Há quem diga que a editora norte-americana Image será a substituta do Vertigo, selo da DC Comics que publica histórias adultas, após a agourenta previsão de morte deste. É como uma eutanásia editorial, mas de um selo que, convenhamos, apenas passa por mudanças, por mais profundas que elas se mostrem como a saída de sua principal editora, Karen Berger, por exemplo, (que os mesmos “profetas” apostam ser o novo nome forte dentro da Image), deixa o futuro incerto. Há o risco, mas um tanto distante de se prever o fato.

A história da própria Image traz reviravoltas editoriais (amadurecimento?) em uma quantidade muito maior se comparado ao tempo de existência de suas duas maiores concorrentes (DC Comics e Marvel), já que é a caçula do grupo. De quadrinhos visualmente explosivos, mas de roteiro inexistente que “empesteou” os anos 1990, hoje a Image se distanciou do nicho dos super-heróis (salvo um ou outro trabalho que tenta dar uma nova visão ao gênero).

Hoje, apresenta trabalhos mais autorais, tanto em minisséries quanto em séries mensais divididas de forma a dar impressão de serem temporadas, feitas de forma a se encaixar perfeitamente em encadernados onde arcos fechados (nem sempre conclusivos) são apresentados. Um de seus mais recentes sucessos nesse sentido é a série Morning Glories.

Em um primeiro contato, Morning Glories parece muito com séries dramáticas leves sobre adolescentes, bem ao estilo High School Musical, Glee ou congêneres. A semelhança não é equivocada, mas intencional ao ponto de se tornar uma armadilha para quem espera apenas isso.

Com uma mistura entre os já citados dramas adolescentes, sobrenatural, ficção científica, suspense e até mesmo horror (beirando o gore), a série traz sua cota de crueldade e sanguinolência “um pouco” acima do que se pode ver numa tarde ensolarada e alegre de fim de semana.

E, fato, o que não deixa o encadernado passar despercebido nas bancas, são as capas de Rodin Esquejo, que não é o desenhista principal das páginas internas (tarefa que ficou a cargo de Joe Eisma). E, assim que o leitor mais incauto se atreve a entrar na leitura… pronto! Está tão preso pelo enredo quanto os protagonistas da série.

Escrita por Nick Spencer, Morning Glories traz personagens intencionalmente calcados em clichês de histórias de adolescentes. Temos a líder nata e mais bela do grupo, a depressiva e insegura, o arrogante que se candidata a vilão secundário, o nerd gente boa e atrapalhado, o fortinho misterioso e a amiga da líder, que traz lá seus segredos obscuros.

Esse seleto grupo adentra a instituição de ensino conhecida como Academia Morning Glory que, logo de cara, demonstra não ser o que aparenta. Logo nas primeiras histórias, fica claro que cada um dos integrantes tem lá sua cota para ser considerado especial (afinal, é uma honra absoluta estudar ali), mas as respostas não são entregues tão facilmente ao leitor. Aliás, não entregar as respostas é um recurso muito usado (além de trunfo) da série.

Os seis novos alunos se tornam amigos e começam a descobrir uma bizarrice atrás da outra na Academia. O fato de todos ali fazer aniversário no mesmo dia; aparições fantasmagóricas ligadas aparentemente a um dos protagonistas; administradores sádicos que agem como psicopatas e funcionários militarizados; objetos estranhos que parecem ser o grande segredo do local, viagens no tempo (entrecortado por muitos recordatórios do que aconteceu antes da narrativa principal… e até além); experiência e teorias compreensíveis apenas pelos personagens (e, talvez, pelos autores); clima de conspiração e traição contínua.

São, sim, muitos elementos e clichês empurrados em um ritmo pouco regular durante as suas páginas. Culminam, sempre, na última página de cada capítulo (equivalente à edição mensal americana), provocando a curiosidade do leitor ao máximo para descobrir mais sobre os segredos que ali se encontram (por mais que o mesmo leitor não queira seguir). Esse primeiro encadernado, trazendo as seis edições iniciais da série, honra esse ritmo e deixando a ponto para o “próximo episódio”, para a tortura do leitor, agora ansioso por respostas.

É pouco, muito pouco, para dar razão aos profetas do fim da Vertigo. Mas é uma forma de mostrar como a Image se distanciou do colorido mundo dos super-heróis. Para os mais críticos, é possível se esforçar em notar uma sútil reformulação desse gênero, no entanto. Mas pensar isso de Morning Glories seria algo que estaria na imaginação de um ou outro leitor, uma vez que, recheado de segredos estranhos, a série cria tantos pontos de vistas e previsões para o “próximo capítulo”, que seriam apenas mais algumas portas misteriosas nos corredores dessa estranha Academia.

Morning Glories – Por um futuro melhor
Editora Panini
Roteiro: Nick Spencer
Arte: Joe Eisma
Lombada quadrada
Colorido
17 x 26 cm
196 páginas
R$ 21,90

Marcos DarkNas bancas / Nas livrariasImage,Joe Eisma,Morning Glories,Nick Spencer,Panini,Rodin EsquejoHá quem diga que a editora norte-americana Image será a substituta do Vertigo, selo da DC Comics que publica histórias adultas, após a agourenta previsão de morte deste. É como uma eutanásia editorial, mas de um selo que, convenhamos, apenas passa por mudanças, por mais profundas que elas se...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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