A última história do Batman.

A ideia não é nova e muito menos inédita. Além do que, mesmo se não houvesse histórias do tipo, com certeza muitos fãs já se perguntaram como isso aconteceria.

A última história de qualquer personagem de quadrinhos nem sempre tem que estar ligada com sua morte. Em muitos casos, pode ser uma mera aposentadoria ou mesmo um evento onde ele pretenda passar a responsabilidade que carrega para alguém mais jovem, mais capacitado para os novos tempos.

Porém, quando falamos do fim de um personagem de quadrinhos, existem aqueles cujo único final imaginável seria a morte. E talvez não haja nenhum outro candidato melhor (ou pior, depende do ponto de vista) para isso do que… Batman. Sim, é possível imaginá-lo se casando e constituindo família, passando o manto para outro… Mas isso foi feito na Era de Prata dos Quadrinhos e, já ali, se tornou algo datado, algo que não seria tão aceitável nos dias de hoje.

Ok, seria possível limitá-lo de suas capacidades físicas (afinal, a idade chega até para os heróis) e se tornar uma espécie de “treinador” ao invés de ser o “jogador” no ambiente em que atuava. E isso é algo que já fizeram na animação Batman Beyond (ou Batman do Futuro). Ou mesmo fazê-lo ignorar essas limitações e continuar socando vilões até palpitações em seu envelhecido coração dizerem em alto e bom pulso que é hora de descansar. Mas isso é algo que já fizeram com a minissérie Cavaleiro das Trevas.

A verdade é que Batman conseguiu a façanha de se tornar um mito, um quase semideus, sem nem ao menos ter um poder extra-humano. Batman é o Batman. E ninguém mais consegue ser o Batman. Todas as imitações não conseguiram ser mais do que imitações.

A admiração pelo personagem, até onde tenho conhecimento, é unânime entre público, crítica e profissionais. E o escritor inglês Neil Gaiman não é indiferente a isso. O estilo de Gaiman é algo diferenciado do gênero de super-heróis, mas foi através dele que conseguiu alavancar seu nome na indústria dos quadrinhos americanos. Mesmo seu maior sucesso já publicado, a série de terror e fantasia Sandman, se passava no universo onde convivem Superman, Batman, Flash, Mulher Maravilha, entre outros. Mas era a visão que Gaiman trazia para esse universo que o diferenciava dos demais.

Portanto, nada mais curioso (para não dizer honroso) do que trazer para as mãos de Gaiman a responsabilidade de uma última história para o Batman. Seu estilo próprio não traz a mera ação de uma aventura que acaba em tragédia. Afinal, se assim fosse, teríamos um evento que levasse ao esperado (e anunciado) fim, ao invés da única história contada por ele, em humildes duas partes. O que temos é algo que não fala de morte… mas de tributo a um personagem tão querido. Ou, como o próprio Gaiman chama sua introdução para este especial, uma carta de amor.

O tributo tem um molde muito parecido com o que outro famoso escritor inglês, Alan Moore, fez com o Superman quando contou sua última história (não por acaso, chamada O Que Aconteceu ao Homem de Aço). Ironicamente, a história com o tão plausível Batman chega a ser mais fantasiosa do que o final sugerido ao Superman. Em parte pela visão e ritmo poéticos que Gaiman cria no decorrer da história.

Tendo apenas duas histórias (ambas desenhadas por Andy Kubert), para completar essa caprichadíssima edição lançada pela Panini, ainda temos outras histórias (ou visões, como preferirem) criadas por Neil Gaiman. Desde uma divertida versão dos bastidores de uma história de Batman e Coringa, com desenhos do peculiar Simon Bisley (publicada originalmente no especial Batman em Branco e Preto), até um passeio pela mente de perigosos antagonistas do homem-morcego (incluindo uma interessante observação por um sessentista Charada, que se mostra chocado com o tom pesado das histórias publicadas décadas depois de sua era de inocência).

Também faz parte do especial um curioso “caderno de esboços” de Andy Kubert para o planejamento da história que dá nome a esse especial.

Todos estão lá. Os heróis que o acompanharam, os vilões, os personagens coadjuvantes, as diversas ideias de artistas e escritores que enriqueceram a mitologia do personagem e, claro, a cidade. Gotham City, quase um ser monstruoso que era tão presente nas histórias quanto seus habitantes. Uma espécie de vilão com o qual Batman tinha plena consciência de que não superar.

Batman sempre esteve a um passo a frente de todos, amigos e inimigos. Menos de Gotham City. A cidade é um gigante que não pode ser enfrentado, uma tempestade sombria que está sempre presente contra a qual só existe uma saída para encará-la de frente. Respeitando-a. E foi justamente assim que Batman se tornou o sinônimo de Gotham City.

E Gotham City se tornou o sinônimo de Batman, herói que o mundo, fictício ou real, aprendeu a respeitar.

Batman O que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?
Editora Panini – DC Comics
Roteiro: Neil Gaiman
Arte: Andy Kubert, Simon Bisley, Mark Buckingham, Mike Hoffman e Bernie Mireault
Arte-final: Scott Williams, Nansi Hoolahan, Kevin Nowlan e Matt Wagner
Lombada quadrada
Colorido
17 x 26 cm
132 páginas
R$ 21,90

Marcos DarkNas bancas / Nas livrariasAndy Kubert,Batman,Bernie Mireault,DC Comics,Kevin Nowlan,Mark Buckingham,Matt Wagner,Mike Hoffman,Nansi Hoolahan,Neil Gaiman,Panini,Scott Williams,Simon BisleyA última história do Batman. A ideia não é nova e muito menos inédita. Além do que, mesmo se não houvesse histórias do tipo, com certeza muitos fãs já se perguntaram como isso aconteceria. A última história de qualquer personagem de quadrinhos nem sempre tem que estar ligada com sua morte....O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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