O Impulso HQ acompanhou a palestra de Joe Bennett, um dos principais artistas brasileiros que desenham para os Estados Unido, que aconteceu no 17º Fest Comix, que ocorreu no último fim de semana em São Paulo.

Intermediada por Mauricio Muniz (editor da Gal, mas que na ocasião estava representando a revista Mundo dos Super Heróis), a palestra foi marcada pelo bom humor do desenhista – que chegou até a interromper sua apresentação por alguns segundos para atender um telefonema de sua mãe.

Como de práxis, Bennett iniciou falando do seu gosto por quadrinhos, que começou ainda na infância. “Quando eu tinha 5 anos meu pai me trouxe algumas revistas da Bloch [nota: extinta editora que publicou quadrinhos de super-heróis na década de 1970] e eu comecei a copiar o Thor de Jack Kirby”.

“Meus heróis nunca foram as criaturas e sim os criadores, eu não apreciava Homem-Aranha, Quarteto Fantástico etc. eu apreciava Jack Kirby, Steve Dikto, Hal Foster e Lee Falk”, disse.

Mauricio Muniz e Joe Bennett

Bennett comentou que a primeira oportunidade de trabalhar com quadrinhos surgiu aos 17 anos, contratado pelo editor Franco de Rosa para desenhar HQs de terror e eróticas. “Franco de Rosa me ensinou a ser rápido, eu tinha que fazer 60 páginas por mês”, lembra o desenhista.

Essa produção de Bennett foi notada por Hélcio de Carvalho, que então iniciava seu trabalho como agenciador de desenhistas brasileiros para o mercado exterior. “Quando o Hélcio me ligou, em 1991, eu achei que no mês seguinte já estaria desenhando o Hulk, mas as primeiras oportunidades só surgiram em 1992 trabalhando para editoras pequenas, aprendendo o ofício e levando calotes até que entrei na Marvel”.

Sobre sua estadia na Marvel, falou: “Eu me sentia como uma amante que ficava esperando seu amado se separar da mulher para se casar com ele. A Marvel vivia me prometendo um título fixo, mas nunca me deu nenhum. Até que, depois de um trabalho para a DC, a editora do Superman me ofereceu um contrato de exclusividade”.

Sobre as condições de trabalho com um contrato de exclusividade, revelou: “é bom trabalhar sob contrato, os caras são obrigados a sempre te mandar trabalho, te dão um bônus no final do ano e não pedem para ver layouts das páginas. A parte ruim é que, como eu desenho muito rápido, faço todas as páginas em 15 dias e fico o resto do mês não fazendo muita coisa, tempo em que poderia pegar outros trabalhos, mas não posso devido ao contrato”, mas ressaltou: “Trabalhar sob contrato é bom porque te dá mais segurança”.

Sobre o período em que trabalhou com Alan Moore, comentou: “Ele é muito detalhista, eu ficava até com medo de esquecer alguma coisa do roteiro, vai que o cachorrinho que passa no fundo de uma cena se transforma num vilão poderoso mais adiante”, brincou o desenhista paraense que completou: “Desse trabalho eu lamento duas coisas: não ter tirado Xerox do roteiro que recebi por fax [que apaga com o tempo] e ter feito num estilo na linha Image, que era o que eu tinha que fazer na época”.

Em seguida, Bennett respondeu algumas perguntas do público presente. Uma delas foi se ele tinha vontade de escrever e desenhar um mesmo título. “Não tenho essa presunção, eu gosto de um bate-bola, de trocar idéia e ver a coisa se desenvolvendo de forma colaborativa”, respondeu.

Sobre o mercado brasileiro, disse: “eu adoraria trabalhar para o Brasil, se eu ganhasse a mesma coisa que ganho trabalhando pra fora, eu pararia na hora para me dedicar ao trabalho aqui”. E que trabalho gostaria de desenvolver? “Gostaria de fazer super heróis, mas no estilo da era de prata”, revelou.

Quando o assunto foi os quadrinhos de super heróis da década de 1990, Bennett brincou: “Se um cara quiser se matar é só ler uma pilha de revistas daquela época ouvindo um CD do Calypso. É um ambiente perfeito para um suicídio”.

Bennett comentou que não costuma acompanhar seu trabalho quando este sai impresso. “Eu nunca gosto dos meus desenhos quando os vejo nas bancas, percebo que ainda falta muita coisa pra mim”, disse o modesto desenhista que ainda completou: “Ivan Reis, em minha opinião, é o melhor desenhista de super-heróis e García Lopes o desenhista mais completo, que consegue trafegar por diversos gêneros”.

Finalizando a palestra, comentou que quadrinhos é a mais difícil das artes “porque o desenhista tem que ser diretor geral, diretor de fotografia, figurinista, arquiteto, engenheiro mecânico e outras coisas mais para fazer uma revista que o leitor vai passar apenas 10 minutos lendo”.

Também sugeriu aos desenhistas aspirantes a utilizarem os meios sociais da internet para divulgarem seus nomes. “Os editores da Marvel sempre observam o deviantART em busca de novas pessoas”, finalizou.

Alexandre ManoelquadrinhosDC Comics,Fest Comix,Joe Bennett,Maurício MunizO Impulso HQ acompanhou a palestra de Joe Bennett, um dos principais artistas brasileiros que desenham para os Estados Unido, que aconteceu no 17º Fest Comix, que ocorreu no último fim de semana em São Paulo. Intermediada por Mauricio Muniz (editor da Gal, mas que na ocasião estava representando a...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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