Lembro como se ontem. Em uma demonstração do seu até então novo videogame, o Gamecube, a Nintendo divulga um vídeo demo que tinha os personagens Link e Ganondorf de The Legend of Zelda prontos para se matarem num belo combate. Os gráficos apresentados naquele vídeo eram impressionantes e mostravam o salto que a geração liderada pelo Playstation 2 deu em relação a sua predecessora.

Imagina o choque que tive ao ver um Link totalmente cartunizado ao abrir as páginas de uma falecida revista de games. Aquilo não podia ser verdade, aquela coisa não parecia em nada com a animação que havia sido divulgada antes. Mas era, e muitas críticas e palavreados foram proferidos junto ao nome do senhor Shigeru Miyamoto.

Não adiantou nada, aquele Zelda cartunesco foi lançado. E os críticos? Bem, os críticos queimaram a língua, cuspiram sangue; eles amaram. The Wind Waker é considerado até hoje um dos melhores jogos da série e uma das relíquias sagradas do falecido Gamecube. A partir desse momento muito se aprendeu sobre a Nintendo, sobretudo a não subestimar a qualidade das suas melhores franquias.

assado alguns anos e quase no fim na geração 128 bits e do Gamecube, a Nintendo anuncia um novo Zelda, agora com uma arte distinta do que fora The Wind Waker, mais adulta e sombria. Naturalmente os desenvolvedores e a empresa foram ovacionados, a final, Link não era mais um ‘cartum’.

Entretanto, após o lançamento de Twilight Princess algumas pessoas ficaram a se perguntar “Por que mudar de novo, agora que todos já haviam aceitado o visual simpático de desenho animado?”. A resposta dos produtores, obviamente, ia de encontro com o que boa parte dos fãs desejava, e também, de queda, servia de isca para pescar jogadores dos videogames rivais, acostumados com títulos mais maduros, como por exemplo: God of War (série), Onimusha: Warlords (série) e Devil May Cry (série) para o lado da Sony e Ninja Gaiden, Halo (série), Half-Life 2 e outros jogos de tiro para o lado da Microsoft.

Para essa versão os desenvolvedores da clássica e musculosa série resolveram unir o útil e o agradável, pegando os melhores pedaços dos últimos dois jogos, isso sob a tutela do revolucionário controle da atual plataforma líder de mercado, o Wii Remote. O resultado não podia ser melhor. The Legend of Zelda: Skyward Sword, não só supera seu antecessor como também crava seu ilustre nome na história do Wii.

Desafiando a gravidade
The Legend of Zelda bem que poderia ter seus signos pluralizados. A história da princesa menina que é dona de uma das três forças que, num único sumo, pode definir o destino do mundo, se repete interminavelmente na linha do tempo. Por incrível que pareça isso não diminui a imersão do jogo. A cada edição o mundo vivido pela reencarnação dos personagens muda assim como a história e os desafios.

Quase sempre representada por uma menina princesa e um menino herói, a lenda da princesa Zelda desde o seu último jogo virara adolescente, o que tornou mais “real” as desventuras e aventuras do personagem principal, que como jovem infere maior confiança aos jogadores e aos perigos encontrados nos grandes calabouços.

Na cronologia da série, Skyward Sword é uma prequela de Ocarina of Time e discorre sobre as origens da Master Sword e do vilão Ganondorf. Segundo a lenda, após a criação de Hyrule, a Triforce foi confiada pelas deusas de ouro, Din, Farore e Nayru (divindade conhecida como Hylia).

No entanto, o rei demônio Demise, com intenções malignas, reunira um terrível exército para tomar a Triforce a força. Hylia usa seu poder para criar as ilhas flutuantes, que mais tarde se chamariam Skyloft, para manter os Hylians e a Triforce em segurança. Hylia e as tribos restantes: os robôs antigos, os Parellas, os Kikwis, os Gorons e os Mogmas travam uma sangrenta batalha contra o exército de Demise, valendo-se, aparentemente, sobre o vilão.

A trama começa muitos anos depois e segue novamente a encarnação do protagonista, Link, que nasceu e cresceu em Skyloft. Após ter um pesadelo com uma assombrosa e estranha criatura, Link desperta do seu sono tardio. Atraído pelo belo ululo de sua amiga de infância, Zelda, ele parte ao seu encontro.

A bonita garota não demora a lembrá-lo quão excitada está com a aproximação da cerimônia Wing, uma prova que testará as habilidades de Link em cima de um Loftwings, caso passe, será o mais novo cavaleiro do céu. Contudo, o jovem não demonstra nutrir da mesma empolgação de Zelda.

Para complicar, Groove, um de seus amigos duvida que Link seja capaz de passar no teste. Iniciada a cerimônia e após suprir as várias tentativas de Groove sabotar sua prova, o nosso herói consegue completar a cerimônia Wing, numa cena que lembra muito o quadribol do livro e filme, Harry Potter e a Câmera Secreta, da escritora, J. K. Rowling.

Na comemoração a conquista o casal tem o passeio em cima dos Loftwings interrompido por uma tormenta de areia que arrebata Zelda, lançando Link para longe. Acometido pelo desaparecimento da garota, Link inicia uma longa e desafiadora jornada para salvá-la dos engendros maléficos que habitam Hyrule.

Visão além do alcance
Desde Wind Waker que não me divertia tanto ao controlar o “Zeldinha” (agora na puberdade). A aventura e os controles são extremamente apreciativos, apesar de as animações de movimento, do personagem principal, serem ultrapassadas.

Um dos grandes momentos do jogo é o brandir da espada. O jogador se sentirá o Lion dos Thundercats pedindo a “Espada Justiceira” a visão além do alcance. Aparentemente Link deixara de ser canhoto em definitivo; todos os golpes são deferidos pela empunhadura direita, pura influência do Wii Remote. Uma coisa pesarosa por parte da Nintendo foi não colocar uma opção para escolher o punho dominante do herói, muitas pessoas são canhotas, e assim como eu sou uma negação sem a minha mão direita, canhotos sentirão dificuldades em manejar o controle.

Por falar em controle, ignorando o fato acima, golpear não chega ser difícil, bastando ao jogador treinar alguns minutos para melhorar a precisão dos comandos. Antes de ir à luta, um tutorial, com troncos como alvos casará o jogador com a espada. Nele percebe-se que é possível cortar de várias formas um objeto desde que esteja no script.

Sem a égua Epona, as aves gigantes conhecidas como Loftwings, serão a principal opção de locomoção em Skyward Sword. Eles são muito rápidos, passear com eles não é muito diferente de cavalgar com um ungulado. Tá, talvez um pouquinho, mas a mecânica é a mesma não interferindo no aprendizado do jogador.

Como esperado, o grande desafio Skyward Sword são suas masmorras repletas de quebra-cabeças, alguns mortais. Quanto mais o jogador se aprofunda nos corredores inóspito, mais perigos ele encontrará pelo caminho. Quem já conhece a estrutura antiga do jogo vai se deliciar a cada enigma resolvido.

No entanto, o cardápio carece de mudanças, algumas coisas poderiam ser melhoradas e até mesmo extirpadas; um aumento na dificuldade e inteligência artificial dos inimigos seria bem vindo, isso poderia ser resolvido com a inclusão do medidor de dificuldade que a maioria dos jogos possui na interface principal.

Num jogo onde as masmorras são o prato principal, não poderia faltar a sobremesa. Os chefes de The Legend of Zelda são um pouco diferentes das sentinelas de fazes convencionais. Para vencê-los é necessário descobrir seus pontos fracos, quando isso acontece, a batalha passa a ser fácil. Se o jogador for do tipo não adepto de guias ou detonados a luta poderá ser altamente desafiadora.

Graficamente o jogo poderia ser melhor, principalmente, porque existem jogos antigos lançados para o Playstation 2 e também para Gamecube com trabalho artístico superior, levando em conta, claro, que o Wii tem um hardware mais robusto que os citados.

A Nintendo optou por uma paleta de cores quentes e carismáticas, inspiradas nos desenhos animados japoneses, assim como o fez em The Winder Waker. Os trejeitos das faces e os aspectos físicos dos personagens são bem feitos, principalmente o dos personagens Zelda e Link. Em sumo, o design das fases é bonito e atinge os seus objetivos como artefato artístico, mesmo não sendo reproduzido nas resoluções HD.

A trilha musical acumula os talentos de Hajime Wakai, Shiho Fujii, Mahito Yokota, Takeshi Hama e Koji Kondo. As partituras respeitam a tradição da série, e o uso de suítes antigas serve apenas como alimento saudosista. As composições mais severas se encaixam perfeitamente no clima terrifico das batalhas. A ausência do som harmonioso faz falta assim como as dublagens que mais uma vez foram substituídos sibilos vocais.

Skyward Sword é um jogo fantástico que não pode faltar na biblioteca de quem tem Wii. É brutamente um dos melhores jogos de 2011 e de toda geração sendo um presente obrigatório para esse natal. Infelizmente o jogo não possui localização no idioma português, uma mancada da Nintendo, para com nós brasileiros.

Vídeo 1

Víde 2

The Legend of Zelda – Skyward Sword
Desenvolvedora: Nintendo EAD
Publicadora: Nintendo
Direção: Hidemaro Fujibayashi
Produção: Eiji Aonuma, Shigeru Miyamoto, Satoru Iwata
Designer: Yoshiyuki Oyama
Compositores: Hajime Wakai, Shiho Fujii, Mahito Yokota, Takeshi Hama, Koji Kondo
Idiomas: Inglês, Espanhol e Francês
Série: The Legend of Zelda
Gênero: Ação/ RPG
Plataforma: Wii
R$ 169,00<object width=”450″ height=”259″><param name=”movie” value=”http://www.youtube.com/v/b4vv2Y6uQY0?version=3&amp;hl=pt_BR”></param><param name=”allowFullScreen” value=”true”></param><param name=”allowscriptaccess” value=”always”></param><embed src=”http://www.youtube.com/v/b4vv2Y6uQY0?version=3&amp;hl=pt_BR” type=”application/x-shockwave-flash” width=”450″ height=”259″ allowscriptaccess=”always” allowfullscreen=”true”></embed></object>

José NunesquadrinhosNintendo,Skyward Sword,The Legend of Zelda,WiiLembro como se ontem. Em uma demonstração do seu até então novo videogame, o Gamecube, a Nintendo divulga um vídeo demo que tinha os personagens Link e Ganondorf de The Legend of Zelda prontos para se matarem num belo combate. Os gráficos apresentados naquele vídeo eram impressionantes e mostravam...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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