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Visto no Giornaletto Estúdio e Produtora – Por Bruno Moreschi

Mauricio de Sousa fala sobre a trajetória de seus personagens, os desenhistas que admira e os planos para inaugurar o Parque do Cebolinha.
Mauricio de Sousa, 72, é como os personagens da Turma da Mônica: não pára de aprontar.

Ele avisa que, até o final de 2008, Cebolinha ganhará um parque só seu no Shopping Center Norte. Será um local parecido com o Parque da Mônica, no Shopping Eldorado.

Os primeiros personagens que criou foram Bidu e Humberto, em 1959. Passaram-se 48 anos e, hoje, Mauricio conta com uma equipe de quase cinqüenta desenhistas. Faltando ainda dois anos para o cinqüentenário de seus personagens, as revistinhas continuam nas bancas, o filme Turma da Mônica e Uma Aventura no Tempo está em cartaz nos cinemas e, na semana passada, três livros comemorativos foram lançados.

Em dois deles, estão as tirinhas clássicas, quando os personagens não possuíam os contornos suaves de hoje. O terceiro livro é diferente. Resgata seu próprio passado em forma de quadrinhos.

Em Mauricio de Sousa – Biografia em Quadrinhos, estão o nascimento do autor na pequena Santa Isabel, em São Paulo e sua infância em Mogi das Cruzes (muitos dos personagens, como o Cebolinha, foram inspirados em colegas da época).

A obra também mostra o início de carreira como repórter policial na antiga Folha da Manhã até seu sucesso com a Turma da Mônica. Confira trechos da conversa com Mauricio para o Portal Veja São Paulo:

Nesses 48 anos de Turma da Mônica você acha que a criança brasileira mudou?
Não só a criança brasileira, mas meus próprios personagens. Hoje a criançada tem mais liberdade para olhar nos olhos dos adultos e exigir seus direitos. É fato que em alguns casos a liberdade extrapola. Muitos pais soltam completamente seus filhos antes mesmo que eles consigam “voar sozinhos”.

Nos casos dos meus personagens, se você ler as primeiras tirinhas do Cebolinha, por exemplo, vai perceber que ele era muito mais maldoso, mais politicamente incorreto do que hoje. Tive que dar uma suavidade, mas hoje provavelmente não iria precisar fazer isso.

De onde surgiu seu interesse pelo desenho?
Como qualquer cara que gosta de tirinhas, queria desenhar minhas próprias histórias. Era amante de personagens clássicos, como o Espírito, do norte-americano Will Eisner. Também admirava o velho e bom Popeye, de E. C. Segar, o Garfield, de Jim Davis e o homem primitivo Alley Oop, criado por Vincent T. Hamlin e que no Brasil ficou conhecido como Brucutu. Também devorava qualquer desenho de ficção científica que aparecia na minha frente.

E como você virou desenhista?
Esse caldo de influências foi ficando na minha cabeça e quando vi estava, com a ajuda desses mestres, criando meus próprios personagens. Eu fiz o Bidu quando era repórter policial do jornal Folha da Manhã [hoje, Folha de S. Paulo], em 1959. Das tiras do cãozinho, saíram Cebolinha, Humberto e Piteco, o homem primitivo. O grande problema é que nesta época nenhum personagem brasileiro de histórias em quadrinhos se mantinha por muito tempo. Minha idéia então foi vender as tirinhas não para apenas um jornal, mas sim, distribuir para todos que se interessassem. A demanda foi crescendo junto com o trabalho e outros personagens tiveram que surgir.

Teve algum que foi mais complicado para ser criado?
O Horácio demorou 30 anos para sair da minha prancheta. Ele é o Mauricio em forma de dinossauro. Como tratava-se de um projeto muito pessoal me custava mostrar para a equipe e até hoje só eu posso desenhá-lo. É um espaço do papel que posso criar fábulas com elementos que não se encaixam nas outras histórias da Turma da Mônica.

Quando vou desenhar a Magali, por exemplo, eu preciso virar a Magali. No Horácio, não preciso. Um dia descobri que amigos distantes liam o Horácio para saber novidades da minha vida, se estava triste ou alegre. Quando fiquei sabendo que estava me expondo demais passei a tomar mais cuidado (risos).

Qual o segredo de um bom quadrinho?
Muita gente pode pensar que o mais importante é o traço, mas isso não é verdade. O que faz uma boa história em quadrinho é o texto.

Hoje qual é a sua contribuição nas centenas de histórias da Turma da Mônica que são criadas?
Tudo passa por mim. Eu analiso, sugiro, penso em saídas para todas as histórias que a minha equipe de 50 artistas produz. No roteiro, percebo se o estilo, o ritmo, a mensagem e o comportamento dos personagens estão de acordo com o que penso deles. Quando há alguma sugestão de mudanças, nos reunimos e discutimos o quanto for necessário.

Fonte: Veja São Paulo

Visto no Giornaletto Estúdio e Produtora – Por Bruno Moreschi

Renato LebeauquadrinhosVisto no Giornaletto Estúdio e Produtora - Por Bruno Moreschi Mauricio de Sousa fala sobre a trajetória de seus personagens, os desenhistas que admira e os planos para inaugurar o Parque do Cebolinha. Mauricio de Sousa, 72, é como os personagens da Turma da Mônica: não pára de aprontar. Ele avisa que,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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