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Lançamento da Editora Desiderata, da dupla de franceses Jean-Christophe Camus (texto) e Olivier Tallec (desenhos), apresenta a cidade do Rio de Janeiro, como uma idílica capital brasileira dos anos 50, quando Copacabana despontava para o mundo como cenário tropical perfeito.

Os autores, entretanto, não recorrem ao clichê estrangeiro sobre o Brasil e sua democracia multirracial, que logo traz à lembrança o rebolado de mulatas quase desnudas em meio à praia e aos coqueiros.

O tema racial é abordado no lançamento de maneira poética e simples, mas nem por isso pouco fiel à realidade. Afinal, nem tudo são flores em Negrinha, que aborda o assunto, reforçando o abismo social que separa ricos e pobres no Brasil e o fato de os pobres serem, em sua maioria, negros sem escolaridade.

A musicalidade do samba, a força da bateria das escolas e a fé que mistura rituais católicos e africanos servem de tempero para os autores contarem uma história que une os dois lados do “paraíso tropical”.

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O prefácio do cantor e compositor Gilberto Gil, um dos brasileiros mais reconhecidos na Europa, reitera o interesse estrangeiro pela peculiar “formação sociocultural do Brasil” e, particularmente, a atenção que jornalistas, artistas e intelectuais franceses dispensam ao tema.

A seu ver “Negrinha é resultado desse histórico hibridismo que tem marcado a vida brasileira”. Grande nome do movimento tropicalista – que justamente apostava na capacidade nacional de absorver e misturar diversas influências culturais – Gil define o livro como uma “narrativa digna de seu sonho: a família filha de muitas raças, muitas religiões e muitas culturas”.

As tiras em cores fortes, que remetem a telas em aquarela, retratam a ambígua realidade brasileira por meio da trajetória da jovem protagonista Maria, uma menina de pele morena, filha da negra Olinda, que trabalha como empregada doméstica num luxuoso apartamento com vista para a praia de Copacabana e que deseja manter a menina afastada da vida na favela.

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Criada como parte da elite carioca, Maria freqüenta bons colégios e tem como amigas meninas brancas. O zelo de Olinda, no entanto, não impede que as amigas da filha se surpreendam ao conhecerem sua origem negra e, tampouco, que Maria reconheça a beleza de sua cultura ancestral e de sua cor.

Ao visitar a família de origem humilde da mãe na favela do Cantagalo (hoje Pavão-Pavaõzinho), numa das mais valorizadas paisagens cariocas, Maria entra em contato com um mundo desconhecido. Apesar da hospitalidade com que é recebida, a menina é vista como a filha da negra da favela que foi morar no bairro chique da cidade.

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A jovem conhece o preconceito em eufemismos como “você é uma morena de Copacabana, não é uma negrinha da favela” ou ainda “você não é uma negrinha, você é morena, é quase branca”. Mas o abismo que insiste em separar o morro do asfalto não é suficiente para a menina da cor do pecado, que se apaixona pelo ritmo e calor do samba e conhece na favela a doçura do primeiro amor.

Negrinha
Editora Desiderata
Jean-Christophe Camus e Olivier Tallec
Tradução: Fernanda Abreu
104 páginas
R$ 44,90

Renato LebeauquadrinhosCopacabana,Editora Desiderata,Fernanda Abreu,Gilberto Gil,Jean-Christophe Camus,Negrinha,Olivier TallecLançamento da Editora Desiderata, da dupla de franceses Jean-Christophe Camus (texto) e Olivier Tallec (desenhos), apresenta a cidade do Rio de Janeiro, como uma idílica capital brasileira dos anos 50, quando Copacabana despontava para o mundo como cenário tropical perfeito. Os autores, entretanto, não recorrem ao clichê estrangeiro sobre o...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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