O evento conhecido como Os Novos 52 teve como objetivo reiniciar todas as revistas (franquias e personagens) da editora americana DC Comics. Teve esse nome porque se tratam exatamente de 52 novas revistas onde personagens do universo de Superman e Batman conviviam.

Em uma decisão ousada e inédita, a editora Panini publicou TODOS os títulos nessa nova linha no Brasil, alguns em revistas mensais outros em encadernados eventuais. Entre personagens famosos e outros quase desconhecidos do público brasileiro, a Legião dos Super-Heróis não poderia ficar de fora do evento.

Não tão desconhecida no Brasil, porém, nem tão famosa, a Legião teve dois títulos dentro dessa nova safra. Um com o nome do grupo (com aventuras dos heróis se passando em sua época, ou seja, no futuro) e outro com parte do grupo perdido no passado (ou nosso presente), conhecido como Legião Perdida.

Esse último aparece no encadernado publicado pela Panini, antepenúltimo título antes da editora cumprir a difícil tarefa de publicar todas as 52 revistas americanas por aqui.

A Legião dos Super-Heróis nunca foi um grupo com uma quantidade significativa de títulos mensais publicados mensalmente. No entanto, a grande quantidade de personagens que integram o grupo dá a impressão ao leitor de não se situar, conhecer ou mesmo entender o que está acontecendo. São tantos personagens que uma única história pode ter várias tramas ocorrendo ao mesmo tempo.

Essa impressão de estar deslocado nas aventuras, porém, é mais acentuada para o público brasileiro, uma vez que os legionários nunca foram muito populares por aqui e a publicação de suas aventuras ter sofrido vários cortes e pulos, o que aumenta a confusão. Não fosse isso, por mais complexo que pareça, a Legião é um universo de heróis até muito simples. Isso não resolve a sensação de estar desatualizado nessa nova iniciativa, mesmo levando em conta que Legião Perdida mostra apenas sete legionários.

A história de Legião Perdida trata de um grupo de legionário que viaja ao passado atrás de um amargurado terrorista do futuro, que voltou no tempo para destruir a raça humana. A intenção do trágico vilão, que deseja se vingar após sua irmã ter sido morta graças ao preconceito interplanetário do futuro, é lançar uma espécie de vírus que altera o DNA de qualquer ser vivo. Com isso é capaz de fundi-lo com DNA alienígena de diversas raças, fazendo assim com que o infectado se torne híbrido.

Mas o problema do grupo de legionários não está apenas em tentar deter o vilão. Em certo momento, o “transporte” que os trouxe do futuro simplesmente é desintegrado e qualquer tentativa de solicitar ajuda de seus companheiros também vão para o espaço. Com isso, os legionários ficam presos… perdidos… em nossa época. Além de perseguir o terrorista, o grupo tem que se preocupar em se virar como pode, em uma época em que os recursos com os quais estão acostumados ainda não existem, esconder sua aparência (dois deles nem sequer são humanoides) e se adaptar aos costumes de “antigamente”.

A ideia, e muito menos o nome da série, não é tão original. Não foram poucas às vezes em que se mostrou uma aventura da Legião onde os integrantes ficavam presos no passado. A mais notória ocasião em que isso ocorreu se deu no meio do evento conhecido como Noite Final, nos anos 1990, com um grupo de legionários mostrado como sendo mais jovens (praticamente pré-adolescentes) e que foi parcialmente publicada no Brasil.

Também o nome Legião Perdida (Legion Lost) já foi usado em uma minissérie do grupo, mostrando integrantes que foram jogados do outro lado do Universo, em um setor desconhecido por qualquer civilização interplanetária. Publicada em uma época em que o grupo renovava a franquia e não contava com uma revista mensal, talvez seja a mais sombria história já feita com os legionários, praticamente um conto de terror misturado com o gênero ao qual eles remontam, a ficção científica.

Nessa missão foram destacados os legionários Pulsar (com seu corpo feito de antimatéria, contida em um uniforme humanoide especial); Tellus (uma criatura anfíbia como poderes telepáticos); Vésper (a bela alienígena dotada de asas que são capazes de fazê-la voar a uma velocidade próxima a da luz e com um instinto de rastreamento de qualquer alvo); Camaleoa (uma durlaniana capaz de assumir qualquer forma; versão feminina do conhecido herói Camaleão, também da Legião e com os mesmos poderes); Tyroc (capaz de manipular som, inclusive como poder de concussão); Portal (insectóide capaz de criar portais de teleporte) e Lobo Cinzento (integrante com força, agilidade e selvageria acima do normal).

Cada um dos integrantes tem personalidades bem distintas, apesar de não serem tão exploradas no roteiro dos escritores Fabian Nicieza e Tom DeFalco. Nicieza, inclusive, ficou famoso por escrever as histórias dos X-Men nos anos 1990, o que explica certa similaridade no desenvolvimento da interação dos personagens. Isso ocorre principalmente com Lobo Cinzento, que faz o papel de rebelde do grupo, totalmente avesso à liderança de Tyroc. Nesse caso, o personagem lembra muito o Wolverine, dos X-Men, mas esse legionário já tem uma história passada com forte influência do mutante da Marvel… ou vice e versa. Lobo Cinzento foi uma espécie de arquétipo de Wolverine nos anos 1970, inclusive visualmente, graças ao desenhista Dave Cockrum.

A sensação do leitor é de estar, assim como a Legião… um tanto perdido. Os personagens simplesmente surgem e não são exatamente apresentados. Mesmo leitores que tenham acompanhado as aventuras do grupo em tempos passados podem sentir certa insegurança, já que, na reformulação dos Novos 52, não se sabe o que mudou conceitualmente em cada personagem.

Há certo alívio quando, em dado momento da história, os heróis do futuro encontram Ajax, o Caçador de Marte, velho conhecido dos leitores de seus dias na Liga da Justiça. Mas, até aí, esse alívio se desfaz. Afinal, esse Ajax não pertence mais a Liga, mas ao grupo governamental conhecido como Stormwatch.

A arte de Pete Woods é eficiente no que diz respeito ao traço, tornando as páginas até agradáveis. Mas isso peca em alguns momentos no que diz respeito à quadrinização. Nesse caso, o que também pesa é o excesso de narração em primeira pessoa, em cada capítulo da história, mostrando o ponto de vista particular de cada integrante.

Ainda assim, é bom lembrar que essa não é a série principal da Legião, já que esta ficou para o final do projeto da Panini com os Novos 52. Legião Perdida não é exatamente um momento marcante para o grupo, mas este é um especial divertido, desde que o leitor entenda que se trata de uma série descompromissada, apenas aventuresca.

Novos 52: Legião Perdida
Editora Panini (DC Comics)
Roteiro: Fabian Nicieza
Arte: Pete Woods e Matt Camp
Lombada quadrada
Colorido
17 x 26 cm
148 páginas
R$ 14,90

Marcos DarkNas bancas / Nas livrariasDC Comics,Fabian Nicieza,Legião Perdida,Matt Camp,Novos 52,PaniniO evento conhecido como Os Novos 52 teve como objetivo reiniciar todas as revistas (franquias e personagens) da editora americana DC Comics. Teve esse nome porque se tratam exatamente de 52 novas revistas onde personagens do universo de Superman e Batman conviviam. Em uma decisão ousada e inédita, a editora...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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