Continuando a nossa série de posts sobre as palestras que aconteceram na Comic Fair, hoje colocaremos a participação de Klebs Jr., diretor da Escola e estúdio Impacto Quadrinhos, que trabalha no mercado internacional de quadrinhos há mais de 30 anos e que na Comic Fair relatou todo o processo de trabalho entre as grandes editoras nos Estados Unidos com os profissionais que desenvolvem os seus trabalhos aqui no Brasil.

Depois de se apresentar, Klebs Jr., relatou que está no mercado de quadrinhos desde 1985 e que naquela época era muito difícil achar material didático sobre quadrinhos no Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, que já tinham escolas voltadas para a arte sequencial. “Material brasileiro sobre quadrinhos praticamente não existe. Fora Mauricio de Sousa, só consumimos o material Americano e Japonês”, comentou Klebs.

A palestra contou com a presença de Manoel de Souza, editor da Revista Mundo dos Super-Heróis, que ajudou a dinamizar a palestras com perguntas diretas a Klebs. Jr que explicou que atualmente o Estúdio Impacto Quadrinhos, oferece o agenciamento para as grandes empresas de quadrinhos americanas como Marvel, DC e Image.

“Hoje produzimos cerca de 40 revistas para o mercado americano por mês”, explicou Klebs, quando questionado sobre a demanda de produção dessas grandes empresas. Segundo Klebs, os brasileiros estão em alta no mercado internacional.

Claro que Klebs também foi questionado sobre o mercado nacional e se não há alguma produção do estúdio em andamento para os leitores nacionais: “Nossa preocupação e sintonia é com o público brasileiro. Temos em andamento produções como Pátria Armada. Nossa preocupação em longo prazo é o mercado brasileiro”.

Durante a palestra Klebs exibiu um modelo de roteiro e explicou como funciona todo o processo que se inicia com o layout (geralmente no formato A5), depois de aprovado passa-se para o lápis, em seguida a arte-final, passando pela colorização e finalmente o letreiramento.

Mas Klebs deixa uma dica: “O importante em cada etapa do processo é o artista conseguir dar a ambientação necessária para contar a estória”.

Especificamente sobre o letreiramento Klebs explicou que é raro ser feito aqui no Brasil devido ao valor ser muito barato e que geralmente os artistas preferem pegar layouts para finalizar.

Klebs explicou que atualmente o mercado americano não está pautado em um estilo único e isso pode ser observado se analisarmos revistas da mesma linha como Novos Mutantes e Dark X-men: “Não importa o estilo e sim a narrativa visual. Não faça nada que atrapalhe a leitura do leitor”.

Klebs aproveitou e comentou que atualmente em todo o Brasil deve ter cerca de 80 profissionais de quadrinhos trabalhando para o mercado estrangeiro, entre desenhistas, arte-finalistas e coloristas, entre eles Ibraim Roberson, desenhista de Novos Mutantes e Dark X-men, que também estava presente no palco.

Ibraim Roberson respondeu a pergunta “O que precisa fazer para entrar no mercado de quadrinhos?”: “O importante é persistir, você vai ouvir muitos não. Estudar o tempo todo e procurar evoluir sempre e aprender sempre, e de preferência com quem conhece”.

E Klebs complementou: “É importante ter persistência e entender como funciona a industria de HQs”,  e falou sobre a escola Impacto Quadrinhos, “Nosso objetivo é a profissionalização. Não quero alunos quero profissionais”.

“Há trabalho para quem está entrando. Cada revista tem em média 22 páginas, hoje tenho muito mais trabalho do que gente para fazer”, completa Klebs ao falar da demanda do mercado de quadrinhos, e explica o por que dessa necessidade: “O profissional americano geralmente não cumpre prazo e são limitados no estilo. Hoje em dia os editores estrangeiros apreciam a versatilidade dos brasileiros”.

Klebs Jr., Ibraim Roberson e Manoel de Souza

E Klebs dá outra dica para quem quer entrar no mercado: “Não adianta você ser bom. Você tem que ser bom e profissional. Não adianta você desenhar muito bem e não saber cumprir prazo”.

E continuando sobre o caminho para se profissionalizar Klebs afirmou “É necessário que o artista analise em que situação ele está em relação ao seu traço. Ele precisa ter um norte como um quadrinhista de referencia, e de preferência um bom profissional e tentar chegar no mesmo nível e depois superá-lo. Não pode para de estudar. E estudar é produzir muito desenho. Se baseie no real, busque escolas, livros ou tente copiar as pessoas no seu dia a dia”.

E Klebs ressalta o por que da importância de se cumprir os prazos: “O editor é um cara muito corajoso. Ele tem que confiar que o desenhista não vai atrasar. O atraso prejudica todo o tramite com a gráfica que já está pronta para imprimir aquela revista em determinado dia e em determinado horário. Se o material não chega a editora tem que pagar, ou seja, perde dinheiro para cobrir o buraco. E tem editora que imprime 40 revistas por semana”.

E é justamente nessa brecha que há uma grande chance de entrar no mercado americano. Klebs explicou sobre o “Fill in”. “Geralmente as revistas vai para o desenhista com três meses de antecedência, se o desenhista não fez a sua parte a editora não pode perder o prazo, então ocorre o “fill in” que é quando outro desenhista é chamado para ajudar a cumprir o prazo. Muitos quadrinhistas entraram no mercado assim”.

Stand da Impacto Quadrinhos na Comic Fair

Antes de finalizar a palestra Klebs Jr. respondeu mais duas perguntas sobre o mercado de quadrinhos: “Por que não tem roteirista brasileiro trabalhando para o mercado americano?” e “Por que é tão difícil sair quadrinho nacional no Brasil?”.

Sobre o roteiro Klebs afirmou que há um ciclo vicioso do editores americanos que eles não lêem roteiros, principalmente de iniciantes, que costumam cometer erros como colocar mais de uma ação por quadro. Geralmente eles só lêem de quem já escreveu algo para o mercado estrangeiro o que dificulta a entrada de brasileiros.

Sobre a produção de quadrinho nacional no Brasil Klebs afirmou: “O preconceito começa no próprio desenhista que geralmente não leva a sério a profissão de quadrinhos e produz muitas vezes sem profissionalismo. Também tem o fato de ainda não temos a cultura de considerar quadrinhos como mídia, como ocorre nos outros países”.

Klebs finalizou a palestra informando que no site da Escola e Estúdio Impacto Quadrinhos tem uma área voltada para quem pretende ingressar no mercado de quadrinhos, com dicas sobre prazos, envio de arquivos, como montar o portifólio, melhorar o seu desenho. No site também é possível encontrar testes de desenho, arte-final e colorização. Para conferir, clique aqui.

Renato LebeauquadrinhosComic Fair,Impacto Quadrinhos,Klebs Jr.,Manoel de Souza,Renato ArlemContinuando a nossa série de posts sobre as palestras que aconteceram na Comic Fair, hoje colocaremos a participação de Klebs Jr., diretor da Escola e estúdio Impacto Quadrinhos, que trabalha no mercado internacional de quadrinhos há mais de 30 anos e que na Comic Fair relatou todo o processo...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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