A primeira lembrança que tenho do Astronauta, personagem criado por Maurício de Sousa, é a história “O Astronauta e o Mundo do Sonho” publicada em 1970 na revista Mônica número 5 da editora abril. Na época, o que chamou bastante a minha atenção foi o clima que lembrava as histórias do seriado “Além da Imaginação” com uma mistura de horror, ficção cientifica e humor.

Com o projeto MSP 50, realizado 2009 em comemoração aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, um comentário que se ouviu bastante foi como o personagem Astronauta foi um dos mais escolhidos pelos quadrinhistas para a produção de uma história curta. Não sei saber ao certo, mas talvez seja pela a sua abordagem filosófica ou a possibilidade de se construir uma história cheia de ação ou um enredo sci-fi. O certo é que há inúmeras possibilidades de se trabalhar uma história com o personagem.

Portanto, quando o projeto abriu portas para algo ainda maior, a criação do selo Graphic MSP, até que não foi uma surpresa o Astronauta ser um dos personagens escolhidos para a empreitada, acredito que surpresa maior foi ele ser o personagem que estreou a coleção. Mas é claro que, se pensarmos pelo ponto de vista que esse novo projeto da Maurício de Sousa Produções é direcionado para um público adulto, e como eles não esconderam de ninguém, com o intuito de exportar as histórias para o mercado europeu, o Astronauta foi à escolha perfeita. Mérito de Sidney Gusman, editor do projeto Graphic MSP.

Perfeita também foi a escolha do quadrinhista e roteirista Danilo Beyruth. O quadrinhista vem despontando no mercado de quadrinhos nacional e estrangeiro, não só pela sua qualidade do traço como a sua habilidade de construir histórias bem amarradas, empolgantes e finais arrebatadores. Danilo com certeza deve ter se divertido e muito em poder usar um personagem onde ele pode usar elementos de suspense, ação, fantasia e questionamentos filosóficos e uma história direcionada para um público adulto.

E é exatamente isso que Danilo faz em “Astronauta – Magnetar” que foi lançado no final do mês de outubro pela editora Panini em duas versões: capa cartonada e capa dura. O que vemos é uma história do Astronauta sem nenhum traço de infantilidade ou tentativa de amenizar para deixar alguma situação mais leve. Vemos até um “maldito” vindo do personagem. Quando alguém imaginou isso em alguma história com as criações de Maurício de Sousa?

Algo que Danilo explorou muito bem foi a mitologia do Astronauta inclusive soube ampliar alguns conceitos do personagem como a variedade dos uniformes. “Isso era algo que pedia para ser feito”, disse o quadrinhista na sessão de autógrafos em um evento, e de certo, essa solução foi muito criativa para a história que usa a metáfora de como o Astronauta é um “navegante” do espaço.

E com a imensidão do espaço vem as grandes aventuras que são vividas pelo nosso herói que sempre está sozinho em suas empreitadas, e está aí o grande mote da história e a grande sacada do quadrinhista: Astronauta sempre está sozinho em sua nave. O seu grande inimigo é a solidão.

Confesso que gostei dos desenhos de “Astronauta – Magnetar”, mas não da história. Gosto muito de “Home to stay” de Wallace Wood, história baseada em dois contos de Ray Bradbury e publicada nos anos 1950 em uma revista da E.C. Comics, que conta os últimos momentos de um viajante espacial e sua angústia pouco antes de ser desintegrado na atmosfera da Terra e virar uma estrela cadente (sua nave explodiu e ele se salvou num traje espacial salva vidas).

Entendam que essa é a minha opinião e que difere de muitos profissionais que eu conheço. Conversei com vários amigos que me falaram das qualidades dessa HQ: Laudo Ferreira me questionou como eu não fui cativado pelo roteiro que fala de problemas comuns a todos os seres humanos (a solidão e a ruptura de laços familiares e de amizades).

Outro grande amigo quadrinhista, Mário Latino, disse que quando soube do lançamento correu para adquirir um exemplar, pois além de admirar a arte de Danilo Beyruth, aqui e em suas outras HQs, ele tem uma preocupação como destino do homem, e ao falar dos desenhos o Mário me disse que as duas páginas que mostram a passagem rotineira do tempo é uma das soluções mais criativas dos quadrinhos que viu ultimamente.

Recentemente foi anunciado que a “Astronauta – Magnetar” em menos de um mês já vai ganhar uma reimpressão da edição de capa, tamanho o sucesso da publicação, que realmente está dando o que falar. O álbum já ganhou destaque em todas as mídias especializadas em HQs e nas mídias de massa como televisão e jornais. Aliás, outro grande mérito do álbum é conseguir ir a espaços e ser divulgado em lugares onde geralmente nem se comentam de quadrinhos.

Por isso e outras várias qualidades, a história do Astronauta, personagem criado em 1963 pelo Maurício de Sousa e agora recontada por Danilo Beyruth merece uma leitura atenta.

A propósito, falando em ficar atento, Sidney Gusman também já revelou que na história tem dois “easter eggs” (espécie de brincadeira que faz referência a outra obra), no caso em “Astronauta – Magnetar” um é o meme forever alone e o outro é um personagem da Turma da Mônica. Eu não achei. E você? Será que consegue navegar nas páginas desse álbum que está dando o que falar, e já foi apontado até como o lançamento do ano, e encontrar os dois easter eggs?

Boa sorte, boa viagem e boa leitura.

Astronauta – Magnetar
Editora Panini
Roteiro e Arte: Danilo Beyruth
Lombada quadrada
19 x 27,5 cm
80 páginas
Preço Capa Dura: R$ 29,90 (preço promocional de lançamento)
Preço Capa Brochura: R$ 19,90

Floreal Andradehq que aconteceAstronauta,Danilo Beyruth,Magnetar,Mauricio de Sousa,Panini,Sidney GusmanA primeira lembrança que tenho do Astronauta, personagem criado por Maurício de Sousa, é a história “O Astronauta e o Mundo do Sonho” publicada em 1970 na revista Mônica número 5 da editora abril. Na época, o que chamou bastante a minha atenção foi o clima que...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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