Como eu já disse, trabalhei na HQMix Livraria um tempo atrás. Naquela época, entre madrugadas e telefonemas. Tentando juntar uma galera para fazer uma HQ, nos últimos dias de trampo que conheci o Renato, que acabou me chamando para escrever aqui.

Um tempo depois, mesmo já tendo acabado o trampo eu voltei lá. Meio que para fechar, meio que para conversar com o Gual e Dani. Fiquei por lá um tempão. A noite toda eu acho.

Sempre que estou por lá, passo os olhos pelas prateleiras, saboreando o que tem ali.

Muita coisa muito boa e que eu nunca li, nunca vou poder ler. Algumas que eu nem quero ler, outras eu nunca quis. Nem nunca vou querer.

Fã de comics que sou, sempre acabo nessa seção da livraria, sempre olhando mais uma lombada, procurando alguma coisa que eu goste, que me faça querer sentar e ler. Nessas encontrei Maus. E também crise de identidade.

A princípio nada ali parecia ser nada demais. Mais uma historinha da liga. Não gosto da liga. Nunca achei as histórias boas, dignas de nota.

Aí o autor foi lá e tirou a maior chatice de toda história da LJA: Os superpoderes monstruosos que a equipe reúne em seu elenco. Tirou e deixando pouca coisa. No fim a gente tem só a dúvida.

Começa com o Dibny, o homem elástico, um herói de segunda ou quinta categoria (depende da fase) perdendo a esposa. Pronto. Já não era mais a liga que eu conhecia, não era mais os Super Amigos. Trágico, meio preocupante, mas instigante.

Daí só piora: Pouco a pouco visualizamos um cenário mais cinza, apesar das cores maravilhosas do desenho. A área cinza vai tomando conta de tudo. O primeiro a sentir o baque é o Flash, mas ninguém escapa.

Outro lance muito bom, muito bom mesmo: O centro da história é o segundo escalão. Em todos os aspectos. O azulão, a amazona e o morcego são coadjuvantes. Detalhes, símbolos potentes, mas de fora do eixo principal.

Então a gente começou com Sue Dibny, né? Um puta baque. Seco e aparentemente desnecessário, No entanto ela nos faz entender uma coisa: A morte existe e vai estar ali, à espreita, toda a história. Nunca esqueçam isso.

Lá pelas tantas, já fazendo um tempo e tanto de leitura, você tá envolvido, várias plots indo e vindo. Batman tá pirando nos assassinatos, você nem pensa nisso, tá tão chocado quanto o Flash com tudo que o Arqueiro Verde falou, com tudo o que tá rolando.

E aí, vem do nada, o maior baque de todos: Jack Drake morre. Simples assim? Não, nunca é simples assim.

Pra quem não sabe Jack Drake é o pai biológico de Tim Drake, o Robin III (o melhor de todos!). E quando ele percebe que tem alguém na casa ele faz o que todo mundo faz numa situação dessas: Liga pro filho, ele é um super-herói, diabos.

No entanto, no meio do caminho, ele percebe que as coisas não são tão simples assim. O cara tá lá dentro e o Robin longe. Não vai dar tempo.  Ele faz então o que todo bom pai faz nessas horas: Se despede, diz que ama o Tim, que a culpa não é dele e que o ama e sempre amou muito. Foda né? Foda. E onde o Tim tá?


No Batmóvel, do lado do Morcegão, ouvindo tudo e implorando, berrando com o Batman (Você entendeu certo: Robin dá uma ordem, aos berros e Batman obedece) para voltarem, para ele dar meia volta, para ele ajudar o pai, para Bruce não deixar o pai dele morrer também.

Não dá. Eles não conseguem. Chegam lá, apenas para ver Jack jogado no chão, caído, morto. Ali a gente entende a grandeza daqueles parceiros (O babaca que acabou com os dois naquele “A sedução do inocente” não entende NADA de amizade de verdade).

Nenhum deles se importa com identidades, com pose ou com nada: Robin, agora também órfão, chora copiosamente nos ombros de Batman, que mais do que ninguém entende o que ele está passando. A dor de ambos é tangível. Forte e sincera.

Dois orfãos

Toda essa sequência, todos esses eventos nos são mostrados em poucas páginas, mas o texto e a arte são tão fantásticos que isso grudou na minha mente. É com certeza a melhor e mais forte passagem do gibi, de longe! É o que me lembro quando penso nesse gibi. Aquilo doeu em mim. De verdade.

Parei cinco minutos para respirar, não dava para continuar de cara.

Respiramos? Estamos todos melhor agora? Podemos nos encaminhar para o final?

Ok, vamos lá então.

Dali pro fim a gente segue meio anestesiado. Meio que “tudo bem, qualquer coisa agora, tudo bem”. Mas não: Meltzer deixa a cartada final, ainda forte o suficiente. O zap foi, mas ele guardou o sete copas na manga. Qual?

Tudo, tudo mesmo, não passou de um golpe da barriga da mulher do Eléctron. Como assim?  Ela inventou (e no processo, se tornou) um serial Killer que assassina familiares de heróis para que o Eléctron voltasse para ela. Genial E monstruoso.

Bruce dá o mote e Electron finaliza: Quem se beneficia quando a família de um mascarado é ferida? Os familiares de todos os outros.

É, eu fiquei assim também.

E pra quem acha que eu estraguei e contei tudo: O plot principal, a lição toda da HQ, o motivo da Crise de Identidade, essa eu deixei para a leitura. Porque têm certos prazeres em se descobrir coisas, que contando assim, não teria nem de longe a mesma graça.

Crise de Identidade
Autores: Brad Meltzer e Rags Morales
Publicou: Panini
Onde achar: Nas livraria especializadas em qaudrinhos
Quanto: Uns 30 conto, acho.

Bruno Garciado fundo da estanteBatman,Brad Meltzer,Crise de Identidade,homem elástico,hqmix,Liga da Justiça,mulher maravilha,Rags Morales,SupermanComo eu já disse, trabalhei na HQMix Livraria um tempo atrás. Naquela época, entre madrugadas e telefonemas. Tentando juntar uma galera para fazer uma HQ, nos últimos dias de trampo que conheci o Renato, que acabou me chamando para escrever aqui. Um tempo depois, mesmo já tendo acabado o trampo...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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