13301_ggEste e um encontro de Kay Scarpetta com os horrores de seu passado no exército, de suas escolhas profissionais como chefe e como subordinada e como tudo isso afetou pessoas inocentes.

Ao que tudo indica, dois jovens e uma criança foram assassinados de forma sádica por seu subordinado imediato no Centro Forense de Cambridge, onde atua como médica legista-chefe, durante o período em que esteve afastada e reclusa numa base militar para um treinamento.

Jack Fielding aparentemente não fez um bom trabalho ao encobrir os rastros de seus crimes hediondos, sobretudo pelo fato de o último assassinado, de quem ninguém sabe nem o nome, ter começado a sangrar dentro da geladeira do necrotério quando este estava sob seus cuidados. O que pode significar que o tal homem pode ter morrido na geladeira. A partir disso Jack Fielding simplesmente desaparece, deixando um rastro imenso de sujeira atrás de si. Sujeira essa que é a obrigação de Scarpetta limpar.

Mark Bishop, um garotinho aparentemente aleatório, é morto no quintal de casa, em um momento de distração da família, enquanto brincava. A mídia e aparentemente Jack Fielding, parecem estar se esforçando para incriminar Johnny Donahue, um gênio diagnosticado com Asperger, que aparentemente decidiu confessar que matara o menino na Cidade das Bruxas, Salem, atirando na cabeça do pequeno com uma pistola de pregos.

Não bastasse, um jovem chamado Wally Jamison é encontrado boiando num cais, com o corpo completamente dilacerado.

Tudo muito desconexo e confuso, e Scarpetta é sempre a última a saber dos fatos. Até que todas as evidências começam a colocá-la contra a parede, forçando-a a admitir ou não que o homem que trabalhara a seu lado durante anos pode ser um assassino dos mais frios e cruéis.

Se você é chegado em filmes ou livros de ação e suspense americanos, esse livro é para você.

Apesar de ser o último livro publicado no Brasil de uma série que nasceu em 1990, série esta que angariou inúmeros prêmios e tornou Patrícia Cornwell uma mulher famosa, você pode ler qualquer um deles, na ordem que preferir, pois cada um tem um início um meio e um fim de uma investigação, que compreende um período de vida da legista, cujo ponto de vista acompanhamos sem problemas, uma vez que ela esclarece a relação que tem com cada personagem em todos os livros.

A vida dela, obviamente, sofre mudanças significativas ao longo da série, e talvez por isso seja interessante ler na ordem, mas eu li a maioria na ordem que bem entendi e sinceramente, eu adorei.

Olhando panoramicamente para a história dos livros, que estão sendo reeditados pela Paralela, e ganhando capas sensacionais, percebemos nitidamente a evolução da autora, o aperfeiçoamento da técnica, a evolução da personagem e de seus familiares e amigos.

urlKay vai se tornando cada vez mais poderosa, se reafirmando no meio burocrático em que vive, se desenvolvendo enquanto pessoa. Sofre alguns altos e baixos, mas é bem persistente. Ela é uma personagem feminista, que sabe se defender, usar uma arma quando necessário, e principalmente, decidiu enfrentar a morte todos os dias, como lembrete de que nada nesse mundo é para sempre.

Ao contrário da autora, Kay Scarpetta teve um pai amoroso, e o viu definhando em seus braços, até a morte por câncer. Desde então, ela decidira provar ser capaz de ocupar um cargo até então protagonizado apenas por homens, e lidar com pacientes mortos para enfrentar suas piores lembranças da infância todos os dias, frente a frente.

Apesar de seguirem um modelo de romances policiais americanos, cada livro da série é de um jeito, a autora alterna a narrativa de primeira a terceira pessoa, a questão do tempo é tratada de formas diferentes em cada livro, e cada um tem uma história, as vezes várias delas, intercaladas. Apesar de a maioria dos casos acontecerem na Virgínia, cada livro sucede em um local diferente. No caso de Necrotério, o livro todo se passa em dois dias, nos quais Scarpetta fica um bom tempo sem dormir. Quase todos os casos de assassinato deram-se tão perto de sua casa que ela se sente assustadoramente vigiada. Um ritmo frenético, que faz com que não nos desprendamos da leitura.

Aviso: este é um livro para diversão. Não vá querer se intelectualizar com uma série de livros policiais americanos, pelo amor de Deus. No entanto, Patrícia é acima de tudo uma estudiosa, e ao longo da leitura você corre o risco de ficar sabendo demais sobre medicina forense, balística, informática, tecnologia e culinária. Sim, Kay adora cozinhar e talvez você comece a gostar depois que a vir na cozinha.

Inclusive, Cornwell lançou um livro de culinária com as receitas da personagem, que infelizmente não tem tradução para o português. Mas não se preocupe: a narrativa é bem construída, nenhum detalhe é colocado nela se não for importante para o enredo como um todo.

Necrotério
Título original: Port Mortuary
Editora Paralela
Autora: Patrícia Cornwell
Tradutora: Angela Pessoa
Gênero: Policial
Ano 2014 – número (edição): 1
381 páginas
R$ 36,50

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/12/13301_gg1.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/12/13301_gg1-300x241.jpgSue Lobofora das HQsAngela Pessoa,Editora Paralela,Necrotério,Patrícia CornwellEste e um encontro de Kay Scarpetta com os horrores de seu passado no exército, de suas escolhas profissionais como chefe e como subordinada e como tudo isso afetou pessoas inocentes. Ao que tudo indica, dois jovens e uma criança foram assassinados de forma sádica por seu subordinado imediato no...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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