Em algumas tribos ou sociedades primitivas, os rituais de passagem para a vida adulta são provas em que é preciso suportar uma dor extrema. Há casos de luvas com formigas, raspagem da pele ou um ornamento de osso colocado na orelha ou nariz. Mas em Quando Eu Cresci, o personagem Pepeto irá descobrir que existem outros modos.

Para a estreia do selo Agaquê, a Editora Ática apostou em um álbum que além de surpreender pela bela arte, ainda nos traz uma história que a primeira vista pode soar como mais um conto inocente, mas depois veremos que a narrativa não é tanto direcionada a um publico muito infantil, pelo menos não toda ela.

Escrito por Pierre Paquet e ilustrado por Tony Sandoval, Quando Eu Cresci narra a história de Pepeto, que depois de comprar bombinhas, chega a sua casa e ao ver uma pequena imagem de Cristo menino caminhar e atravessar a parede do apartamento. Ao decidir em segui-lo, Pepeto dá início a uma surreal peregrinação pelas paredes.

A partir daqui a imaginação toma conta. A cada parede que Pepeto consegue transpor, ele encontra um mundo diferente. Logo na primeira página vemos a paixão de Paquet pela África estampada num anúncio de bonde com um garoto que dança como Michel Jackson. Uma estação de trem é o cenário onde uma garota enamorada espera seu amado. Uma fonte dos desejos e suas habitantes também nos são mostrados. Um mundo florido e um solitário homem que não para de chorar. Enfim, fique preparado para algo que você não espera. Atrás de cada parede algo mágico o espera.

Não são apenas as savanas africanas e as paisagens intrigantes que encantam os olhos. As estranhas figuras que as habitam, que vão desde algo monstruoso encerrado numa prisão, e que pede a ajuda de Pepeto para sair, e alguns seres que aparecerão, desaparecerão e reaparecerão no caminho do menino, o deixam e nos deixam cada vez mais absorvidos nas situações.

Algumas situações, que como eu disse no começo, não são nada infantis. Pepeto se machuca, ele sangra, ele erra, ele chora. Nem todos os personagens são bondosos com ele, e o curioso é que alguns seres simplesmente desaparecem como se fossem imagens de um pesadelo ruim, deixando só as marcas e o susto.

Esse é o doloroso caminho que Pepeto vai percorrer e tentar sobreviver aos seus perigos. Pierre Paquet diz que há várias mensagens na obra, e talvez a principal seja: “não tenha medo de errar”. O autor ainda revela que teve a ideia aos 14 anos, depois de sofrer uma perda. Será que só crescemos sempre depois da perda?

Quando Eu Cresci é uma HQ extraordinária com desenhos magníficos de Tony Sandoval, que me lembrou de alguns grafites, aliás, um amigo grafiteiro comprou o álbum e me disse: “estou lendo lentamente para aproveitar por mais tempo a historia e seus desenhos”. E isso é uma verdade, não tem como ler a graphic novel e não se deliciar com as imagens.

No final desse belíssimo álbum você ainda confere entrevistas com os autores, esboços e trechos do roteiro. Imperdível!

Quando Eu Cresci
Editora Ática – selo Agaquê
Roteiro: Pierre Paquet
Arte: Tony Sandoval
23 x 31,5 cm
96 páginas
Data de lançamento: julho de 2011
R$ 35,90

Floreal Andradehq que aconteceAgaquê,Ática,Pierre Paquet,Quando Eu Cresci,Tony SandovalEm algumas tribos ou sociedades primitivas, os rituais de passagem para a vida adulta são provas em que é preciso suportar uma dor extrema. Há casos de luvas com formigas, raspagem da pele ou um ornamento de osso colocado na orelha ou nariz. Mas em Quando Eu Cresci,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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