Darwyn Cooke pode não ser Alan Moore, mas é genial

Toda obra de arte reflete um momento da vida do autor, da sociedade, do mundo ao redor daquele a que a produziu e, por esse motivo, um artista não concebe a mesma peça duas vezes. O mesmo acontece com as histórias em quadrinhos, quer as pessoas as considerem arte, ou não.

Talvez o maior desafio do projeto Antes de Watchmen tenha sido justamente esse, afinal, muitos fãs radicais simplesmente atacaram as minisséries antes mesmos delas serem lançadas, sem se dar conta que em nenhum momento as novas narrativas tinham como objetivo reproduzir a original, ou superá-la.

Em Minutemen, que a editora Panini lançou essa semana nas banca do País, encerrando a publicação a coleção Antes de Watchmen, fica claro que apesar das diferenças entre as histórias, a genialidade do escritor e desenhista Darwyn Cooke prova que, apesar dele não ser tão badalado quanto Alan Moore, é capaz de criar uma trama tão boa, e que enriquece a HQ dos anos 1980.

Narrada pelo Coruja, ou melhor, por Hollis Mason, seu alterego, em seis capítulos são mostradas as dificuldades dele em publicar seu livro, Sob o Capuz, que contava sua história como super-herói, e também sua participação no grupo que dá nome a revista. Determinado a contar toda a verdade sobre a era de ouro dos heróis, ele conquista a inimizade de todos os remanescentes da equipe, que teriam sua intimidade, seus podres, e suas imagens destruídas com a publicação do livro.

A cada episódio o ex-herói se encontra com ex-companheiros, ou com pessoas ligadas a eles. Por flash-backs somos levados pelas memórias de Hollis para a sua estreia no combate ao crime, a entrada da equipe e, principalmente aos casos e fatos mais marcantes e polêmicos, incluindo os relacionamentos homossexuais entre os membros, além deixar clara a dicotomia em que se encontrava o Coruja, de ser um homem idealista, de valores morais rígidos, tentando fazer a diferença em um mundo cujas mudanças estavam ocorrendo no mundo, numa velocidade, e de maneiras que ele não estava pronto para enfrentar.

Cooke soube explorar como nenhum dos outros autores a série original, apropriando-se de conceitos implícitos e fatos para criar uma obra realmente surpreendente, principalmente em sua conclusão, que foge totalmente do lugar comum. Nesse contexto vale um elogio para a DC Comics, que soube escolher um autor cujo estilo calcado nos desenhos animados, com inspiração em quadrinhos antigos, casa perfeitamente com um roteiro ágil, envolvente e cheio de reviravoltas.

De todos os capítulos de Antes de Watchmen, Minutemen sem sombra de dúvida é o melhor, em todos quesitos, da arte, do roteiro, até do conhecimento do autor e respeito a obra original e sem dúvida nenhuma é indispensável em qualquer coleção de gibis, seja você leitor da DC, ou não.

Vale muito a pena!

Antes de Watchmen – Minutemen
Editora Panini
Roteiro & Arte: Darwyn Cooke
Formato Americano
156 páginas
R$ 21,90

Fred TavaresNas bancas / Nas livrariasAlan Moore,Antes de Watchmen,Darwyn Cooke,DC Comics,Minutemen,PaniniDarwyn Cooke pode não ser Alan Moore, mas é genial Toda obra de arte reflete um momento da vida do autor, da sociedade, do mundo ao redor daquele a que a produziu e, por esse motivo, um artista não concebe a mesma peça duas vezes. O mesmo acontece com as...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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