Visto no Universo Fantástico

A febre de revisitar os anos 80 também chegou ao mercado de quadrinhos. A editora Devir republicou as revistas Chiclete com Banana e Piratas do Tietê (esta em formato de livro com capa dura divididos em três volumes).

A primeira, para bancas de jornal, a segunda para livrarias. Este colunista conversou com o editor Toninho Mendes – cuja editora lançou não só a Chiclete como também as revistas Circo e Animal – e o quadrinista Laerte, mestre de muitos de nós.

Infelizmente, o Angeli não respondeu aos dois e-mails enviados. Estaria ele em mais uma de suas crises?

A conjuntura social, política e econômica do Brasil nos anos 80 é bem diferente da de hoje. Vocês acham que algumas histórias e personagens perderam o sentido no contexto atual ou se mantém ao longo das décadas?

Toninho Mendes: Uma parte muito pequena do material no máximo, 10% é bastante datada. O resto acho absolutamente atemporal e continua atual e dentro do contexto de hoje.

Laerte: Acho que se mantêm. Ou talvez não. Há quem considere as minhas histórias não só datadas como localizadas (em São Paulo). Não tenho segurança pra dar opinião nesse tema.

Na época de publicação (1985-1995), as revistas Chiclete com Banana venderam (segundo o press release que acompanha o material para a imprensa) mais de 3 milhões de exemplares. As dos Piratas também devem ter vendido bastante.

Hoje, em tempos de internet e pirataria, vocês acham viável lançar uma revista de humor semelhante e ter a mesma expectativa?

Toninho: Não acho viável lançar uma revista humor com as mesmas espectativas. Primeiro porque o universo das bancas de revista modificou-se barbaramente e perdeu importância nos últimos 20 anos.

Segundo porque os códigos de linguagem se modificaram demais desde 1990 com popularização dos computadores e a entrada da internet na vida das pessoas.

É possível que a experiência da Circo tenha sido a última dessa linha da fase em que o papel impresso ainda tinha grande significado na existência das pessoas.

Laerte: Três milhões? Uau. A PIRATAS não vendeu isso tudo, não. A média era de uns 10 ou 12 mil exemplares, foram 14 edições, quer dizer: uns 150 mil, somando tudo. Deu pra comprar o Monza usado quase com garantia.

Acho que uma revista assim como você sugere ainda tem possibilidade, mesmo com internet e pirataria. Há uma tendência de superação das revistas em papel e vendidas em banca, mas ainda existe campo pra jogar. O problema é, como era nos anos 80, distribuição, produção etc.

Fala-se na crise do setor de quadrinhos, citando a não renovação do público leitor e a mudança no ponto de venda – cada vez mais em livrarias ao invés de bancas de jornal. Qual a opinião de vocês a respeito?

Toninho: Não existe crise no setor de quadrinhos. Basta acompanhar a quantidade de títulos que são publicados todo mês. O que acontece hoje, é tem muita mais coisa sendo publicada do que leitor para consumir. É um quadro momentâneo. Pode estar completamente diferente em um ano.

Laerte: Então: banca é um busílis da questão. Vale a pena apostar nelas ainda, tentando uma volta? Ou pensar em pontos diferentes – uma combinação de livraria com banca especializada em quadrinhos, como existe em alguns países?

De qualquer maneira, a forma de colocar as revistas na banca precisa ser resolvida. O sistema das distribuidoras me parece meio ultrapassado, ou inadequado para quadrinhos.

Por fim, a quantas andam os projetos pessoais de vocês?

Toninho: A Circo faz parte da história, não existe mais. Eu trabalho como editor e artista gráfico free-lancer e produzo livros meus, do Angeli, Laerte, Glauco e outros autores em parceria com a Devir Livraria também e para a coleção LPM poket. NÃO HÁ PLANOS PARA O FUTURO. O FUTURO É O SUFICIENTE.

Laerte: A peça PIRATAS DO TIETÊ – O FILME (sic) foi levada ao palco em 2003, e não há planos de remontagem. O filme está sendo feito pelo estúdio do Otto Guerra, e está em fase de roteiro. Isso pode levar anos…

>> JB – por Pedro de Luna

Visto no Universo Fantástico

Renato LebeauquadrinhosAngeli,chiclete com banana,Circo e Animal,editora Devir,Laerte,piratas do tietê,Toninho MendesVisto no Universo Fantástico A febre de revisitar os anos 80 também chegou ao mercado de quadrinhos. A editora Devir republicou as revistas Chiclete com Banana e Piratas do Tietê (esta em formato de livro com capa dura divididos em três volumes). A primeira, para bancas de jornal, a segunda para...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe