Muito aguardada, a última palestra do sábado dessa décima sétima edição da Fest Comix, foi com o quadrinhista inglês David Lloyd, mundialmente conhecido pela série V, de Vingança, que fez em parceria com Alan Moore, que durante o evento estava divulgando o seu mais recente lançamento no Brasil, a graphic novel Kickback, pela HQM Editora.

Com certeza foi a palestra mais lotada do dia, o auditório com espaço para 120 pessoas foi pequeno e algumas pessoas ficaram em pé, mas nada que fosse atrapalhar o andamento da palestra, ao contrário, durante todo o momento o quadrinhista demonstrava-se satisfeito com o número de presentes dentro da sala, entre eles o VJ da MTV Cazé Peçanha e Marcela Godoy que fez a adaptação dos diálogos de Kickback, que viu David Lloyd sempre muito alegre e sorridente.

Já aplaudido logo ao entrar na Arena Mix, espaço aonde ocorreram todas as palestras, David vinha de uma sessão de autógrafos dos fãs que apareciam a todo o momento, e os representantes da HQM Editora anunciaram que quem quisesse pegar o seu atutógrafo deveria colocar o seu nome da lista de espera, que após a palestra o quadrinhista voltaria a autografar.

David agradeceu a presença de todos e comentou como está muito feliz em ter sido convidado por um evento como a Fest Comix, ainda mais porque ele teve a oportunidade de voltar ao Brasil (o quadrinhista já tinha visitado o nosso País anteriormente, visitando Belo Horizonte) e focou a palestra na edição brasileira de Kickback. A graphic primeiro foi publicada na França e depois nos EUA, pela Dark Horse.

O quadrinhista começou falando das referências que se utilizou para produzir a história, que fala de corrupção dentro de uma corporação policial, e confessa que sempre teve vontade de fazer uma graphic novel com características de filmes de histórias policiais mais retro como Bullets e Dirty Harry.

Sobre o por que de se produzir Kickback totalmente sozinho, David comentou que queria fazer algo com total liberdade e que ele gostaria de ter controle total, e também que teve sempre uma vontade de poder desenhar o que ele escreve. E completou dizendo que depois dessa experiência ele descobriu que não há nada melhor do que escrever e desenhar a própria história.

Sobre o conteúdo de Kickback o quadrinhista afirmou que apesar de simular a realidade as armas mostradas na obra foram todas inventadas, menos o revolver, e apesar de imaginária a cidade aonde se passa a história parece muito com São Paulo, ou com qualquer outra cidade grande, todas enfrentam perigos como corrupção, drogas e violência.

E nesse quesito corrupção, o autor afirma que Kickback se aproxima de V de vingança, que mostra um governo corrupto tentando controlar tudo e a todos, enquanto em Kickback é um policial corrupto dentro de uma polícia corrupta. Kickback tem uma outra mensagem.

O público foi muito participativo e fez perguntas sobre diversos temas. Questionado sobre qual a sua opinião sobre histórias em quadrinhos japonesas, os mangás, David afirmou que não gosta das histórias que fazem os personagens com os olhos muito grandes, que prefere o traço mais realista, no estilo apresentado em Lobo Solitário.

O quadrinhista inglês também revelou o seu processo de colorização para Kickback. Após os desenhos finalizados, ele escaneou a arte, fez um primeiro tratamento no Photoshop, depois pintou com lápis de cor e para finalizar voltou a usar o software para colorir. David afirmou que foi a sua intenção manter a textura do lápis de cor no papel, e completou que foi a primeira vez que ele usou certos efeitos do programa.

Continuando sobre o assunto colorização, o quadrinhista respondeu que pintar com lápis de cor para ele é muito rápido e fácil, e que ele demora em média cerca de 15 minutos por página.

Quando perguntado sobre o que ele achava sobre as declarações de Alan Moore, que deu uma entrevista falando sobre os Royalties de filmes, David Lloyd respondeu que ele já tinha ouvido a falar a respeito de tal declaração e que ele não gosta de falar sobre os seus ganhos e gosta menos ainda de terceiros falando sobre o assunto, e concluiu que Alan Moore fala não tem nada a ver com ele. Após essa declaração o quadrinhista foi muito aplaudido.

Questionado sobre webcomics e se ele acha que esse é o futuro dos quadrinhos, o quadrinhista respondeu que não acha que as revistas em papel não vão acabar, e que na sua opinião as webcomics são uma excelente maneira do artista divulgar uma prévia da história. Ele afirmou que criativamente não se vê produzindo algo para web, e que devem ter formas melhores de se fazer quadrinhos para Internet, e completou dizendo que acha horrível as motion comics que ele viu até agora.

David citou o pesquisador de quadrinhos Scott McCloud, que em um dos seus livros afirma que não é só colocar uma página de quadrinhos em um monitor, que você tem que prever certas coisas, como por exemplo, a barra de rolagem. Concluiu dizendo que quadrinhos na Internet tem muito potencial, mas o futuro mostrará que não é apenas escanear a página para um computador.

Sobre uma possível adaptação para filme, David respondeu que gostaria sim de ver a sua obra no cinema porque acredita que seja uma história fácil de se adaptar para essa mídia, e informou que já tiveram produtoras com esse objetivo, mas como os direitos da obra são da Dark House, que não demonstrou interesse ele não pode fazer nada. Concluiu dizendo que no próximo ano os direitos sobre a obra serão dele novamente, e que com certeza ele irá correr atrás disso.

O quadrinhista afirmou que acha interessante essa transposição de quadrinhos para o cinema porque mantém a mídia de quadrinho viva. E deu exemplos que só conheceu algumas histórias em quadrinhos porque soube que iriam ser adaptados para o cinema ou TV, como Cowboys VS Aliens e Walking Deads.

Sobre a repercussão de Kickback na Inglaterra, David afirmou que as histórias em quadrinhos são um pontinho no radar cultural daquele país, e que a HQ não gerou nenhuma polêmica ou teve qualquer reação política. Mas o artista disse que acha melhor dessa maneira, pois prefere evitar o conservadorismo inglês.

O autor disse que no momento não está em nenhum outro projeto grande como Kickback, mas que gostaria de fazer outra graphic novel sozinho. Atualmente está fazendo histórias curtas para a DC Comics, e concluiu que de agora em diante, parcerias só de histórias pequenas.

Carlos Costa, editor da HQM Editora e Marcela Godoy

Para finalizar, quando perguntado se ele gostaria de ver alguma história que ele escreveu no traço de outro quadrinhista, David Lloyd respondeu com um enfático não, depois de uma pausa de suspense, algo que arrancou algumas risadas e aplausos da platéia.

Terminada a palestra os organizadores perguntaram mais uma vez se tinha alguém que não tinha colocado o seu nome na lista de espera de autógrafos que o autor iria voltar à área reservada para essa finalidade. E como era de se esperar a platéia foi em peso para a fila em busca do seu autógrafo.

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Renato LebeauquadrinhosDavid Lloyd,Fest Comix,HQM Editora,KickbackMuito aguardada, a última palestra do sábado dessa décima sétima edição da Fest Comix, foi com o quadrinhista inglês David Lloyd, mundialmente conhecido pela série V, de Vingança, que fez em parceria com Alan Moore, que durante o evento estava divulgando o seu mais recente lançamento no Brasil, a...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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