Antes de retomarmos a sequência de animações do Homem Morcego que seguiriam alicerçando a primorosa versão animada do Universo DC é importante abrir espaço para comentar os especiais de Batman The Animated Series – longas em animação feitos diretamente para TV, formato praticado até hoje pela Warner Bros.

Batman A Máscara do Fanstasma foi ao ar na TV estadunidense pela primeira vez em 1993. É a história mais reveladora sobre a origem do Cavaleiro das Trevas na versão animada. Por meio de flash backs somos apresentados a um Bruce Wayne dez anos mais jovem e que ainda não sabia como levar medo aos corações de criminosos supersticiosos e covardes. Nesse período, ele conhece e vive um romance com Andréa Beaumont, filha de um empresário com negócios escusos no submundo.

A trama flerta em alguns momentos com elementos da HQ Batman Ano II, escrita por Mike W. Barr e ilustrada por Todd McFarlane e Alan Davis. Bruce chega a cogitar não cumprir sua promessa de se tornar um combatente do crime para levar uma vida normal ao lado da mulher que ama, mas circunstâncias extraordinárias mudam tudo.

No tempo presente, Batman sai à caça do Fantasma que está assassinando os chefões do crime de Gotham e depara-se novamente com Andréa e o Coringa – na versão animada, sua origem está associada ao crime organizado, exatamente como no Batman de Tim Burton, tão importante para esse desenho.

A aventura é uma das melhores adaptações do personagem para o meio áudio-visual e merece ser conferida. A versão brasileira conserva as vozes da série normal e traz Marisa Leal como a linda Andréa (Dana Delany no original).

O longa-metragem animado “Batman & Sr.Frio: Abaixo de Zero”, de 1998, soa como um “é assim que se faz um filme do Batman” se é que vocês me entendem. Na época um certo diretor chamado Joel Schumacher interpretou o Batman de forma tão equivocada, acreditando piamente que “é divertido ser o Batman, por isso ele é o Batman. Ele tem as mulheres, o carro e os brinquedos legais…” Bom… Como todos devem saber seus filmes jogaram uma pá de cal sobre o Batman no cinema… Até Batman Begin em 2005 (mas isso é assunto pra outro dia).

O caso é que essa animação relega Batman a um papel coadjuvante em sua própria aventura para narrar com muito bom senso uma trama centrada em Bárbara Gordon, a Batgirl, e o destino de Nora Freeze, esposa do Sr.Frio. O clímax e final do filme surpreendem e emocionam. É sensacional. A versão brasileira teve dublagem paulista, com Sérgio Moreno (voz do Ken de Street Fighter) no papel de Batman e, no geral, infelizmente peca pela desarmonia com as vozes com as quais estávamos acostumados.

Vamos então seguir pelo universo animado da DC com The Adventures of Batman & Robin, cujo início se dá a partir do episódio 30 de Batman The Animated Series, sendo exibida de 1994 e 1995.

Se em Batman The Animated Series a qualidade dos desenhos era boa, agora as coisas ficariam excelentes (com poucas, mas impertinentes exceções). A melhora e avanço são perceptíveis na animação, mais dinâmicas e com desenhos mais arrojados. As tramas têm enredos dos mais instigantes em que Batman e Robin vivem grandes aventuras e a galeria de vilões de Gotham está de volta propondo desafios incríveis. Um amigo meu costuma definir a qualidade dessa série com o gracejo jocoso “essa fase do desenho é tão boa que o Robin e o Bane estão lá e não atrapalham”.

Sim, Bane, o vilão que quebrou o morcego na saga Knight fall (A queda do Morcego no Brasil) ganhou versão animada num episódio em que tentou, sem sucesso, partir o Batman. Outros elementos dos quadrinhos do período acabaram repercutindo em um ou outro episódio sem comprometer o que a versão animada sempre teve de melhor: a capacidade de reler o universo DC numa versão melhor, mais arrojada e coesa.

Não consigo pensar em nada melhor do que o episódio é julgado no Asilo Arkham, tendo o Coringa como juiz, Duas Caras na acusação e a promotora que tentava acabar com sua carreira como sua única defensora. É uma preciosidade o instante em que os vilões chegam ao veredicto “Batman é inocente, mas como somos assassinos insanos, vamos matar vocês assim mesmo”.

A execução é conduzida para uma sala em separado. A promotora, que odiava o Batman, lança um bat-rangue na lâmpada, deixando tudo escuro. O coringa diz “não entrem em pânico” e você ouve o som de socos. O palhaço completa “tudo bem, podem entrar em pânico agora”. A conclusão mostra a promotora dizendo para Batman que ele não é o responsável pela vilania de Gotham, mas que continuaria a lutar para que a cidade não precisasse do Cavaleiros da Trevas. “Eu também” ele diz.

Na TV a cabo brasileira a chamada para Batman & Robin Adventures apresentava cenas de ação do desenho embaladas pela trilha sonora ímpar de Danny Elfman e por frases como “O herói da noite… O segredo mais bem guardado de Gotham… O Cavaleiro das Trevas em novas aventuras”.  Já na TV aberta, a exibição se deu em 1998 pela Rede Record com êxito de audiência. A versão brasileira continuava a contar com o talentoso elenco de vozes da Herbert Ritchers.

Semana que vem neste mesmo bat-site, a jornada de animações que veio a consolidar a versão áudio-visual do Universo DC continua com a ascensão de Superman, ícone máximo da editora, na telinha. Fiquem ligados no Impulso HQ.

Dennis RodrigoquadrinhosBatman,Batman The Animated Series,DC Animated,DC ComicsAntes de retomarmos a sequência de animações do Homem Morcego que seguiriam alicerçando a primorosa versão animada do Universo DC é importante abrir espaço para comentar os especiais de Batman The Animated Series – longas em animação feitos diretamente para TV, formato praticado até hoje pela Warner Bros. Batman A...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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