Um dia qualquer do ano da graça de 1983 passando pela rua Barão de Itapetininga me deparei com o álbum “A Balada do Mar Salgado”, que tinha acabado de ser lançado, desde a leitura desta maravilhosa aventura, nunca mais parei de ler as aventuras do marinheiro Corto Maltese.

Para quem não sabe, o personagem é criação de Hugo Pratt feita por encomenda para o jornal francês Le Matin, em 1981, como uma série em quadrinhos para ser publicada no decorrer do ano em tiras diárias em preto e branco e uma prancha colorida semanal.

Se você nunca ouviu falar do personagem pode aproveitar o álbum “Corto Maltese – a juventude”, lançado recentemente pela editora NEMO, e descobrir como Pratt encantou um público com figuras fictícias que se embasavam na história. Falando das figuras do álbum, algumas parecem ter saído de uma HQ de “Terry e os Piratas”, de Milton Caniff, a grande influência de traço de Hugo Pratt.

Antes de conhecer Corto Maltese e suas aventuras, eu tinha assistido um filme e lido o livro em que foi baseado “Lorde Jim” de Joseph Conrad. O personagem de Pratt tem muito deste marinheiro e de outro também chamado Jim, o Capitão Jim Mccay, personagem do filme “Big Country”, no Brasil intitulado “Da Terra Nascem os Homens”.

Por algum tempo achei que era só uma impressão minha, mas ao lendo uma entrevista de Hugo Pratt a Joan Benavent feita em 1979, dizendo que seus personagens são uma mescla de quadrinhos (Milton Caniff) com o cinema americano de John Ford, John Huston, Howard Hawks mais a união da literatura de Conrad Salgari e Kipling, eu não tive mais dúvida.

Editado pela primeira vez no Brasil, a história não é bem um começo sobre a vida de Corto, que surge somente no final da trama, e funciona mais para apresentar o primeiro encontro do marinheiro, com então 17 anos, com Rasputin, personagem que estará presente em algumas das suas futuras aventuras.

É uma aventura que se passa no período da guerra entre Japão e Rússia (1904-1905) na Manchúria, e tudo gira em torno dos bastidores desse conflito, e além de narrar esse primeiro encontro também discute sobre códigos de honra e amizade.

O álbum da NEMO além da capa dura tem uma excelente introdução com fotos e textos exclusivos, falando sobre as origens da guerra russo-japonesa, e nos apresentam os ambientes e contexto em que se passa a história, assinada por Marcos Steiner.

Para finalizar, em 1982 Juan Antonio de Blas escreveu “Un tal… Corto Maltés”, um compilado de 13 documentos entre cartas e telegramas. A primeira carta do Major Okeda, do serviço secreto japones, fala de dois amigos Jack London (escritor e correspondente de guerra) e um misterioso marinheiro (um agente secreto inglês), um tal… Corto Maltese. O penúltimo documento, uma carta de Lilian Hellman a Dashiell Hammett, conta como ela conheceu Corto, que fazia parte das brigadas internacionais na luta contra Franco na Espanha e como ele desapareceu misteriosamente numa batalha. No final da carta ela diz que vai tomar um trago e como os judeus erguer um brinde: la kati-va (pela esperança).

A mistura de realidade e ficção sempre estiveram presentes nas histórias desse marinheiro que já cruzou os sete mares em busca de aventura. Ler Hugo Pratt sempre é sinal de uma boa história. Fica aqui então o meu brinde a esperança que a editora NEMO publique todos os álbuns de “Corto Maltese”.

“La kati-va!”

Corto Maltese – A Juventude
Editora NEMO
Autor: Hugo Pratt
Tradutora: Ana Ban
Capa dura
21,5 x 28,5 cm
96 páginas
R$ 45,00

Floreal Andradehq que aconteceAna Ban,Corto Maltese,Hugo Pratt,NemoUm dia qualquer do ano da graça de 1983 passando pela rua Barão de Itapetininga me deparei com o álbum “A Balada do Mar Salgado', que tinha acabado de ser lançado, desde a leitura desta maravilhosa aventura, nunca mais parei de ler as aventuras do marinheiro Corto Maltese. Para quem...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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