Revista traz a estreia no Brasil da versão Novos 52 de Shazam

A editora Panini escolheu o mês de julho para publicar as edições Zero das revistas da DC Comics. Após um ano da audaciosa reformulação de toda sua linha editorial, a casa de Batman, Superman e Cia. durante um mês zerou todas as publicações, lançando especiais com histórias fora da cronologia.

Em terras tupiniquins, a escolha dos editores para a revista da Liga da Justiça foi publicar a nova origem do personagem Capitão Marvel, agora chamado simplesmente de Shazam e, para completar as páginas, também há a origem do Capitão Átomo. Completa a edição algumas páginas que não dá nem pra chamar de histórias curtas, que devem fazer a ligação entre a fase atual e a próxima fase do Universo DC pós-novos 52.

Com reformulação de toda a linha editorial da DC, os chamados Novos 52, o escritor Geoff Johns resolveu trazer de volta também o Capitão Marvel, porém, dessa vez mudando o nome dele de vez para Shazam. Essa história é a reunião de várias histórias curtas, secundárias, publicadas na originalmente na versão americana da revista.

O escritor não mudou tanto a gênese do herói, ele continua sendo órfão, o mago e a palavra mágica foram mantidos, mas a principal alteração foi a personalidade de Billy Batson, que já não é mais aquele bom menino da década de 40. Na segunda década do século XXI, Batson é um adolescente revoltado, meio malandro e cheio de marra, cujo maior objetivo é sair do orfanato, apesar de ainda faltarem três anos para que ele atinja a maioridade.

O garoto agora cresceu em relação ao original, e também tem suas ambições, na cena em que ele ganha os poderes argumenta com mago, dizendo que ninguém é puro, ninguém é inocente, dando a entender que se ele não é digno dos poderes, talvez ninguém seja.

A trama também ganha um ar de saga, de conspiração, introduzindo os vilões Dr. Silvana e Adão Negro (o nêmesis do Capitão Marvel em todas as versões anteriores), mas com um problema, a história não termina, fica com final em aberto, e mais uma vez eu digo que acredito que essa seja uma estratégia para preparar o terreno para a próxima fase do universo DC.

Silvana foi o personagem que mais mudou, de cientista maluco e empresário, agora ganhou uma motivação diferente para sua vilania, algo que até o humanizou um pouco. Ao terminar de ler a história percebe-se que a maior inspiração dessa reformulação foi Miracleman, um verdadeiro plágio do Capitão Marvel, criado na Inglaterra nos anos 1950, que foi repaginado por Alan Moore nos anos 1980, publicado no Brasil no começo dos anos 1990.

O desenhista Gary Frank praticamente copia o estilo de Gary Leach, artista inglês que desenhou o início de Miracleman, usando até mesmo um efeito de raios nos personagens para demonstrar que o poder flui através deles. Confesso que nunca fui fã da arte de Gary Frank, que eu acho inexpressiva, mas aqui achei muito boa, realmente me surpreendendo.

O visual dos personagens foi praticamente mantido, salvo pelo Dr. Silvana, que ganhou uma aparência estilo Lex Luthor. Já o design de Adão Negro e Shazam ficou metalizado, meio armadura, mas mantendo o aspecto clássico deles, aliás, esse estilo armadura é a grande marca da reestilização proposta por Jim Lee à DC, que redesenhou os principais heróis da editora, dando a impressão que o artista não sabia o que fazer e deixou todo mundo com a mesma cara.

Para completar a publicação há três histórias: uma de três páginas mostrando o mago Shazam e uma personagem misteriosa, que não revela praticamente nada, e outra de uma página apenas, apresentando o personagem Questão, muito superficialmente em apenas seis quadros, e a história do Capitão Átomo, que apesar de ser a origem dele, também não esclarece muita coisa, apenas mostra os fatos que não foram exibidos na série mensal. O desenhista Freddie Williams II é muito bom, mas aqui nem sua arte salva uma história fraca, feita as pressas, praticamente sem um argumento sustentável.

Criado por Bill Parker e pelo desenhista C. C. Beck em 1939 para a editora Fawcett, o Capitão Marvel foi um dos heróis mais populares da década de 40 e divulgou a célebre palavra mágica Shazam por todos os continentes, seja através dos quadrinhos, ou do seriado exibido nos cinemas da época.

Um pouco de história:
Na versão original o jovem órfão Billy Batson é escolhido pelo mago Shazam para ser o campeão da humanidade, recebendo os dons dos deuses e heróis antigos ao pronunciar o nome do mágico. Dessa forma com a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a invulnerabilidade de Aquiles, o poder de Zeus, o vigor de Atlas e a velocidade de Mercúrio, o garoto se transformava no mais poderoso dos mortais, o Capitão Marvel que, igual a vários outros personagens da época, residia na cidade fictícia Fawcett City.

Apesar dos poderes adquiridos ao falar a palavra mágica, em sua essência o personagem continuava sendo o jovem Batson, fato que talvez tenha gerado uma empatia muito grande dele com os leitores, que nos anos 1940 eram predominantemente crianças, e causou a divisão da preferência dos consumidores entre ele e o primeiro super-herói dos quadrinhos, Superman, lançado um ano antes pela editora National, que hoje é conhecida como DC Comics.

O sucesso de Shazam foi tão grande que levou a National executar um plano digno de um super-vilão: processar a Fawcet por plágio alegando que o Capitão Marvel era uma cópia do Superman. Após anos de batalhas nos tribunais Marvel perdeu sua maior luta e, em 1953, deixou de ser publicado. Alguns anos depois, com a falência da Fawcett, a DC Comics comprou os direitos de todos os personagens da editora, e integrou o Capitão ao universo DC, mas sem muito êxito.

Foram várias as tentativas de relançar o personagem, de modernizá-lo e realmente integrá-lo ao universo DC, com vários autores de sucesso como Roy Thomas, Jerry Ordway, Jeff Smith, entre outros, mas talvez o que mais os leitores se recordem seja a fase cômica da Liga da Justiça, em que o jeito ingênuo do herói o tornou alvo das piadas e perseguições do Lanterna Verde Guy Gardner, que lhe deu o apelido de Capitão Fraldinha, o que realmente é muito pouco para aquele que foi o primeiro super-herói a se adaptado para o cinema, em 1941.

Para finalizar: de tudo que eu li dos Novos 52 esse novo Shazam foi o que eu esperava menos, e no final me surpreendeu muito, se a série continuar nesse ritmo tem tudo pra desbancar até outros títulos da casa, inclusive o Superman e a Liga da Justiça. Vale comprar a revista por essa história!

Liga da Justiça Zero
Editora Panini
Roteiro: Geoff Johns (Shazam e Questões), JT Krul (Capitão Átomo)
Arte: Gary Frank (Shazam), Ethan Van Sciver (Questões), Freddie Williams II (Capitão Átomo)
Formato Americano
108 páginas
R$ 9,90

Fred TavaresNas bancas / Nas livrariasDC Comics,Ethan Van Sciver,Freddie Williams II,Gary Frank,Geoff Johns,JT Krul,Liga da Justiça Zero,Novos 52,Panini,ShazamRevista traz a estreia no Brasil da versão Novos 52 de Shazam A editora Panini escolheu o mês de julho para publicar as edições Zero das revistas da DC Comics. Após um ano da audaciosa reformulação de toda sua linha editorial, a casa de Batman, Superman e Cia. durante um...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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