Um quadrinho americano quase europeu!

Em tempos de redes sociais e marketing digital a editora Panini fez algo relativamente simples e que, pelo menos pra mim, funcionou muito bem: colocou uma prévia em PDF da HQ Diablo III na internet. Li as primeiras páginas e gostei principalmente da arte. Sim, comprei a revista.

Baseada num jogo de sucesso mundial, e isso pra mim não quer dizer nada porque nunca fui fã de videogames, me arrisquei esperando ler uma boa fantasia medieval, gênero que aqui no Brasil praticamente sumiu das bancas, restando apenas alguns mangás desse tipo. Logo, não conheço o universo de Diablo e muito menos sei como a aventura se desenrola nos games. E isso pode ser uma vantagem quando se trata de adaptações.

A trama segue a clássica estrutura das histórias capa e espada, a jornada do herói, aquele predestinado, relutante, que ainda nem sabe da grandeza que o destino lhe reservou. De resto há vilões sanguinários, uma aliada com poderes místicos, um monstro aqui e outro ali, e algumas reviravoltas no roteiro.

A aventura começa com Jacob, um jovem habitante do mundo Santuário que tenta voltar para sua cidade natal após ser banido, mas acaba descobrindo que é o predestinado justamente a salvar seu povo de uma de uma praga mística que pode levá-los a loucura e a serem dominados por um reino rival.

Para auxiliar o herói nessa jornada, Shanar, uma feiticeira que é guardiã de uma espada mágica reservada à Jacob, para que ele cumpra sua missão. Como em várias histórias desse tipo é claro que Jacob e Shanar são caçados por seus inimigos, e a trama ainda reserva algumas surpresas como antagonistas que tornam-se aliados, e algumas cenas inesperadas no capítulo final da aventura.

Como mencionei antes, o ponto alto da publicação são os desenhos. A arte é assinada pelo artista francês Joseph Lacroix, cujo estilo apesar de influenciado por Mike Mignola, tem na sua essência o quadrinho europeu, e se tem uma coisa que os eles sabem fazer bem são aventuras de espada e magia.

O desenho de Lacroix é estilizado, mas nem por isso é simplório, ao contrário, o autor preza pelo visual dos personagens, pela ambientação, além de saber trabalhar luzes e sombras criando a atmosfera certa para cada cena. O cuidado com cenários também chama atenção, principalmente por ser algo que a maioria dos desenhistas americanos não gostam, e muitas vezes não desenham.

Talvez o único ponto fraco sejam alguns detalhes do enredo. Muitos pontos são diretamente a franquia do game e se você não é um jogador da série, não vai saber exatamente como é esse universo que foi transposto para os quadrinhos. E nesse ponto, aquela vantagem de não conhecer a série original quando se trata de adaptações, vai por água abaixo.

Nesse sentido os editores poderiam ter incluído um texto mais esclarecedor para os iniciantes. Ao invés de inserir um texto que conta a história do surgimento do jogo, e de seu êxito, como foi publicado nas últimas páginas da revista, caberia uma introdução para os leitores novos. Mesmo assim não é difícil compreender o argumento e curtir a história.

Se você ainda está na dúvida em comprar ou não o encadernado, a dica que eu dou é acessar o preview da HQ que ainda está disponível, clicando aqui.

Para finalizar, minha opinião: seja você fã e jogador, ou não, vale a pena ler Diablo III!

Diablo III
Editora Panini
Roteiro: Aaron Willians
Arte: Joseph Lacroix
Formato Americano
124 páginas
R$ 17,90

Fred TavaresNas bancas / Nas livrariasAaron Willians,Diablo III,Joseph Lacroix,PaniniUm quadrinho americano quase europeu! Em tempos de redes sociais e marketing digital a editora Panini fez algo relativamente simples e que, pelo menos pra mim, funcionou muito bem: colocou uma prévia em PDF da HQ Diablo III na internet. Li as primeiras páginas e gostei principalmente da arte. Sim,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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