No início dos anos setenta, quando eu passava pelas bancas de jornal sempre dava uma espiada  em uma revista de fotonovelas com um personagem vestindo uma roupa de esqueleto, mas é claro que, naquela época o que mais me chamava à atenção eram as mulheres de calcinha nas capas. Parece estranho começar o texto assim, mas calma que eu já explico.

Dois ou três anos depois li uma HQ brasileira no “Almanaque Gibi Nostalgia”, era um personagem de chapéu, capa e com uma  máscara de caveira, chamado Garra Cinzenta, que para a tristeza dos leitores a história saiu incompleta. Somente anos depois Worney Almeida de Souza lançou todos os capítulos em uma edição limitada, que eu vivia namorando nas livrarias.

Agora os fãs saudosistas e a nova geração podem e devem aproveitar o álbum “Garra Cinzenta”, edição de luxo (capa dura e papel especial) publicado pela Conrad editora que traz uma compilação em 128 páginas de todos os capítulos produzidos do personagem.

A edição traz um apanhado histórico desta criação escrito por Worney Almeida de Souza, que conta à história e os mistérios dos autores Francisco Armond e Renato Silva, e foi lendo o prefácio do álbum que eu soube que o Garra Cinzenta inspirou “Killing” ou “Satanik” (1966), o esqueleto das fotonovelas que eu citei no começo do texto, além do quadrinho americano “Blazing Skull”(1941) e o fumetti “Kriminal”(1964).

Considerada a primeira história em quadrinhos de terror nacional, Garra Cinzenta é uma história única dividida em 100 capítulos, lançada em 1937 em três capítulos semanais no “A Gazetinha” – suplemento do jornal A Gazeta –, a saga do misterioso mascarado durou até 1939. A caçada para prender o criminoso e sua quadrilha é liderada pelo inspetor Frederic Higgins e vai de cemitérios, laboratórios secretos até uma casa de ópio.

A aventura lembra muito os seriados de cinema  dos anos 1930, com uma mistura das tramas dos quadrinhos policiais do agente secreto X-9 e as revistas pulps do super criminoso “Fantômas” lançado em 1911 na França e “Fu Manchu” de 1913 na Inglaterra. (pulp: revistas de aventura e ficção, produzidos com papel de baixa qualidade, desde o  início do século 20).

Depois de tudo isso o álbum ainda tem mais alguns destaques como a fala do Garra Cinzenta sobre  a vida e a morte que lembra o discurso do Zé do Caixão em “À meia noite levarei a sua alma”(1964), sem contar que a HQ de Renato Silva e Francisco Armond foi à primeira história brasileira a ser publicada no exterior.

Por essas e outras qualidades vale a pena ter o belo álbum da editora Conrad na sua estante de quadrinhos.

Garra Cinzenta
Francisco Armond e Renato Silva
Editora Conrad
Capa dura
Formato magazine (21 x 27,5 cm)
Preto e branco
128 páginas
R$ 39,90

Floreal Andradehq que acontececonrad,Francisco Armond,Garra Cinzenta,Renato Silva,Worney de AlmeidaNo início dos anos setenta, quando eu passava pelas bancas de jornal sempre dava uma espiada  em uma revista de fotonovelas com um personagem vestindo uma roupa de esqueleto, mas é claro que, naquela época o que mais me chamava à atenção eram as mulheres de calcinha nas capas....O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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