Os membros do Quarto Mundo que estiveram presentes na palestra foram: Alex Mir (editor da revista Tempestade Cerebral), Mario Cau (autor da publicação Pieces) e Will (responsável pelas publicações do herói Sideralman, entre outras).

O trio começou a palestra com uma rápida apresentação da história do coletivo Quarto Mundo, que iniciou suas atividades na FIQ (Feira Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte/MG) de 2007.

Também mencionaram que em dois anos de atividades o coletivo já ultrapassou o expressivo número de 120 publicações, “algumas com qualidade até superior ao material encontrado em bancas”, completou Alex Mir.

Depois, foram apresentadas algumas características do coletivo, como o fato de ser parecido com uma teia de aranha, que vai expandindo suas ações em todo território a cada adição de novos membros.

Os palestrantes informaram que os tipos de quadrinhos mais ausentes no coletivo são o mangá e o infantil, mas deixaram claro que o Quarto Mundo está aberto a todos os gêneros e estilos de HQ e que a preocupação maior do grupo é fortalecer a cena nacional e fazer com que suas publicações tenham continuidade – citaram como exemplo as revistas Tempestade Cerebral, Café Espacial, Quadrinhópole e Subterrâneo, todas já ultrapassando a casa de 5 edições (o que é uma grande vitória no mercado nacional, ainda mais em se tratando de publicações independentes).

Destacaram a liberdade criativa que todos os autores têm na produção independente e dentro do Quarto Mundo também, “o Quarto Mundo não é uma editora, ele não edita e nem interfere no conteúdo das revistas que são publicadas dentro do coletivo”, informou Will.

Fizeram questão de deixar claro que os quadrinistas independentes não são “tadinhos”, para usar o termo empregado por Will, e apresentaram uma série de vantagens que a produção independente oferece: Liberdade no formato e número de páginas, o contato direto com o autor e a possibilidade de modificar algo na HQ através desse contato (o que é impossível de ocorrer com os quadrinhos estadunidenses – “não adianta enviar um comentário para a revista do Homem–Aranha sugerindo ou criticando algo, porque as decisões editoriais já estão tomadas lá nos EUA”, disse Mario Cau).

Compararam os direitos autorais cedidos pelas editoras, que variam entre 8% e 10% do preço de capa, com a verba que volta para cada autor das edições do Quarto Mundo, que é sempre de 50% do valor de capa.

Apesar disso, o trio reconheceu toda a relevância do trabalho que as editoras têm feito no país, mas que, embora não descartem um eventual convite para publicar através de alguma dessas editoras, preferem continuar com o trabalho independente que vêm fazendo.

Também falaram da distribuição, algo muito complicado no Brasil devido suas dimensões continentais, mas que é um problema parcialmente contornado pelo coletivo com a presença de seus integrantes em diversas cidades do país.

Aproveitaram para explicar como funciona a distribuição no Quarto Mundo: cada integrante, em cada cidade, é responsável por encontrar algum local em que se possam vender as publicações do coletivo (uma banca, comic shop, livraria etc.), à partir daí os integrantes das outras regiões enviam seus trabalhos para esse responsável que passa a administrar as vendas nesse(s) ponto(s).

Assim, é possível encontrar publicações do Quarto Mundo em cidades como Cachoeira do Sul/RS, dentre outras cidades não tão grandes assim.

Os integrantes informaram que, caso o novo integrante não consiga nenhum local de venda na sua região – ou não haja nenhum desses locais na cidade – ou não saiba lidar com essa parte de vendas e negociações, há diversos setores nos quais os novos membros podem colaborar. “O Quarto Mundo é dividido em núcleos”, informou Mario Cau.

Apresentaram alguns desses núcleos e suas funções, como o núcleo de imprensa, responsável por enviar release para a mídia; o núcleo de publicações, responsável por editar o informativo do grupo; o núcleo de internet, que mantém e atualiza o site; o núcleo de tradução, que traduz as HQs dos integrantes para o inglês e espanhol – aumentando ainda mais o raio de alcance do coletivo; o núcleo de eventos etc.

O coletivo encerrou a palestra apresentando alguns prêmios conquistados, tanto do grupo quanto de seus membros e de suas publicações e a responsabilidade que esses prêmios adicionam em continuar e melhorar o trabalho que vêm fazendo de criar uma estrutura para tornar a cena melhor.

Renato LebeauquadrinhosAlex Mir,Comic Fair,Mário Cau,Quarto Mundo,WillOs membros do Quarto Mundo que estiveram presentes na palestra foram: Alex Mir (editor da revista Tempestade Cerebral), Mario Cau (autor da publicação Pieces) e Will (responsável pelas publicações do herói Sideralman, entre outras). O trio começou a palestra com uma rápida apresentação da história do coletivo Quarto Mundo, que...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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