Nas minhas idas semanais ao cinema nos anos 1970 assisti “Lipstick”(A Violentada) e o que chamava a atenção no filme eram as atrizes Mariel e Margoux Hemingway, netas do escritor Ernest Hemingway.

No filme elas fazem o papel de duas irmãs, uma é modelo e a outra estudante. Um dia quando chega do colégio e vê sua irmã nua amarrada a cama. Ela havia sido violentada e o autor do ato foi um conhecido delas. Quando o caso é levado aos tribunais,o advogado de defesa pergunta a garota que tinha visto a cena se ela já havia lido o livro A História de “O”.

Não conhece esse clássico? Talvez porque há muito tempo ele foi publicado aqui no Brasil, e essa edição já pode ser considerada rara, ou cara, dependendo do seu bolso. Se você tiver sorte vai achar em algum bom sebo, mas lembrando, prepare o bolso.

A boa notícia é que a Editora L&PM vem republicando os seus clássicos, e em maio de 2013, saiu uma nova edição de A História de “O” do grande mestre italiano, Guido Crepax.

Em “História da Literatura Erótica”, de Alexandrian, ele nos conta um pouco de como A História de O (em francês Histoire d’O) foi escrito. A ideia foi do escritor Jean Paulhan e teve a colaboração da escritora Anne Desclos sob o pseudônimo Pauline Réage e foi lançado em junho de 1954 na França.

Mas, o livro ganhou fama quando foi publicado nos E.U.A no início dos anos 1970, e em 1975 teve a sua adaptação para o cinema pela direção de Just Jaeckin.

“O” no formato de quadrinhos saiu entre 73 e 74 nas páginas da revista Linus. No prefácio do álbum lançado em Portugal em 1976, Avelãs Coelho escreve “e por isso, pois que “História de O”, em banda desenhada, é como uma ponte entre o livro e o filme. Distorcendo ao mínimo as imagens formadas pela leitura do livro, converte a fantasia individual em formas gráficas, numa espécie de unificadora “escrita visualizada” que acaba por complementar (corporizar) certos hiatos que essa própria fantasia não deixa de ter…evidente que tal meta só é alcançável pela mão dos grandes mestres, mestres como Guido Crepax.”

O enredo não é nada complexo e talvez esteja aí o seu principal trunfo. Podemos definir em “uma mulher é submetida a uma série de práticas de dominação, incluindo as mais criativas e bizarras fantasias de seu “senhor””. Mas está na transformação da percepção da personagem durante as sessões de prazer e tortura a sutileza maior da obra.

A aventura sexual da fotógrafa de moda “O” levada pelas mãos do seu amante René a conhecer o “prazer” da submissão em todas as suas formas é narrada sem nenhuma palavra “chula”. Apesar de nunca ter visto o filme, ao ler o livro e comparar com os quadrinhos de Guido Crepax, esses são de longe superiores, pois a narrativa é muito repetitiva, e o mestre italiano quebra esse enfadonho com sua belas imagens oníricas.

Esse belo álbum com essas belas imagens chegou ao Impulso HQ graças aos nossos parceiros da Comix Book Shop e não poderíamos deixar de apontar o quanto prazerosa está sendo essa parceria.

Lembro que o jornalista Paulo Francis escreveu sobre o livro que alguns viam em “O” uma história religiosa sobre Deus e o homem que deve se submeter para alcançar a libertação plena. Para complementar a leitura recomendo o livro de Alexandrian, já citado e o texto de George Steiner sobre a literatura erótica “Palavras da Noite” (1965).

Mas, o prazer mesmo é ter o belo álbum da Editora L&PM nas mãos e se render e se entregar a grande arte de Guido Crepax. Imperdível e irresistível.

A História de “O”
Editora L&PM
Autor: Guido Crepax
Tradução: Lino Agra
16 x 23 cm
184 páginas
R$ 38,00

Floreal Andradehq que aconteceA História de O,Guido Crepax,L&PM,Lino AgraNas minhas idas semanais ao cinema nos anos 1970 assisti “Lipstick”(A Violentada) e o que chamava a atenção no filme eram as atrizes Mariel e Margoux Hemingway, netas do escritor Ernest Hemingway. No filme elas fazem o papel de duas irmãs, uma é modelo e a outra estudante....O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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