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Criado em 2015 por Gabriela Borges, o projeto Mina de HQ é focado em divulgar o trabalho de mulheres que fazem histórias em quadrinhos. Atualmente, são quase 10 mil seguidores entre Twitter, Instagram e Facebook, mas para o projeto continuar, a jornalista e pesquisadora sobre a representação feminina e os discursos de gênero nos quadrinhos, iniciou uma campanha de financiamento contínuo coletivo no Apoia-se.

O Impulso HQ conversou com organizadora do projeto (totalmente independente), para saber mais da onde surgiu a iniciativa e qual o propósito do financiamento permanente. Gabriela, que sempre foi fã de quadrinhos, cresceu lendo Turma da Mônica (como quase todo mundo aqui no Brasil) e tirinhas de jornal separadas pelo pai, mas também se dedicava a outros gêneros, como os eróticos que o irmão herdou do avô.

“Mais velha, comecei a ler graphic novels e fiquei encantada com o trabalho de algumas autoras como Marjane Satrapi e Maitena. Quando morei na Argentina, entre 2010 e 2013, para fazer um mestrado em Antropologia, me aproximei muito dos quadrinhos de lá. Até que um dia uma amiga me deu a primeira edição da Revista Clítoris, uma publicação argentina independente de quadrinhos e feminismo, que teve quatro edições. Fiquei apaixonada pelo projeto e comecei a colaborar como jornalista, publiquei uma entrevista com a Laerte e uma reportagem sobre a personagem Aline, do Adão Iturrusgarai.”

A revista Clítoris acabou sendo o seu objeto de estudo e quando Gabriela voltou ao Brasil, ainda não existiam muitos trabalhos acadêmicos mulheres e quadrinhos e ela começou a ser convidada por alguns eventos, como o Ugra Zine Fest e o Encontro Lady’s Comics, para falar sobre o tema “representação feminina e os discursos de gênero nas historietas argentinas”.

A partir de 2015 as mulheres passaram a se unir muito, lutar contra a falta de visibilidade no mercado e em eventos, e Gabriela decidiu bolar um projeto que tivesse o objetivo de dar visibilidade ao trabalho incrível das quadrinistas, do Brasil e do mundo, nascia assim o Mina de HQ.

“O nome veio de uma ideia de mina de pedras preciosas com a de mina, mulher, menina. Convidei a artista mineira Anna Mancini, a Manzanna, para criar a personagem e comecei a publicar nas redes sociais. Muito de vez em quando publico também personagens femininas feitas por homens, mas isso é raro, porque fui percebendo que esse é um espaço que mostra para quem quiser ver a quantidade enorme de mulheres que fazem quadrinhos, a variedade de estilos e temas abordados, e a qualidade desses trabalhos.”

É importante observar que a campanha no Apoia-se descreve que o financiamento é para pesquisa e divulgação do trabalho de mulheres que fazem Histórias em Quadrinhos pelo mundo. Com esse viés, não é difícil imaginar que o projeto ultrapassará as barreiras digitais, e Gabriela não esconde a sua vontade de ir além.

“Lançar uma coletânea só de quadrinhos feitos por mulheres brasileiras é um sonho. Já até conversei com alguns editores sobre isso, mas nunca tive um retorno efetivo. Eu pensei em fazer como projeto independente e tentar publicar por meio de um financiamento coletivo, mas não consigo tocar isso sozinha agora. E realmente espero que as editoras especializadas, que têm dinheiro e estrutura para isso, apoiem mais o trabalho de mulheres.”

Gabriela pretende também organizar mais eventos, como o realizado em setembro passado, na loja paulistana Ugra, promover algumas campanhas em parceria com marcas e quadrinistas, e também gravar vídeos.

Gabriela reconhece a internet e as redes sociais como uma forte ferramenta para as mulheres ganharem mais espaço para publicar seus trabalhos de forma independente e conquistar o publico sem depender de uma primeira publicação impressa com uma editora.

Como exemplos práticos ela cita artistas como Bianca Pinheiro, Sirlanney, Fabiane Lagona e Germana Viana, mas também ressalta várias que não têm necessariamente um livro publicado por uma editora e, ao mesmo tempo, têm milhares de seguidores nas redes sociais, como Mariana Souza (@mari.ilustra), Cecília Ramos (@cartumante), Ivana (@dilemasdaivana) e Gabriela Masson (@LoveLove6).

Mas isso não significa que não é necessário movimentos como Mina de HQ. Apesar do crescimento contínuo de mulheres expondo os seus trabalhos nas redes sociais, Gabriela alerta que ainda há barreiras a serem ultrapassadas.

“Volto a dizer que falta um interesse real das editoras brasileiras em publicarem mais mulheres, dos prêmios em reconhecerem esses trabalhos, dos eventos em chamar as artistas para mesas que não sejam só sobre a perspectiva feminina. O meu papel por meio da Mina de HQ é chamar atenção para isso.”

Quem acompanha o mercado de quadrinhos no Brasil, percebe que nos últimos anos vê-se um crescimento de grupos e coletivos de quadrinistas que incentivam e apoiam as mulheres nos quadrinhos e Gabriela acredita que um fator específico contribui e muito para essas ações: as mulheres não admitirem mais serem invisibilizadas e não se calarem diante disso.

“É só prestar atenção no poder das redes sociais nesse sentido: as autoras conquistam seus públicos de forma independente e reivindicam reconhecimento usando o poder desse público. A gente ainda vê organização de evento divulgar a programação sem nenhuma mulher convidada com a desculpa de que não conhecem esses trabalhos. Acho que tudo isso fez com que os homens, que realmente se importam, pudessem reconhecer seus privilégios e usar o espaço já conquistado por eles para apoiar as mulheres. Espero de verdade que não demore muito para que as coisas sejam mais naturais e que não seja preciso tanta luta para que todo mundo tenha oportunidades iguais.”

Quando perguntada sobre quantas mulheres que vivem de quadrinhos o projeto Mina de HQ divulgou desde a sua criação, Gabriela é enfática ao afirmar que o número não importa tanto, mas considerando as publicações no Instagram, seriam cerca de 500 artistas diferentes de diversos países do mundo. Reconhecendo que ainda há muitas artistas a serem divulgadas, Gabriela indica dois bancos de dados que reúnem diversas artistas brasileiras e que podem ser consultados por qualquer um: O Guia dos Quadrinhos das Minas da Internet, organizado pelo site Minas Nerds, e o BAMQ!, organizado pelo Lady’s Comics.

Gabriela produz o Mina de HQ totalmente sozinha e por isso a campanha de financiamento contínuo coletivo criado no Apoia.se é tão importante para ajudar a manter esse trabalho. Qualquer colaboração mensal, a partir de R$5, ajuda, e MUITO, a manter o projeto.

Para conferir todos os detalhes de “Mina de HQ” e apoiar essa iniciativa, visite a página do projeto no apoia.se, clicando aqui.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2018/03/mina-hq-1.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2018/03/mina-hq-1-150x150.jpgRenato LebeaunotíciasquadrinhosGABRIELA BORGES,Mina de HQArte de Alejandra Lunik Arte de Aliens of Camila Arte de Cartumante Arte de Samanta Flôor Arte de Rega-me Arte de LaPendeja Arte de Dilemas da Ivana Facebook Twitter Instagram Youtube Criado em 2015 por Gabriela Borges, o projeto Mina de HQ é focado em divulgar o trabalho de mulheres que fazem...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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