Vou começar pelo fim. Quando olhei pela primeira vez o álbum e o folheei, ao chegar nas páginas finais me deparei com um texto em letras miúdas, a princípio achei que fosse um texto em árabe, peguei uma lente e vi que era uma lista de nomes.

Antes fossem nomes de quem comprou o álbum ou fez parte da publicação, mas não….na realidade é o registro de 16.901 pessoas mortas desde 1979 até 2009 em um conflito que pelo visto está longe de acabar.

Dito isso já dá para imaginar o clima de O Paraíso de Zahra, álbum publicado em janeiro pela editora Barba Negra, que conta à história da busca por um nome que talvez se encontre nessa lista.

Triste? Com certeza, mas o mais sufocante é que para descobrir se esse nome está ou não na lista, você leitor tem que acompanhar a busca incansável de Zahra, mãe de Mehdi (que foi visto pela última vez nos protestos na Praça da Liberdade), e seu outro filho, o autor do blog chamado “O Paraíso de Zahra”.

Em uma busca que parece um pesadelo escrito por Kafka, ninguém sabe de nada, ninguém viu nada, e a saga chega a parecer um busca inútil, pois parece que o desaparecido nunca existiu (tática usada em alguns países perto do nosso ou por aqui mesmo, diga-se de passagem).

Para chocar mais, essa não é uma narrativa 100% inventada. A trama fala de assuntos reais, é uma ficção, mas baseada nos protestos contra as eleições (fraudulentas) no Irã em 2009. A HQ saiu primeiro em capítulos na Internet no blog já citado e depois foi lançada em formato graphic novel com texto de “Amir” e os desenhos muito expressivos de “Khalil”. Os nomes estão entre aspas porque os autores preferem se manterem anônimos por razões políticas.

O Paraíso de Zahra é mais um lançamento de excelente da Leya / Barba Negra e seus acabamentos gráficos de primeira linha. Só uma dica. Para um entendimento melhor para quem não está familiarizado com a situação política da região, eu recomendo a leitura dos apêndices no final da graphic novel antes de começar a leitura dos quadrinhos.

Profundo, sério e impossível de lê-lo sem se emocionar. O álbum é uma boa dica para conhecer os quadrinhos fora do eixo América (que vai da pontinha da patagônia ao cucuruto do Canadá), Europa e Ásia (Japão e Coréia).

O Paraíso de Zahra
Autores: Amir e Khalil
Editora LeYa / Barba Negra
16 X 23 cm
272 páginas
R$ 39,90

Floreal Andradehq que aconteceAmir,Barba Negra,Khalil,Leya,O Paraíso de ZahraVou começar pelo fim. Quando olhei pela primeira vez o álbum e o folheei, ao chegar nas páginas finais me deparei com um texto em letras miúdas, a princípio achei que fosse um texto em árabe, peguei uma lente e vi que era uma lista de nomes. Antes fossem nomes...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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