“A morte, surda, caminha ao meu lado. E eu não sei em que esquina ela vai me beijar. Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque? Na música que eu deixei para compor amanhã…”

O texto acima é um excerto da música “Canto para minha morte”, imortalizada na voz de Raul Seixas, mas poderia muito bem ser uma chamada para Daytripper, HQ escrita e desenhada pelos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá que obteve grande repercussão quando de seu lançamento nos EUA, e por vencer o prêmio Eisner Awards na categoria Melhor Minissérie.

Publicada no Brasil em um encadernado pela Editora Panini, a história trata das incertezas da vida e dos momentos que antecedem a morte. Brás de Oliva Domingos é um escritor de obituários que sonha em ser romancista. Ao longo dos dez capítulos da obra (publicada originalmente em dez edições) acompanhamos, mas não de forma cronológica, algumas fases de sua vida, desde pequeno, brincando no sitio de seus avôs, até a terceira idade.

Como todas as outras obras da dupla, esta não segue o padrão do roteiro clássico, com o mocinho superando as dificuldades e derrotando o vilão,  mas sim, o personagem tem um objetivo, que, no fundo é o objetivo que todo mundo tem: ser feliz. Então, o que resta ao final de cada capítulo é saber se o Brás alcançou esse sonho, se ele fez sua vida valer a pena.

Os irmãos nos contam essa história enfocando diversos temas: a infância, a amizade, o amor, a violência, a paternidade etc. Todos eles muito próximos de nós leitores – quer sejamos brasileiros, estadunidenses, japoneses ou sul-africanos, e é aí que reside a grande força da obra e o motivo de sua repercussão: ela aborda questões humanas e, por isso, universais.

Apresentar a morte nos faz valorizar e apreciar em nós mesmos atos como: o primeiro beijo, o último gole de cerveja, o reencontro após muito tempo com um grande amigo, o nascimento do filho, a morte do pai etc.

Bá e Moon bordam de maneira sensível a vida e morte, e não têm a pretensão de dar respostas ou ensinar algo sobre como cada um deve viver. Ao contrário, levanta diversas questões, que ficam martelando em nossas mentes muito depois de ter terminada a leitura da obra.

Tudo isso embalado com os ótimos traços da dupla e as exuberantes cores de Dave Stewart, que consegue captar com sua paleta os exatos tons da vida em seus mais diversos momentos.

Um trabalho que merece ser lido.

Confira a nossa entrevista com Gabriel Bá e Fábio Moon falando sobre Daytripper, clicando aqui.

Daytripper
Autores: Fabio Moon & Gabriel Bá
Editora Panini
256 páginas
Data: Setembro de 2011
R$ 62,00 (capa dura), R$ 24,90 (capa cartonada)

Alexandre Manoelhq que aconteceDaytripper,Fábio Moon,Gabriel Bá,Panini“A morte, surda, caminha ao meu lado. E eu não sei em que esquina ela vai me beijar. Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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