Em campo, argentinos e brasileiros. Um jogo limpo, sem carrinhos e sem cotoveladas, mas todos eles são grandes artistas, não da bola e sim dos quadrinhos. Claro que quem ganha nesse jogo é o torcedor, digo, o leitor que vai conhecer novos craques e alguns veteranos.

A revista “Fierro Brasil nº1” dá a chance aos  leitores brasileiros de conhecer uma das melhores escolas de quadrinhos do mundo, a Argentina, e coloca em campo os novos valores do quadrinho brasileiro. Nas 160 páginas do álbum publicado pela editora Zarabatana Books você vai encontrar sereias, bonecos falantes, Deus e o Diabo, drogas, sexo e nenhum rock and roll. Tem de tudo na Fierro Brasil. No total da coletânea são 36 histórias sabiamente escolhidas.

Algumas HQs que merecem destaque:

“Aula de Mestre”, do Crist, onde ele fala dos mestres do claro-escuro nos quadrinhos, o personagem principal é uma figura que lembra Hugo Pratt (que morou e trabalhou na Argentina de 1949 a 1962) com seu impermeável a La Humphrey Bogart.

“A Elofoto”, uma HQ de Ernie Pike, personagem criado por H.G.Oesterheld e desenhado por Hugo Pratt, aqui no belo traço de Juan Giménez e deslocado da Segunda Guerra Mundial para o futuro. Belo roteiro e arte sobre homens em guerra.

“Hot La”, uma das várias HQs de Horácio Altuna produzidas em 1992, que falam dos distúrbios raciais em Los Angeles. Alguém escreveu: “aqui Altuna retrata uma sociedade muito distante do sonho americano, uma ficção que é em realidade, uma parábola amarga do presente”.

Da poética “A Noiva de Ulisses” ao humor cativante e surreal de “Keko, o mágico” de Carlos Nine, a muito que descobrir nessas páginas. Não conhecia e gostei imensamente das HQs de “Paolo Pinocchio” de Lucas Varela.

Do lado brasileiro “Sem Sal” de Gustavo Duarte, sempre extraordinário com suas narrativas mudas, Guazelli dizendo  coisas que pensamos, mas nunca falamos  em “E Deus me faltou”, Danilo Beyruth mostrando o que um garoto leva na sua lancheira, e não é leite com groselha e bolo pullman como no meu tempo, mostram como o nosso time também tem craques de respeito.

O que mais impressiona é como essa seleção é composta por vários camisas 10 dos quadrinhos de ambos os lados como Fabio Zimbres, Adão Iturrusgarai, Santiago, Liniers, Carlos Trillo, Salvador Sanz (que teve seu belo álbum “Noturno” lançado também pela Zarabatana).

Tradicional publicação argentina, a Fierro original foi lançada em setembro de 1984 e o seu nome faz uma alusão às revistas Metal Hurlant e Heavy Metal, e é uma referência ao poema de Jose Hernandez “Martin Fierro”. Como as outras era uma revista de quadrinhos com aventuras, ficção cientifica e erotismo.

Com o fim da ditadura argentina, a “Fierro” tinha como objetivo, mostrar o melhor da produção nacional e internacional, dando oportunidade aos novos autores da HQ argentina. A revista chegou a ser vendida em algumas bancas do centro de São Paulo, e até hoje é
lembrada pela sua alta qualidade, tanto nos desenhos como nos roteiros.

Para conhecer melhor a história da revista Fierro que circulou de 1984 a 1992 e voltou às bancas argentinas em 2006, leia o livro “Bienvenido” de Paulo Ramos, um retrato da indústria de quadrinhos na Argentina. Adivinhem? Mesma editora, Zarabatana.

Fierro Brasil 1
Zarabatana Books
Antologia de Historietas Argentinas da Revista Fierro e de Quadrinhos Brasileiros
21 x 28 cm
160 páginas
Colorido e P&B
R$ 59,00

Floreal Andradehq que aconteceFierro Brasil,Zarabatana BooksEm campo, argentinos e brasileiros. Um jogo limpo, sem carrinhos e sem cotoveladas, mas todos eles são grandes artistas, não da bola e sim dos quadrinhos. Claro que quem ganha nesse jogo é o torcedor, digo, o leitor que vai conhecer novos craques e alguns veteranos. A revista 'Fierro Brasil...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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