Fabio Civitelli.Ao fundo desenho do personagem Tex que ele fez exclusivamente  para a sua vinda ao Brasil

Antes de iniciarmos como foi a palestra do desenhista italiano Fabio Civitelli na Fest Comix, temos que dizer que a equipe do Impulso HQ teve o grande prazer de encontrá-lo um pouco antes e com a ajuda de seu tradutor José Carlos Francisco, que também é um grande fã do personagem Tex e colaborador do blog português Tex Willer,   conversamos com Civitelli sobre a sua carreira e as novidades que ele está preparando para o personagem.

O desenhista que há 25 anos desenha o personagem comentou que sabia que o cowboy tinha certa fama aqui em nosso país e que frequenta o fórum TexBR. Civitelli disse que depois de tanto tempo desenhando o personagem, hoje ele tem total segurança em seus traços, mas que no início quando Tex foi oferecido a ele pelo próprio Sergio Bonelli, ele tinha problemas em desenhar os cavalos e as paisagens do faroeste, isso porque ele não estava habituado com o estilo western. Antes de Tex, o desenhista era responsável pelo traço do personagem Mister No, um piloto amazônico.

E Civitelli comentou brincando que ele deveria ter vindo ao Brasil nessa época porque teia mais sentido e ele já conheceria a Amazônia, mas que está muito feliz com os fãs de Tex. Essa foi à primeira vez que Civitelli veio ao nosso país.

O desenhista italiano adiantou para o Impulso HQ sobre três projetos que estão em andamento que envolve o personagem Tex:

Obras sobre o personagem Tex que estavam sendo lançadas durante a 17º Fest Comix

O primeiro é um livro com 90 ilustrações inéditas feitas por ele sobre o mundo de Tex que se chamará “Il Mio Tex”. A data de lançamento está prevista para novembro durante o festival Lucca Comics, o mais importante evento de quadrinhos na Itália.

Já o segundo projeto o desenhista planeja levar dois anos para a sua execução, sendo prevista para 2012 com o lançamento simultâneo na Itália e no Brasil pela Mythos Editora. Trata-se de uma edição especial de Tex em formato gigante. Civitelli disse se sentir honrado com o projeto porque só grandes desenhistas receberam esse convite.

Sobre o terceiro projeto Civitelli fez mais segredo, não revelando muita coisa. Só adiantou que será um romance sobre Tex, uma espécie de autobiografia do personagem. A publicação está prevista para 2011 e terá 12 ilustrações.

G.G. Carsan, Fabio Civitelli e José Carlos Francino

Para o bate papo com o público, Fabio Civitelli fez questão que estivessem presentes à mesa seu tradutor José Carlos Francino e G.G. Carsan (autor do livro Tex no Brasil – O grande herói do faroeste e integrante do site TexBR) e solicitou uma salva de palmas para ambos.

Esbanjando simpatia, Civitelli falou um pouco sobre a recente fase do cowboy mais famoso dos quadrinhos, mencionou todos os autores envolvidos com o personagem no momento e que, devido à qualidade desses autores, esta otimista quanto ao futuro de Tex.

O desenhista tentou explicar o fascínio que o personagem, criado pela dupla Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, exerce em tanta gente: “Tex é um personagem limpo num país com muitas coisas sujas, como a corrupção. Não há privilegiados no mundo de Tex, ele combate quem deve combater, independentemente de seu cargo e posição social. Acho que por isso ele é tão querido”.

Civitelli acrescentou o fato de todos os personagens do universo de Tex serem carismáticos. “Até os vilões ficam na mente do leitor”.

Antes de abrir espaço para as perguntas do público, Civitelli disse: “É um grande prazer trabalhar noites por horas a fio em Tex, porque se estou aqui hoje é por causa do Tex”.

Em relação à platéia que assistia – e que encheu o local – era nítido a presença de um público mais maduro, a maioria acima dos 30 anos. Também foi curioso, e gratificante, notar que eram pessoas vindas de diversas cidades, como Presidente Prudente/SP, Santo André/SP, Suzano/SP e de diversos estados, como Goiás e Paraná.

Muitas perguntas inteligentes saíram da platéia. Uma delas foi sobre se o fato das HQs de Tex passarem a ter histórias contínuas e inter-relacionadas não tornariam os enredos confusos para os novos leitores, assim como se tornaram os comics estadunidenses. Civitelli acalmou os fãs dizendo que os acontecimentos não serão tão acentuados para a cronologia das histórias quanto os quadrinhos produzidos nos EUA.

Joe Bennett, na platéia, disse que o traço de Civitelli era muito elegante e perguntou se, por isso, o desenhista italiano já havia recebido convite, ou teria vontade, de desenhar super-heróis estadunidenses. Civitelli respondeu que, em seu inicio de carreira, havia uma revista italiana que publicava HQs dos heróis da Marvel desenhadas na própria Itália e nessa revista ele desenhou duas HQs de super-heróis, uma do Homem Aranha e outro do Quarteto Fantástico. Depois disso, começou a trabalhar na editora Bonelli e não houve mais tempo, interesse ou convites para desenhar comics.

Editor dos títulos da DC Comics no Brasil, Levi Trindade, garante o seu autógrafo de Fábio Civitelli

Em relação às quedas nas vendas devido a internet, Civitelli disse que ocorre o mesmo na Itália, “as vendas caem ano após ano, mas Tex é o personagem que melhor reviste a isso, sempre com boas vendas. Exemplo disso é um álbum colorido que fizeram e que esta superando as expectativas de vendas”.

Entretanto, o desenhista reconheceu que utilizar recursos da web, como a publicação on line, pode ser uma solução para conquistar novos leitores e ressaltou que, independentemente do material ser impresso ou virtual, “o desenhista tem que ter um bom traço, ser detalhista e fazer um bom trabalho. Se a HQ vai sair no papel ou na internet, não é função do desenhista escolher”, enfatizou.

Visitantes aproveitaram a oportunidade de completar a sua coleção de Tex e ainda pegar o seu autógrafo

Civitelli comentou sobre o seu processo de trabalho dizendo que é um desenhista lento que faz 15 páginas por mês e que, num álbum de 200 páginas, demora em média de 1 a 2 anos para concluir. Ressaltou ainda que Alex Raymond foi sua grande inspiração “sobre tudo, pela forma como desenhava a figura humana”, finalizou.

Houve ainda muitas manifestações de agradecimento por parte do público, visivelmente emocionado, pelos seus 25 anos de trabalho com Tex.

E uma enorme fila se formou para conseguir um autografo do mestre italiano ao fim de sua apresentação.

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