A Marvel tem um elenco respeitável de personagens que se encaixam no gênero de terror, mesmo atuando em um universo cheio de super-heróis. Seu representante menos obscuro, nesse grupo, talvez seja o Motoqueiro Fantasma. O personagem surgiu nos anos 1970, quando se via uma ascensão do gênero de terror na mídia, e chegou a ter sua própria revista mensal que durou por uma década.

Porém, salvo uma nova versão do personagem, que teve uma segunda série mensal a partir da década de 1990, nunca engrenou uma durabilidade mais constante como seus outros colegas heróis. Mas é um personagem querido, cultuado, além de estiloso. Por isso é comum suas participações em histórias de outros personagens, bem como minisséries e especiais. Provavelmente, um personagem feito para fazer sucesso nesses formatos.

Um dos fatores de uma revista mensal desse gênero não funcionar com o personagem é a tradicional mania das equipes criativa em mudar um conceito tão simples (se bem que outros personagens, se pensarmos bem, também são conceitos simples que sofrem na mão dos editores, escritores e desenhistas… não generalizando, é claro).

A última tentativa em se revitalizar uma revista mensal para o Motoqueiro Fantasma surgiu em 2011, aproveitando a divulgação do segundo longa metragem do personagem nos cinemas (novamente interpretado pelo ator Nicholas Cage). E assim como o filme, não funcionou. Em se tratando de mudanças no personagem, aqui o escritor Rob Williams experimentou algo radical, transformando o personagem em mulher. Surgia assim, Alejandra, a Motoqueira Fantasma.

Diferente das heroínas voluptuosas e sensuais dos anos 1990 (traumaticamente esta é a primeira lembrança que se tem ao apresentar versões femininas de heróis), a Motoqueira Fantasma apresenta as mesmas características de seu sucessor, Johnny Blaze, com o diferencial de seguir o espírito da vingança que nela habita e com uma igualmente faminta curiosidade em aprender mais sobre seus poderes adquiridos.

Visualmente, temos uma motoqueira que é uma caveira flamejante, só que com seios. Mas não é exatamente uma femme fatale. Nem mesmo em sua forma humana, Alejandra faz esse papel. Eu diria até que foge um pouco do estereótipo de garota latina. Uma garota bonita e descolada e só.

Para quem espera quebrar a cara com uma ideia absurda para o personagem, pode se surpreender. O ritmo da história deixa o leitor relaxado o suficiente para que até esqueça que se trata de outra pessoa levando o nome do herói. De fato, quando age, a impressão que se tem é o de ver o mesmo personagem, talvez com um toque de felicidade por ter seus poderes infernais.

Mas o velho e bom Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma original, também está lá. Apesar de ter transferido seus poderes para Alejandra, logo de cara vê que fez um mau negócio devido à falta de experiência da garota. Aliás, mau negócio, pra quem fez um pacto com o capeta deve ser um dom. Enfim, o personagem está mais carismático do que o amargurado dublê que foi no passado, quando vivia se lamentando de sua maldição.

Agora, ele ri da própria desgraça, além da alheia, é claro. Serve aqui como uma espécie de mentor da rebelde Alejandra. E por falar em rebeldia, Johnny ainda tem que aturar farpas de acusações de um dos mais rebeldes heróis dos Vingadores.

O roteiro de Williams, apesar de amarrar todas as edições, tem a qualidade que poucas histórias de super-heróis hoje tem: a independência para se ler uma história solo, sem se preocupar com interligações de uma saga inteira para entender o que está acontecendo. Não que não haja continuidade, mas é possível se notar que cada história é uma aventura diferente que faz parte de um todo, sendo possível acompanha-la em separado sem problemas.

Porém, isto mostra que o próprio escritor “desacelerou” sua inspiração inicial, deixando um pouco de lado o desenvolvimento da mitologia da nova personagem, mesmo porque aqui já sabia que o título que escrevia seria cancelado.

A Panini tem o mérito do compromisso que assume com o leitor, mesmo em séries “finadas” como esta da Motoqueira Fantasma. Não funcionando em vendas, a revista foi cancelada em sua nona edição. Como já haviam publicado as quatro primeiras edições do título (na Marvel Terror anterior), aqui temos a conclusão da série. Uma atitude que não era vista no passado, quando séries eram canceladas apenas porque não faziam mais sucesso lá fora, mesmo que aqui ainda estivessem em uma boa fase.

Para completar este especial, a editora publica três histórias da revista Tomb of Terror, com outros personagens do gênero de terror da Marvel: Homem-Coisa, Filho de Satã e Lobisomem. Com uma arte em branco e preto, tem um teor mais adulto do que a atração principal e pode chocar os desavisados que esperavam um clima de super-heróis como a Motoqueira.

Uma curiosidade fica por conta de Mark Texeira, um dos principais responsáveis pela revitalização do Motoqueiro Fantasma nos anos 1990, aqui desenhando a curta história do Homem-Coisa.

Marvel Terror é uma série curiosa que traz histórias que podem até não ser o melhor da editora, mas carrega uma tentativa válida (e, assim como o Motoqueiro, estilosa) de homenagear esses cativantes monstros.

Marvel Terror nº5
Editora Panini – Marvel
Roteiro: Rob Williams (Motoqueira Fantasma); Paul Hornschemeier, Joe Pruett (Tomb of Terror)
Arte: Lee Garbett, Dalibor Talajic e Guillermo Ortego (Motoqueira Fantasma); Mark Texeira, Pablo Peppino, Jordan Raskin (Tomb of Terror)
Lombada quadrada
Colorido
17 x 26 cm
148 páginas
R$ 19,90

Marcos DarkNas bancas / Nas livrariasDalibor Talajic,Filho de Satã,Guillermo Ortego,Homem-Coisa,Joe Pruett,Jordan Raskin,Lee Garbett,Lobisomem,Mark Texeira,Marvel,Marvel Terror,Motoqueira Fantasma,Pablo Peppino,Panini,Paul Hornschemeier,Rob Williams,Tomb of TerrorA Marvel tem um elenco respeitável de personagens que se encaixam no gênero de terror, mesmo atuando em um universo cheio de super-heróis. Seu representante menos obscuro, nesse grupo, talvez seja o Motoqueiro Fantasma. O personagem surgiu nos anos 1970, quando se via uma ascensão do gênero de terror...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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