Adoro os quadrinhos argentinos. Já disse isso aqui várias vezes. E tenho certeza que a iniciativa da editora Zarabata em trazer as grandes obras dos hermanos agradou não só a mim, como uma grande parte dos leitores em quadrinhos em geral. A editora trabalha os quadrinhos argentinos em duas frentes: a revista Fierro e a Coleção Fierro, que traz as melhores HQs publicadas em capítulos na famosa revista argentina de histórias em quadrinhos.

Em maio de 2012 a Zarabatana publicou a segunda edição da revista Fierro ao mesmo tempo em que publicou a segunda publicação da Coleção Fierro, o que ofuscou e deixou quase no esquecimento e sem divulgação na grande mídia uma maravilhosa história, estou falando de “Dora”, de Ignacio Minaverry.Felizmente para mim, os nossos amigos da Comix Book Shop enviaram um exemplar para o Impulso HQ.

A publicação segue em um ritmo que mistura ficção com a realidade. Usando cartazes de filmes, embalagens, mapas, propagandas, revistas, documentos de campos de concentração e o visual da atriz Jean Seberg (na última parte), Ignacio Minaverry conta a história de Dora Bardavid, uma garota judia de ascendência sefaradi, que são os judeus que saíram da Península Ibérica e se radicaram na Turquia, Grécia, Balcãs e norte da África.

De pano de fundo, temos os conturbados anos 1960 e a nossa querida protagonista (você a chamará assim também quando começar a ler o álbum) trabalha no Berlim Document Center, local que os arquivos nazistas capturados pelos americanos foram guardados.

Quem pensa que será mais uma história sobre política se engana, porque se o pano de fundo tem todo o clima pesado do pós-guerra, a personagem principal é muito bem construída, e no fim, acompanhamos também o seu desenvolvimento emocional e afetivo. É uma história que trata também sobre o despertar de sentimentos e como nos descobrimos como pessoas.

Nessa graphiq novel iremos acompanhar não o desenrolar político da época e sim o dia a dia de Dora que mora com uma amiga, Lotte. Com o trabalho, nossa heroína descobre como funcionava toda a máquina burocrática alemã que estava por trás do extermínio de judeus nos campos de concentração, com Lotte ela descobre que espionagem e amor podem andar lado a lado.

Nessa primeira fase da HQ, Dora aos poucos faz um arquivo particular, fotografando os documentos e enviando copias para sua mãe em Paris. Há uma boa razão especial para isso, mas não vou entregar a surpresa assim de bandeja.

Na segunda parte da narrativa, Dora vai morar no subúrbio de Paris com a mãe e vai se envolver com grupos que lutam pela independência das colônias francesas. Aqui já descobrimos um novo lado da personagem, mais ativo e engajado, ao mesmo tempo que ela percebe que fazer parte da contracultura e dos movimentos comunistas também exige burocracia e é claro, muito, mas muito cuidado.

Se de Berlim fomos a Paris, de Paris viajaremos para a Argentina pós-Péron, com uma caça a criminosos de guerra. Com o pretexto de visitar uma amiga, Dora agora é oficialmente uma espiã a captura de criminosos nazistas que encontraram abrigo na América do Sul (com a ajuda do Vaticano!). O interessante aqui é como o autor costura de maneira séria e super competente os momentos e períodos históricos.

Com um traço muito elegante e um roteiro preciso, Dora é a melhor HQ que li nesse começo de ano. Trabalho de pesquisa brilhante.

Dora
Zarabatana Books
Texto e arte: Ignacio Minaverry
Tradução: Claudio Martini
Colorido e P&B
21 x 28 cm
172 páginas
R$ 55,00

Floreal Andradehq que aconteceClaudio Martini,Dora,Fierro,Ignacio Minaverry,ZarabatanaAdoro os quadrinhos argentinos. Já disse isso aqui várias vezes. E tenho certeza que a iniciativa da editora Zarabata em trazer as grandes obras dos hermanos agradou não só a mim, como uma grande parte dos leitores em quadrinhos em geral. A editora trabalha os quadrinhos argentinos em duas...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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