a-felicidade-e-facilSabe quando você lê uma história toda de uma vez, e assim que termina fica tão feliz com o final que sente vontade de beijar o livro? Então, eu não fico só na vontade. Acabo de beijar A felicidade é fácil, do Edney Silvestre.

É o segundo livro dele que leio, mas queria ter lido primeiro, apenas porque é a ordem cronológica correta para conhecer os personagens, que aparecem em ambos os livros dele: também aparecem em Vidas Provisórias. Mas se você preferir ler fora da ordem, não terá nenhum problema, já que são histórias independentes.

Silvestre tem essa mania de finais perfeitos, que te dão a sensação de que, apesar de tanta dor no mundo, o bem pode vencer o mal. Clichê, mas é exatamente esse sentimento. É um sentimento de alívio, mesmo.

A Felicidade é fácil conta muitas histórias que se entrelaçam em alguns momentos, então temos vários pontos de vista, geralmente não do mesmo acontecimento, mas que dão um bom panorama da situação que prossegue. Silvestre gosta de localizar, no início dos capítulos, as horas e locais onde os fatos narrados estão acontecendo, o que facilita o entendimento da lógica narrativa dele. Gosto muito quando ele transcreve o que seriam as falas dos personagens, na íntegra. Tem sotaque, intenção, erros, acertos etc., é muito bom, te faz sentir como se fosse muito íntimo daqueles personagens.

São muitas histórias paralelas, mas a principal é sobre um sequestro de um filho de um publicitário envolvido com a corrupção, logo após a ditadura. Silvestre é jornalista, e tem predileção por assuntos polêmicos…

É muito gostoso ler romances jornalísticos, principalmente quando o escritor é perito no período histórico em que sua história acontece. Afortunadamente, é o caso de Silvestre. Só que o publicitário dá muita sorte, e no lugar de seu filho, os sequestradores levam o filho surdo-mudo dos caseiros, empregados seus.

A frieza do publicitário, a simplicidade da caseira, Irene, a fragilidade e superficialidade de Mara, a esposa do publicitário, entre muitos outros personagens que tem seus sentimentos e intenções detalhados, te fazem não querer desgrudar os olhos do livro.

Trata-se do segundo livro de Silvestre, logo após sua grandiosa estreia com Se eu fechar os olhos agora, que recebeu vários prêmios, que os editores gostam de lembrar para corroborar a propaganda dos livros que surgirão depois. Nesse caso, nem precisava. Silvestre produziu algo tão digno de honra quanto seu romance de estreia.

edney-4Sinceridade, crueza e profundidade. Tudo isso. Só alguém como Silvestre produziria uma narrativa minuciosa e profunda apesar de jornalística. Silvestre sabe exatamente como tornar homogênea a mistura de literatura com jornalismo, em romances para lá de espetaculares, como João Antonio fez nos contos de Malagueta, Perus e Bacanaço. Mas, já percebi, o forte dele é nos surpreender. É incrível como ele te dá todos os detalhes, mas ainda consegue te surpreender. Como se ainda houvesse muito mais a ser contado.

Trata-se então de uma narrativa muito mais próxima dos romances policiais, e toda a bagagem da profissão é utilizada para tornar os eventos muito verossímeis. Você lê e pensa: não duvido nada. Se alguém me dissesse que essas coisas aconteceram de verdade, eu acreditaria. Livro bem brasileiro, bem maravilhoso.

“O menino sorriu porque assim sempre fazia, quando se dirigiam a ele docemente, como o homem ao volante fazia agora. Sorriu porque não conseguia falar, nunca falara palavra nenhuma, nem jamais ouvira nenhuma, não sabia o que eram palavras, embora entendesse que elas existiam, que era com elas que os adultos e os outros do seu tamanho exprimiam o que queriam e esperavam dele, desde que lhe apontassem, indicassem, ou mostrassem”.

A seguir, um pensamento de Bárbara, que virá a ser uma personagem principal de Vidas Provisórias, no que seria o momento em que decidira ir para os EUA:

“Sobrevivera.

E decidira: não queria mais viver neste país onde não tinha direito algum. Emigraria para os Estados Unidos. Como Luís Claudio planejava fazer, como o irmão de Luís Claudio fizera, como tantos outros brasileiros estavam fazendo. Emigraria. Sim, emigraria. Adeus, Brasil. Adeus, safadeza. Adeus, corrupção. Adeus, pobreza, adeus preços que sobem todo dia, adeus medo da polícia, adeus Barra Funda, adeus São Paulo, adeus mãe, adeus tudo, adeus todos, adeus para sempre, adeus adeus adeus. Faxineira aqui, faxineira lá, que diferença fazia?”

Dessa forma, pude entender melhor a Bárbara de Vidas provisórias, que apresentarei melhor para vocês na próxima resenha.

RECOMENDADÍSSIMO!

A felicidade é fácil
EDITORA: Record
AUTOR: Edney Silvestre
GÊNERO: Romance, policial
Ano 2011 – número (edição): 1
219 páginas
R$ 32,00

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