Copiado do Blog dos Quadrinhos

Autores de quadrinhos independentes vão participar no próximo domingo, em São Paulo, do 16º EIRPG, evento especializado em RPG (role-playing game).

Eles farão durante toda a tarde oficinas de roteiro, de fanzines e uma jam session de quadrinhos, uma marca do grupo.

É mais um espaço que o movimento procura ocupar.

É algo que tem se tornado constante desde que os autores criaram em setembro do ano passado o 4º Mundo, um selo que reúne quadrinistas nacionais de diferentes partes do país.

Os autores já conversam sobre participar da Bienal do Livro, talvez em parceria com alguma editora.

O primeiro evento de que o grupo participou foi o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), realizado em outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Os autores alugaram um estande e dividiram os custos entre eles.

A presença dos independentes foi um dos destaques do festival.

Desde então, o 4º Mundo tem alcançado mais projeção, diversificado o catálogo de títulos e trilhado dois caminhos: o virtual e o impresso.

Uma parte tem publicado em revistas e outra parte em sites pessoais ou no blog do grupo (link). E há quem trabalhe paralelamente nos dois flancos.

Há a idéia de traduzir algumas das histórias virtuais para atingir o público estrangeiro e aumentar o volume de leitores.

Até este momento, há 26 disponíveis no blog, como a mostrada, “Os 303 de Esparta”, de Marlon Tenório.

Mas e mais à frente? Para onde caminha o 4º Mundo?

Segundo Cadu Simões, um dos organizadores do movimento, há muita conversa sobre isso no Quinto Mundo, nome dado à lista de discussão do grupo.

“A principal questão da discussão está relacionada à distribuição”, diz Simões, por e-mail.

“O nosso modelo de trocas de revistas entre os integrantes não está mais dando conta do atual volume de publicações e vendas do 4º Mundo.”

O problema tem levado a algumas propostas.

Uma delas é negociar com distribuidoras profissionais.

“Outro ponto de discussão que está rolando no momento é sobre a formalização do 4º Mundo numa fundação, ou até mesmo numa empresa”, diz Simões, criador do personagem Homem-Grilo.

“Tem uma série de ações que ficamos impedidos de fazer pela falta de CNPJ e, se o 4º Mundo fosse uma empresa, isso seria resolvido.”

***

Simões dá outras informações sobre os rumos do movimento independente nesta entrevista, feita em dois momentos diferentes.

Blog – Estamos perto de comemorar um ano de 4º Mundo. Qual avaliação você faz desse período?
Cadu Simões – Nesse quase um ano, acredito que o 4º Mundo conseguiu cumprir algumas das suas metas, como fomentar a produção de quadrinhos independentes, divulgar esses quadrinhos na grande mídia e dar saída à produção já existente, atingindo um novo público-leitor através de canais de venda alternativos como festas, shows e feiras populares (público esse que as editoras não conseguem atingir nas bancas, livrarias ou comic shops). E, principalmente, estamos formando o nosso próprio público-leitor. Ainda que seja um número pequeno, já existe um grupo de leitores que não era leitor habitual de quadrinhos e que começou a ler por causa das publicações do 4º Mundo.

Blog – Há uma tendência entre os integrantes do movimento independente de construir histórias curtas. Existe algo planejado para criação de álbuns mais longos, como ocorre, por exemplo, na França? Ou não há interesse nisso?
Simões – Bem, os quadrinistas começam fazendo histórias curtas, pois, com elas, é mais fácil treinar suas habilidades técnicas e artísticas e também são bem mais fáceis de se produzir. Mas uma vez que ele já sinta que possui um bom domínio do processo de construção de histórias em quadrinhos, vai querer tentar fazer histórias maiores. E é o que já vem acontecendo com alguns quadrinistas independentes. Eu mesmo, a partir do próximo número da [revista independente] “Garagem Hermética”, começarei a publicar uma história seriada mais longa. O [Daniel] Esteves também está fazendo histórias seriadas com a “Nanquim Descartável”. Outro exemplo é a Avenida, cujas as histórias também possuem uma certa continuação e desenvolvimento.

Blog – A proposta do 4º Mundo agora é pôr mais material na internet? Essa estratégia caminha em paralelo às produções em papel?
Simões – Sim, a proposta é publicar também na internet através do blog do coletivo, tanto histórias em quadrinhos que já foram publicadas em revistas impressas quanto ainda inéditas. Assim, com a publicação das histórias em quadrinhos on-line, atingimos um público maior do que apenas com as revistas impressas e, ao mesmo tempo, serve como um tipo de propaganda para essas revistas.

Blog – Como se dá a seleção das histórias do site e de quando em quando é a atualização?
Simões – Não há bem uma seleção das histórias. Assim como não tem um editor ou uma linha editorial. Cada membro do 4º Mundo tem liberdade para publicar seus quadrinhos no blog do coletivo sem precisar da aprovação dos outros membros. Também aceitamos colaborações dos quadrinistas que não pertencem ao 4º Mundo. Nesse caso, ele deve submeter a sua história no nosso fórum, o Quinto Mundo, e é a comunidade do fórum que irá decidir se será publicada ou não através de votação. As atualizações são diárias, sempre com a publicação de uma página por dia. E, terminando de publicar uma história em quadrinhos, já começamos a publicar outra logo em seguida.

Copiado do Blog dos Quadrinhos

Renato Lebeau4º Mundo,Cadu SimõesCopiado do Blog dos Quadrinhos Autores de quadrinhos independentes vão participar no próximo domingo, em São Paulo, do 16º EIRPG, evento especializado em RPG (role-playing game). Eles farão durante toda a tarde oficinas de roteiro, de fanzines e uma jam session de quadrinhos, uma marca do grupo. É mais um espaço que...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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