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Esse é o segundo texto de Patrícia M. Borges referente a sua palestra do Universo Feminino nas HQs, ministrada na semana temática “O Universo Multicultural das HQS”, no Centro Cultural Ruth Cardodo.

Patrícia M. Borges é a autora do livro “Traços Ideogramáticos na linguagem dos Animes”, que tem o lançamento datado para o mês de Março (saiba mais aqui), é doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

O seu livro é um lançamento é da editora Via Lettera e conta com o apoio da Fundação Japão.

O que você vai ler a seguir é um resumo de sua palestra e aqui são apontados os tópicos abordados durante a sua apresentação.

O Impulso HQ agradece a imensa colaboração de Patrícia M. Borges.

O Universo Feminino nas HQs

Texto de: Patrícia M. Borges   PhD.

A Indústria Cultural se utiliza o mito do herói como uma forma de sedução do grande público, reinventando novas personagens, heróis e heroínas, criando personalidades com a evidência de artistas, seres humanos comuns que acabaram se transformando em semidivindades.

Foram os quadrinhos que acabaram por se tornar o meio de comunicação mais associado aos heróis e heroínas da atualidade, passando a ser explorado no universo gráfico, eletrônico e virtual através de algumas autoras e leitoras que se identificaram com uma infinidade de personagens da História em Quadrinhos: femininas, bravas, sensuais, determinadas, oportunistas, encantadoras, guerreiras, enfim, mulheres “reais” assim como nós!

Algumas destas personalidades foram brevemente comentadas, seguindo-se das imagens para referência.

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Pafúncio e Marocas
Criação de George McManus (1913), que mostra conflitos familiares. Neste período as tiras de quadrinhos retratavam relações familiares com humor; situações entre donas de casas e seus maridos. As histórias eram publicadas em jornal e voltadas para o público adulto.

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Betty Boop
A personagem Betty Boop tem olhos enormes, lábios no formato de coração, cabelo curto e escuro; freqüentemente aparece usando um vestido curto e com uma liga na coxa. Criada por Max Fleischer, Betty Boop foi considerada a grande revolucionária garota dos anos 1930, quem apresentou a mulher no mundo dos quadrinhos e dos desenhos animados, esbanjando sensualidade, charme e sedução.

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Blondie
Chic Young criou em 1930 as aventuras de uma típica dona de casa da classe média norte-americana chamada Belinda. A idéia foi retratá-la como uma jovem bonita, uma secretária que acaba se casando em uma memorável sexta-feira, 17 de fevereiro de 1933.

Belinda então, deixou de ser uma jovem fútil e despreocupada para se tornar um modelo de esposa e mãe. Tornou-se a encarnação da mulher americana ideal.

O aspecto familiar é ainda mais evidente com o nascimento do seu primeiro filho, Alexander, o Baby, seguido, sete anos depois, por Cookie. O elenco familiar completou-se com a chegada da cachorra Daisy e seus cinco filhotes.

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Annie Fanny
Siliconada e divertida, apareceu na Playboy em 1960.
Suas histórias satirizavam alguns símbolos sexuais do cinema de Hollywood. Cabelos loiros, olhos azuis, seios grandes, coxas deslumbrantes, mas, pouco inteligente.

Ferdinando e sua eterna namorada: criação de Al Capp. As histórias criticavam a sociedade de forma humorística. Ferdinando era um personagem ingênuo que vivia no campo e vivia se esquivando de se casar.

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Red Sonja
Bárbara, sexy, interesseira, heroína da época do Conan.

Os primeiros heróis e suas namoradas
Nas décadas de 1920 e 1930 as mulheres eram somente coadjuvantes nas histórias.

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Super-Heroínas

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O sucesso da heroína foi enorme entre os homens (mas também entre as mulheres) que acabaram por projetar na Mulher Maravilha as suas expectativas sobre a mulher ideal.

Exceto a Mulher Maravilha, o aparecimento de mulheres entre os heróis até então ficava em plano secundário.

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Algumas vilãs, como a Mulher Gato foram inventadas com a principal intenção de suprir as expectativas masculinas e não como representação da força feminina. Até os dias de hoje, a Mulher Gato fascina os homens por suas características: ela é fria, racional, maliciosa e sensual.

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Vampirella
Lançada em 1969, estreou na antiga editora norte-americana Warren, nas páginas de Creepy e Eerie e posteriormente ganhou uma revista própria. Originalmente, ela é uma vampira extraterrestre de um planeta onde os rios eram de sangue.

Tem cabelos escuros e longos, olhos claros, quadris largos, seios fartos e pernas bem torneadas; usa geralmente um maiô vermelho com um morcego dourado na altura da virilha, botas negras, brincos, um bracelete no braço direito e pulseiras no braço esquerdo. Combate sem descanso o conde Drácula e as forças do Deus doido Chaos (Caos, no Brasil) que querem dominar a Terra.

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Elektra
Criação de Frank Miller no ano 1981, revolucionou a forma das personagens femininas serem retratadas. Com músculos e violência, mas sem perder a sensualidade, a ninja era perita nas artes marcias. Aparecia nas histórias contracenando com o Demolidor.

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Barbarella
Criação européia nos quadrinhos que foi ao cinema na década de 1960. A personagem, além de reunir todas as características apreciadas pelo público masculino; bonita, provocante, charmosa, ela é também, muito aventureira. Está sempre a procura de novas experiências de vida e não deixa de ter disposição para fazer sexo com homens e também com robôs.

O encantamento do público pela Barbarella mais uma vez evidencia o fato de que a criação histórias que reúnem a sensualidade da mulher e o lado da ficção científica está presente no inconsciente coletivo masculino.

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Valentina
Valentina Rosselli foi criada em 1965, pelo italiano Guido Crepax, inspirado na sua mulher. Em 1967 tornou-se a protagonista das histórias e passou a ser chamada de Valentina. Fisicamente, Valentina corresponde ao ideal de beleza – é magra e muito sexy.

Suas histórias causaram duas revoluções no mundo dos quadrinhos: a primeira refere-se ao fato de substituir a personagem principal, tornando-se o centro de atenções nas histórias.

Outra revolução feita dentro da História em Quadrinhos, foi por apresentar histórias dispostas de grande riqueza e quantidade de citações artísticas, cinematográficas, literárias, quadrinísticas, entre outras.

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Rever as Estrelas, de Milo Manara
Trata-se da história de uma personagem principal que passeia por entre as obras de arte de vários estilos, através do mecanismo de imersão despertado pela leitura de um livro.

Neste, as temáticas da ficção e da “realidade” se misturam, como também o processo de leitura da história vivido pelo leitor, no momento em que ocorre um simulacro da ação vivenciada pela personagem – compartilhamos da mesma experiência quando nos projetamos na história (ficção) ao folhear suas páginas.

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Julia
Julia é uma criminóloga, criada da década de 1980, pelo italiano Berardi; no Brasil vende como as aventuras de uma detetive.

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Maitena
Os quadrinhos humorísticos de Maitena são inspirados nas situações cotidianas vividas por todos os tipos de mulheres, desde as solteiras, as adolescentes, as casadas com ou sem filhos, divorciadas, infelizes, modernas ou não…

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Modotti
Uma mulher do século XX Àngel de la Calle Tina Modotti é uma das mulheres mais fascinantes do século XX. Estrela de Hollywood, grande fotógrafa e militante comunista, lutou na Guerra Civil Espanhola e agiu como espiã soviética na Berlim nazista.

Viveu perigosamente e morreu misteriosamente. Nesta emocionante biografia em quadrinhos, Ángel de la Calle tenta desvendar os mistérios da vida e da morte de Tina Modotti e nos conta a história real de um mito do século XX.

Tina Modotti foi uma revolucionária de todas as vanguardas de seu tempo, artísticas e políticas.

Este livro refaz os passos da revolucionária: sua infância em uma pobre cidade italiana, sua passagem pelo cinema, sua vida escandalosa no México, sua vida de espiã, sua luta na Guerra Civil Espanhola e sua morte ainda sem explicação.

Ángel de la Calle trabalhou durante 15 anos nesta biografia de Tina Modotti e, em 2003, lançou sua primeira parte.

As femininas do humor: Minie, Margarida, Luluzinha e Mônica.

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Heroína das histórias em quadrinhos do cartunista argentino Quino (1964 – 1973), Mafalda com apenas 7 anos de idade é uma menina extremamente politizada e preocupada com a humanidade e a paz mundial.

Heroínas brasileiras

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Velta: heroína brasileira de 3 metros de altura.
Criação de Emir Ribeiro.

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Mirza: a Mulher Vampiro.
Criação de Eugenio Colonnese.

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Maria Erótica, de Claudio Seto (1970

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Rê Bordosa
Criação de Angeli, em 1984, a personagem parece ter uma alma masculina, já que muitos de seus comportamentos se assemelham aos de homens solteiros: vive num ambiente extremamente bagunçado, com latas de cerveja e bitucas de cigarros espalhadas pelo chão. Seus prazeres da vida incluem muito sexo, drogas e bebidas.

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Radical Chic
Criada por Miguel Paiva, nos anos 1980, serviu de referência para muitas mulheres na época que se identificaram com sua personalidade e visual.

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Graúna: ave “feminista” (crítica à política nacional e ao desdém do nordeste). Criação de Henfil.

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Amana aos Deus dará é a primeira graphic novel escrita e desenhada por uma mulher no Brasil. Numa reportagem da Folha de São Paulo comentou-se “Acho que falta um olhar feminino nas histórias em quadrinhos.

Nos Estados Unidos tem algumas autoras como a Jessica Abe, mas na Europa e no Brasil não se vêem muitas. O homem, mesmo que escreva no feminino, nunca vai ser igual à mulher.

É legal que exista essa diferença”. HQ que narra a aventura de uma mulher brasileira em meio a um país preconceituoso e perigoso.

Nesta HQ “Mas ele diz que me ama”, a autora usa o pseudônimo de Rosalind para mostrar aos leitores o perigo em se submeter a uma relação psicológica subserviente…um álbum que deveria estar em todas as delegacias de mulher.

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Sandman (e sua irmã “Morte”), do inglês Neil Gaiman é aclamado, principalmente pelo público feminino, que vê suas histórias em quadrinhos uma “literatura” muito querida, principalmente pela composição de seus elementos narrativos.

O Universo Feminino nos Mangás

As revistas destinadas ao público feminino no Japão são denominadas shojo mangá. É comum retratarem temas ligados aos sentimentos amorosos, as angústias e aos sofrimentos das adolescentes num clima totalmente romântico.

A maioria das histórias possui como “pano de fundo” ambientes do cotidiano, como também retratam aqueles idealizados pelas mulheres: o típico ambiente romântico dos contos de fadas, com jardins imensos e muitas flores.

Há uma quantidade infinita de histórias e personagens femininas publicadas nos mangás, por esta razão, nos deteremos apenas numa heroína chamada Chihiro, acreditando ser a mais conhecida aqui no Brasil.

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Chihiro
Na história de Chihiro, vemos retratar a situação da criança ou pré-adolescente que passa a ser adulto, adquirindo novas preocupações e deixando para trás um mundo onde sempre outros decidiam por elas e nada tinham com o que se preocupar.

Entre muitas dificuldades, no caminho destinado, Chihiro se depara com situações de metamorfose e transformação e é obrigada a realizar tarefas entre as quais jamais havia se envolvido, como ter de cumprir a missão de resgatar seus pais.

É a típica representação do rito de passagem na vida moderna, que também pode ser representado pelas cerimônias de nascimento, atribuição de nome, puberdade, casamento, etc.

Por fim, apresentaremos uma história de mangá voltada para mulheres da faixa dos 30 anos de idade, entendendo ser a mais significativa para o universo feminino.

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マルガリタ
“Mel de Abelhas”
autora: Fuyumi Ogura

A continuação do texto será publicado no próximo post referente aos textos de Patricia M. Borges, e será dedicado exclusivamente para a história “Mel de Abelhas”.

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