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Visto no Brasil que Lê – Agência de Notícias

Ele é um dos mais famosos cartunistas do Brasil e já vendeu mais de um bilhão de gibis no mundo todo. Mas também é um dos escritores brasileiros mais admirados pelos leitores, de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. No levantamento, ficou entre os dez mais, à frente de nomes como Mário Quintana, Castro Alves e Luis Fernando Veríssimo.

Maurício de Sousa, mais conhecido como o criador da Turma da Mônica, nascido em Santa Isabel e criado em Mogi das Cruzes, perto de São Paulo, é um leitor compulsivo. E também tem outra compulsão: guardar tudo o que lê para, se for o caso e der tempo, ler de novo. Ele conta, aqui, como começou sua história de amor com os livros:

“Eu lia muito quando criança. Primeiro, gibis. Depois, livros. Era o tipo de leitor que as pessoas chamam de compulsivo. Queria ler sempre. Se pegava um livro interessante, não parava de ler até chegar à última página. Os gibis, comecei a ler antes mesmo de entrar na escola.

Primeiro minha mãe lia pra mim. Depois, por falta de tempo, preferiu me ensinar a ler, aos pouquinhos, letra por letra, sílaba por sílaba, palavra por palavra. Assim, em pouco mais de três meses, já podia soletrar as palavras escritas nos balões das histórias em quadrinhos.

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E, assim, fui “devorando” história após história, conhecendo os mais variados personagens e me deliciando com as descobertas que fazia naquela janela aberta para o mundo. Afinal, não havia televisão e o cinema não era para toda hora, pelo menos em minha idade, quase 6 anos. E eu morava em Mogi das Cruzes. Mas a curiosidade era maior do que a minha cidade, do que o meu país, do que o meu mundo. Queria mais e mais, pelas páginas dos gibis.

Depois de alguns poucos anos, as histórias em quadrinhos já não me bastavam. Acabavam logo. Eu lia rápido demais. E não era toda hora que havia gibis novos. Então, me caiu nas mãos um primeiro livrinho de história, bem infantil. Era a história de uma fadinha, com poucas cores, livro mal impresso e curto, texto simples. Li num pulo. Mas foi insuficiente. Queria mais.

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Foi quando meu pai comprou uma edição colorida, em papel encorpado, textos curtos e grandes ilustrações, de uma história do Mickey, O Matador de Gigantes, baseado num desenho animado de Walt Disney. Muito bem impresso. Adorei!

Lia e relia. Via e revia as lindas ilustrações. E queria mais. Até que fui “atropelado” pela obra de Monteiro Lobato… e entrei no Paraíso. Era outro mundo, outro universo, outro estilo, outra coisa. Li tudo da turma do Sítio do Pica-pau Amarelo e, depois, passei para os livros que ensinavam matemática, gramática, falavam de petróleo, tudo do Lobato… Até chegar à portentosa série dos 12 trabalhos de Hércules. Ufa!

Já sabia Lobato de cor e estava na hora de passar para outros autores. A curiosidade me impelia. A compulsão me empurrava. Comecei a devorar os livros de aventuras, tipo Jack London, com quem fiz belas e inesquecíveis viagens. Igualmente com Julio Verne. Seguindo depois para romances históricos, biografias, ficção científica, policiais, além de obras de Machado de Assis, Eça de Queirós… e o que viesse mais.

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Houve tempo, lá pelos meus 13 ou 14 anos, em que eu lia um livro por dia. Era o melhor “cliente” da biblioteca da escola, do ginásio, do município. Agradeço aos céus por isso, pois as leituras e tudo o que aprendi lendo – informações, estilos – me ajudaram em todos os momentos futuros da minha vida. Primeiro quando eu buscava os primeiros empregos e preenchia as primeiras fichas, o meu português me punha nos primeiros lugares das filas de pretendentes a uma colocação.

Foi assim nos primeiros escritórios em São Paulo e, depois no jornal Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo), onde fui repórter. Lá, também comecei a desenhar quadrinhos, como as histórias do Bidu. Foi quando precisei me comunicar oralmente. Ler e falar se completam. Assim, posso afirmar que, entre outros fatores, a leitura foi o fator mágico que me permitiu a comunicação fácil em qualquer circunstância. A chave, a porta e a entrada estão nos livros.”

Visto no Brasil que Lê – Agência de Notícias

Renato LebeauquadrinhosMauricio de Sousa,turma da MônicaVisto no Brasil que Lê - Agência de Notícias Ele é um dos mais famosos cartunistas do Brasil e já vendeu mais de um bilhão de gibis no mundo todo. Mas também é um dos escritores brasileiros mais admirados pelos leitores, de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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