Bjf_DUQCIAEhbFmPrimeiramente as considerações de honra, só para esclarecer alguns fatos importantes: apesar de ter sido publicado pela primeira vez este ano pelo selo da Editora Objetiva, Senhor das Moscas é um clássico inglês publicado originalmente em 1954, por um veterano da Segunda Guerra Mundial muito mais voltado às artes do que à Marinha.

O título ganhou dois prêmios importantes, dentre os quais o Nobel de Literatura, no ano de 1983, junto ao resto de sua obra, e tem sido a referência de histórias de sobrevivência e naufrágio desde então. O que me atraiu a este livro foi Nada, de Jane Teller, que dizem ser o contemporâneo de Senhor das Moscas, e a sinopse também ajudou.

O enredo do livro lembra um pouco uma história de aventura para meninos, mas só no começo, onde ainda havia um pouco de humanidade em cada um deles. Um enredo instigante, sem dúvida, e que se esforça para deixar claro que o assunto é muito mais profundo, e talvez por isso muitas pessoas tenham feito leituras políticas, psicológicas e filosóficas em cima dele.

Tudo começa quando um avião pega fogo com vários meninos pequenos, alguns quase chegando na adolescência, e o piloto. Como o piloto não sobrevive, e de alguma forma a maioria dos meninos chega à uma ilha sãos e salvos, descobrem que estão completamente sozinhos, livres da autoridade e também da proteção e sensatez de um adulto. A narrativa é quase infantil, como que retratando o modo como os meninos pensavam e podiam se expressar.

Lord-of-the-Flies-Pic-1Achando prudente que houvesse um líder, a primeira coisa que é feita, é uma votação. Nela, democraticamente, os meninos escolhem Ralph, um garoto bonito e que parecia muito seguro de si, como seu chefe. A partir daí, os meninos se esforçam por organizar e manter uma mini sociedade, onde podia-se erguer abrigos de madeira, manter acesa uma fogueira que fizesse bastante fumaça para atrair o resgate, e se divertir na ilha paradisíaca.

No entanto, um dos meninos parece mais que satisfeito com a ilha, e o fato de não haver nenhum adulto por perto. Jack começa a investir sobre a chefia de Ralph, tentando tomar seu lugar durante toda a história. Sem se importar se serão salvos ou não, aprende técnicas de caça e começa a viver como um selvagem. Ralph, e um menino que eles chamam de Porquinho, embora ele não goste nada disso, empreende uma luta intelectual e física contra Jack e sua selvageria. É aí que as coisas começam a sair do controle. A sentença mais cheia de significado do livro é feita por um oficial da marinha, que diz:

“eu diria que um bando de meninos ingleses – vocês são todos ingleses, não são? – saberia se comportar melhor do que isso”

senhor-das-moscasAlgumas pessoas compararam o livro com uma parábola, uma espécie de alegoria da estupidez da natureza humana. Lendo Nada, senti essa característica mais fortemente pronunciada. Em Senhor das moscas, há um trabalho mais minucioso, um cuidado literário mais evidente que em Nada.

Percebe-se claramente que não se trata apenas de uma história de aventura, mas porque Golding se esforçou para deixar aquilo evidente, embora também tenha se empenhado em escrever uma boa história de aventura.

Desde os primeiros parágrafos, Golding vai te oferecendo alguns sinais de que há alguma coisa errada ali, e o ponto de vista das crianças deleta a lógica necessária. Ninguém se pergunta porque os pertences deles não chegaram boiando com eles à ilha, e o medo irracional do sobrenatural impede que eles consigam dormir, instaurando o terror, que não é justificado.

Dois meninos, Simon e Porquinho, são os únicos sensatos além de Ralph, mais perto da racionalidade do que da selvageria, mas são repelidos pelos demais. Para dizer o mínimo.

senhor-das-moscas3Leitura gostosa, fácil e rápida. Recomendo fortemente.

Assim como Nada, nos faz pensar sobre os extremos a que podemos chegar. E se levarmos às últimas consequências, a única coisa que Golding fez, foi transferir os absurdos da sociedade à sua história, e a maior ironia, é que na sua história nós não passamos de “um bando de crianças”. Uma ideia simples, mas genial.

Como ele mesmo diz, as ideias mais simples também são às vezes, as mais geniais. Essa é a minha interpretação, como tinha dito, as pessoas interpretam de muitas maneiras diferentes. Podemos dizer que o livro é único aos olhos de cada pessoa. Vale muito a pena.

Senhor das Moscas
Título Original: Lord of The Flies
Autor: William Golding
Gênero: Romance, Aventura
Editora Alfaguara
Tradutor : Sérgio Flaksman
Ano 2014 – número (edição): 1
223 páginas
R$ 34,90

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/08/senhor-das-moscas3.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/08/senhor-das-moscas3-300x300.jpgSue Lobofora das HQsAlfaguara,Lord of The Flies,Sérgio Flaksman,Senhor das Moscas,William GoldingPrimeiramente as considerações de honra, só para esclarecer alguns fatos importantes: apesar de ter sido publicado pela primeira vez este ano pelo selo da Editora Objetiva, Senhor das Moscas é um clássico inglês publicado originalmente em 1954, por um veterano da Segunda Guerra Mundial muito mais voltado às artes...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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