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Visto no Almanaque Virtual – por Daniel Russell Ribas

A ressurreição do mito das sombras brasileiro continua. Depois do filme e da HQ, é a vez de um livro direcionado um público-alvo pouco usual considerando seu malévolo autor: as crianças.

O livro horripilante de Zé do Caixão, ilustrado por Laurent Cardon, é uma coletanea de sete contos escritos por aquele cujo nome não deve ser dito.

José Mojica Marins, um nome mais conhecido por suas contribuições no cinema, traz sua visão do horror nosso de cada dia para o universo infantil e entrega um livro que conquista pela aparente simplicidade e a sofisticação com que trabalha assuntos de sua temática adulta no universo infantil.

As histórias são, como as tramas originais de horror e/ou de contos-de-fadas (que, para muitos, tem mais em comum do que se pensa), avisos em formato de narrativa. Os contos seguem uma linha moralista: se você fizer coisas ruins, será punido. Mas, se for bonzinho, todos gostarão de você.

Apesar de soar repetitivo em alguns momentos, conserva o interesse. A brevidade das narrativas é faz parte da principal característica do livro, uma compilação de fábulas urbanas. No entanto, ele é direto ao ponto.

O texto de Marins é direto, quase objetivo. Dentro disso, usa o humor e situações comuns ao universo infantil para seduzir o leitor. Ao mesmo tempo, comprova a intenção do autor de se aproximar deste imaginário, no lugar de querer levar seu público para um local desconhecido.

Mesmo assim, chama a atenção como Marins utiliza esta linguagem e cenários para inserir tópicos sombrios. Elementos inesperados como um protagonista que morre de leucemia e se torna um fantasma, um garoto que termina paralítico, uma menina espancada pelos colegas e racismo estão presentes.

No entanto, conforme dito, o contexto em que o autor trabalha as tramas suaviza as imagens fortes. Como pode ser notado na idade dos personagens, Marins busca uma faixa etária mais velha, em torno de 8 a 10 anos. Logo, são leitores que, de uma forma ou outra, estão familiares com conceitos como doença e violencia.

Conforme dito, o contexto realista que seu autor, mais conhecido pelas imagens surreais, utiliza, aproxima o autor das crianças. Apenas duas histórias utilizam personagens sobrenaturais e, mesmo assim, dentro de um cenário terreno.

Os contos se passam em locais mundanos, como escolas e clubes de natação. Os personagens também são construídos como arquétipos do universo escolar (os garotos malvados, a menina gorda, a mentirosa, …).

Esta opção é acertada, pois permite a identificação por parte do público-alvo e promove um senso de renovação na literatura de horror infanto-juvenil. Todo o terror surge como uma forma de punição e, sempre, se volta contra tanto a vítima quanto o agressor.

Marins, de forma, conta de outra forma a mensagem presente em toda sua obra: O verdadeiro horror vem do ser humano.

Com este livro, Marins mostra que a melhor opção é calar estes demônios desde jovem, quando a inocência ainda pode consertar os erros e trazer a compreensão e felicidade.

É um excelente livro e mostra a mão dautor em outras mídias. Assim, Marins prova porque é uma das vozes mais originais na cultura brasileira.

Serviço

Título: O livro horripilante de Zé do Caixão
Autor: José Mojica Marins (Zé do Caixão)
Páginas: 48
Preço: R$ 27,90
Editora: Panda Books

Visto no Almanaque Virtual – por Daniel Russell Ribas

Renato LebeauquadrinhosJosé Mojica Marins,Laurent Cardon,O livro horripilante de Zé do Caixão,Panda Books,Zé do CaixãoVisto no Almanaque Virtual – por Daniel Russell Ribas A ressurreição do mito das sombras brasileiro continua. Depois do filme e da HQ, é a vez de um livro direcionado um público-alvo pouco usual considerando seu malévolo autor: as crianças. O livro horripilante de Zé do Caixão, ilustrado por Laurent Cardon,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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