilha de mulheres piloto que assaltam aviões e são lideradas pela Baronesa. As duas são apaixonadas pelo Fantasma.

A segunda parte do álbum, “A Volta das Piratas do Céu” traz como o próprio título já entrega, o retorno de Sala e do bando de mulheres especializadas em assaltar os passageiros de aviões e se apaixonar pelo “Espírito que Anda”. Muitas mulheres, muitos problemas.

Antes que torçam o nariz pela minha última frase, ela foi proposital. O álbum traz sim um saudosismo do período dos primeiros quadrinhos, mas traz também o reflexo de uma sociedade (as mulheres daquela época não tinham todos os direitos conquistados) e hoje, com uma leitura mais apurada, detecta-se também como muda a sua visão e a leitura dos quadrinhos.

Ok, não existe um outro herói como o Fantasma. E em Piratas do Céu, Lee Falk coloca um grupo de mulheres lindas, fortes e sensuais (que brigam pelos seus ideias) contra os diálogos sempre carregados de uma fina ironia e uma malícia que todo bom cafajeste sabe ter. É a lábia como arma fatal. Para se ter uma ideia de como o heróis não usava métodos nada convencionais, na história ele usa um rato como arma e aplica umas boas palmadas em duas integrantes da quadrilha (o que diriam os politicamente corretos agora hein?).

Mas como eu disse anteriormente, esse material remota ao início dos quadrinhos e as tiras dominicais. Para se ter uma ideia, a primeira parte da história, originalmente foi publicada em forma de tiras em 1936/37 a segunda nas páginas dominicais de 1941/42. As tiras com o desenho elegante de Ray Moore, as páginas dominicais acho que foram entintadas pelo assistente de Moore, Wilson McCoy.

E mais uma vez lembrando, a sua época reflete como os quadrinhos eram produzidos. Sua estrutura de folhetim, por vez criada uma narrativa redundante e cheia de recordatórios e a famosa situação de texto explicando a imagem. Isso com certeza para os leitores mais jovens vai parecer uma chatice, mas deem crédito, porque não foi à toa que Fantasma se tornou um ícone.

Para se ter uma ideia, no anos 50 e 60 ele era o personagem favorito da molecada. O editor Toninho Mendes me contou que quando tinha 10 anos trabalhava na feira livre, numa banca de gibis usados. O salário era pago em gibis. Sempre gibis do seu herói favorito, o Fantasma.

A bela edição da Ediouro/Pixel traz grandes atrativos para os leitores que nunca tiveram um primeiro contato com o personagem. Capa cartonada, papel couché brilhante, colorida, preço muito bom, formato original das histórias, e ainda conta com alguns textos adicionais sobre o personagem, sua trajetória editorial no Brasil e no mundo.

Só fiquei um pouco frustrado pelo prefácio, onde Rodrigo Fonseca não cita o desenhista Wilson McCoy, que desenhou o Fantasma depois de Ray Moore. Em sua defesa coloco aqui um breve trecho de um texto do quadrinhista e cartunista Ota que foi publicado em 1985 na revista da coleção “Gibi de Ouro” pela extinta editora RGE:

“…execrado por alguns, McCoy não merece essa injustiça, seu traço é simples e quase caricatural, mas bastante expressivo. O Fantasma deve muito de sua fama a esse desenhista quase anônimo e pouco apreciado…”

A Ediouro/Pixel fez um belo trabalho não só para a alegria dos fãs saudosistas, mas também para a nova geração. É o tipo de publicação que vale a prestigiar. Com certeza irá render outros encadernados do gênero.

O chamado Espírito que Anda sempre não ficou muito tempo nas bancas brasileiras e agora para a felicidade de muitos retorna de casa nova e com energia renovada.

E que retorno!

O Fantasma – Piratas do Céu – Saga Completa
Ediouro/Pixel
Roteiro: Lee Falk
Arte: Ray Moore
Colorido
128 páginas
R$ 16,90

Floreal AndradeNas bancas / Nas livrariasEdiouro,Fantasma,Lee Falk,Piratas do Céu,Pixel,Ray MooreUm personagem ícone dos anos 30. Até hoje adorado por fãs saudosos e fiéis. Conhecido como “O Espírito que Anda”, o Fantasma foi criado pelo americano Lee Falk e sinceramente não lembro quando li pela primeira vez uma história com ele, mas lembro de quando li a aventura “Piratas...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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