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Na última sexta feira dia 27 de novembro, aconteceu o lançamento do álbum Fractal, dos autores Marcela Godoy (roteiros) e Eduardo Ferigato (desenhos), na varanda da Quanta Academia de Artes em São Paulo.

O Impulso HQ esteve lá para e conferiu todos os momentos do evento, fazendo entrevistas com os autores, batendo um papo com os amigos e fãs que foram prestigiar o álbum e ainda para finalizar fez uma mini entrevista com Marcelo Campos, diretor da Quanta Academia de Artes, falando sobre os projetos da Quanta Estúdio que serão publicados ano que vem.

Publicado pela Devir Editora, o álbum FRACTAL é um dos projetos contemplados pelo PROAC (Programa de Ação Cultural da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo), e segundo os autores esse apoio foi indispensável para a conclusão do álbum que estava desde 2004 em produção.

Apesar da forte chuva que caiu durante toda a sexta e é claro no período noturno não foi diferente, o público compareceu para prestigiar os autores e conseguir o seu autógrafo.

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Com um clima muito descontraído e com certeza de alegria pela publicação, os autores levaram a família e encontraram amigos que há muito não viam ou parceiros de trabalho da Fábrica de Quadrinhos.

Mais uma vez Marcela e Eduardo mostraram-se abertos às perguntas e curiosidades sobre o álbum, enquanto Ferigato desenha nos álbuns autografados, Marcela conversou com os presentes sobre roteiro, literatura, domínio da escrita e fundamentos básicos da técnica.

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Alex Mir prestigia o lançamento de FRACTAL

Estiveram presentes também outros autores que foram contemplados com o PROAC, como Alex Mir (que irá publicar “O Mistério da Mula sem Cabeça” em parceria com Laudo Ferreira Jr. e Omar Vinõle), Bruno Auriema que recentemente lançou a HQ Lina em parceria com Cristina Veiga.

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Bruno Auriema conversa com Eduardo Ferigato

O Impulso HQ aproveitou a ocasião e conversou rapidamente com Bruno Auriema sobre Lina:

IHQ: Qual foi a importância do PROAC para a publicação?
Bruno Auriema:
Publicar pelo PROAC, na minha opinião foi um incentivo pioneiro no Brasil. Eles dão a chance de pessoas que nunca publicaram trabalham ou pessoas que tem trabalho, mas precisam de verba para publicar. Tanto para mim quanto para a Cris que foi a escritora foi uma oportunidade de publicar algo no Brasil. Sabemos que é um mercado que está engatinhando, mas está querendo começar a ganhar corpo. Foi um incentivo muito importante para nós, de outra forma iríamos esperar dois ou três anos para publicar esse trabalho.

IHQ: Como foi a negociação para publicar pela Estação Liberdade, já que se trata de um material que a editora nunca publicou?
Bruno Auriema:
Na verdade tínhamos o contato com uma outra editora, e faltando um dia antes de acabar o prazo estabelecido pela Secretaria de Cultura, a editora nos informou que não seria mais possível. Então entramos em contato com várias editoras, e a Estação Liberdade, embora nunca tivessem publicado quadrinhos eles se interessaram pelo projeto e decidiram investir no mercado. Acho uma coisa muito legal essa visão deles de perceber que os quadrinhos estão em expansão e resolveram investir, tomara que o projeto tenha uma saída boa e que eles dêem chance para outros artistas. Pra eles é um mercado tão novo quanto pra gente. Eles até comentaram que precisam do feedback porque está sendo uma experiência totalmente nova.
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Eduardo Ferigato e Marcela Godoy

Claro que não esquecemos dos autores e assim que a fila de autógrafos diminui, o Impulso HQ conversou com Marcela Godoy e Eduardo Ferigato sobre a emoção de ver a obra publicada. Confira:

IHQ: Como é a emoção de ver o filho impresso depois de tanto tempo de produção?
Marcela Godoy:
É muito especial e gratificante porque é um trabalho que a gente se empenhou bastante para realizar e achamos por muito tempo que iria demorar para sair, e se não fosse o PROAC não teria saído tão cedo. È maravilhoso ver pronto e publicado, ver a capa do Marcelo Campos, sentir o cheiro do livro e ter uma relação física com o material.

Eduardo Ferigato: É muito legal mesmo, acho que para o desenhista você só sente que o trabalho terminou mesmo quando você ele pronto e publicado, então é um sentimento de realização muito grande, quando você vê o projeto finalizado.

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IHQ: Você ficou três anos desenhando o álbum e durante todo esse tempo teve alguma coisa que você mudou no seu traço que o fez alterar algum quadro ou página já pronta?
Eduardo Ferigato:
Não fiz muitas mudanças, alterei poucas coisas. Em três anos seu traço evolui muito, mas foram poucos quadros que senti realmente a necessidade de mexer no quadro, mas também não senti toda essa necessidade porque eu queria mesmo era tocar para frente, e se eu ficasse voltando e revendo com certeza o álbum demoraria muito mais para sair. Ainda sim o álbum está coeso, não tem uma diferença tão grande entre os desenhos, eu sinto muito mais isso do quem vai ver a revista a diferença entre as páginas mais antigas e as mais novas.

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IHQ: Na opinião de vocês qual é a importância do PROAC para os quadrinhos nacionais?
Marcela Godoy:
É de suma importância esse tipo de investimento para a produção nacional de quadrinho porque sem esse subsidio fica impossível produzir a menos que você tenha um projeto pronto. E quando digo pronto é um projeto acabado, finalizado, letrerado, tudo feito para você chegar na editora e ela se propor a publicar, você não consegue produzir se você não tiver algum tipo de patrocínio, porque dificilmente você consegue uma parceria, por exemplo, no meu caso que só escrevo, com um artista que se propõe a fazer um trabalho como esse, de forma não remunerada e dentro de um cronograma continuado, ou seja, ele sistematicamente intercala o projeto autoral com os trabalhos remunerados deles, então é muito difícil porque eles têm que viver, então sem esse tipo de incentivo realmente fica complicado.

E é uma situação para as editoras também, aliás, eu tenho ouvido que algumas editoras têm meio que se aproveitado desse incentivo. É preciso rever a posição de algumas editoras, que não é o caso da Devir, aonde fiz o trabalho e fui tratada de maneira muito respeitosa e como parceira. Mas eu ouvi alguns colegas reclamando da postura de algumas editoras, que não agem de maneira correta com esse incentivo dado pelo governo.

Quer dizer a iniciativa é maravilhosa, mas tem que haver um conjunto de parcerias para que o projeto consiga ser concretizado da maneira que o autor o idealizou e também não se torne um objeto de mais dificuldades, ou que elas explorem apenas como nicho comercial para elas, porque o fundamental desse programa do governo é o fomento da cultura, então o interesse comercial não pode vir antes, algumas editoras tem que entender essa questão.

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Eduardo Ferigato: O PROAC torna totalmente viável a produção, porque mesmo se a pessoa se empolgue com um roteiro ou com uma idéia e comece a desenvolver isso em termos visuais, é muito trabalho e leva muito tempo. Então se você não tem nenhum tipo de inventivo você vai parando de fazer, porque você precisa conseguir dinheiro acaba correndo atrás de outros trabalhos.

No meu caso quando eu tinha muito trabalho eu não conseguia fazer o Fractal e ai quando estava sem nenhum trabalho eu não podia ficar muito tempo desenhando Fractal porque eu precisava correr atrás de outros trabalhas, então se não houvesse o incentivo financeiro eu não terminaria a obra tão cedo, demoraria vários anos.

E é algo que demora porque o artista tem que se envolver com aquilo e ficar atento para entrar no clima, e na época eu trabalhava com publicidade e outros quadrinhos, então para entrar no ritmo do traço de Fractal eu às vezes demorava dois dias para conseguir me envolver, e tudo isso quando você não tem nenhum tipo de incentivo atrasa muito o processo e desanima muito o artista. O incentivo financeiro veio a calhar porque quando ele chega, vem junto um prazo então não tem como você não produzir mais.

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IHQ: Você teve um envolvimento muito profundo durante as suas pesquisas, chegando a ir in loco em alguns locais de crimes. Como foi transformar em roteiro as cenas que você viveu?
Marcela Godoy:
Foi engraçado porque embora eu tenha colhido um material bastante extenso, o que efetivamente entrou no álbum foi à história que é contada no inicio do livro, que é a história da menininha. Esse foi o único material que ficou bastante fiel ao caso.

Tirando todos os aspectos de construção das personagens, que eu procurei construir um policial, então fui me familiarizar como eles falam, a sua rotina e como eles lidam com ela e etc., os outros aspectos relacionados à investigação eu acabei deixando de lado porque a própria estória da personagem é muito mais pessoal dela do que a abordagem voltada para investigação criminal.

É interessante essa relação do autor com a pesquisa, porque muitas vezes aquilo que você colhe não necessariamente tem que ser utilizado em sua totalidade, você vai utilizar aquilo que vai trazer sentido a história que você vai contar, que vai enriquecer e trazer a verossimilhança e tratar todos os outros aspectos que você acha necessários para que a sua mensagem seja transmitida, que você dialogue com o leitor e que a no final você consiga fazer uma história coesa.

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IHQ: Esse ano teve uma grande quantidade de álbuns nacionais publicados por grandes editoras, Ferigato hoje publica o seu primeiro álbum, e como vocês vêem esse atual momento do mercado, com iniciativas como PROAC?
Eduardo Ferigato:
O PROAC está sendo fundamental para toda essa produção, se não tivesse essa iniciativa com certeza 90% dos projetos não teriam sido produzidos, e conseqüentemente isso vai aquecer o mercado.

Quando um autor vê que outra pessoa conseguiu produzir o seu projeto, isso anima ele e começa a surgir o pensamento de que produzir quadrinhos realmente é viável, fazendo com que ele produza e coloque mais títulos no mercado. Espero que isso incentive o mercado a crescer no sentido de incentivar os brasileiros a consumirem quadrinhos nacionais, e espero que esse seja um passo em direção a esse sentido.

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Marcela Godoy: Eu também penso que esse momento era uma necessidade do mercado brasileiro, uma hora os autores e artistas nacionais iam se conscientizar. Eu falo dessa geração mais nova, porque os macacos velhos já estão fazendo isso desde que o mundo é mundo, eles já sabem das coisas.

Agora essa geração mais nova, da qual eu também faço parte, percebe que pode fazer e que tem condições de produzir, então quando surge uma iniciativa como essa, que promove um incentivo financeiro real, isso ajuda muito mais e fomenta muito mais a criação.

Independentemente de que sejam vinte projetos aprovados, dez aprovados diretos e outros dez como suplentes, que vão substituir algum caso ocorra algum problema com documentação, mas são mais de 130 inscritos, então você está falando de 130 projetos criativos que podem dar resultado posteriormente, porque no meu caso mesmo que algum projeto meu venha a ser recusado isso não significa que eu não vá desistir dele.

Considero isso um resultado natural, essa geração de agora descobrir que não existe apenas o quadrinho americano, eu descobri desse jeito, conversando com artistas que produzem quadrinhos nacionais e vi que dava para fazer coisas bem legais, eu mudei a minha referência totalmente.

IHQ: A parceria entre os dois continua após o álbum Fractal? Existem novos projetos?
Eduardo Ferigato:
Continua sim, com certeza. Agora sou eu quem está esperando ela terminar de escrever o novo roteiro. Agora quem cobra sou eu. Ela me mandou três páginas do próximo roteiro e ai já me fisgou no momento e não tem mais escapatória.

Foi muito legal trabalhar com a Marcela, e muito tranqüilo. É muito bom quando você acha um roteirista que você encaixa as idéias e o seu modo de pensar, não é muito fácil achar isso. A parceria vai continuar sim.

Marcela Godoy: Existem novos projetos sim. Tem um que é certeza que eu acho que sai daqui dois anos. Esse não tem muito o perfil do PROAC, então é algo que vai ficar meio que pra frente, porque ele tem muito cara de exportação para ser aprovado por um edital com as características do programa, mas vai acontecer com certeza, a parceria que nasceu com Fractal vai gerar outras oportunidades.

Ele também me sacaneou, ele pegou as três páginas e mandou duas ilustrações, uma de página dupla linda, que eu pensei “olha que vingança baixa” (risos).

A gente não vê a hora de conseguir publicar, mas agora temos que combinar as nossas agendas porque graças ao PROAC nós dois estamos trabalhando, então não dá para fazer agora até que tudo esteja concluído.

Em relação à parceira tudo o que o Ferigato disse a recíproca é verdadeira.
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O Impulso HQ conversou com Marcelo Campos, diretor da Quanta Academia de Artes, sobre os projetos da Quanta Estúdio que serão publicados em 2010, confira:

IHQ: Pelo twitter é possível conferir sempre as novidades sobre a Quanta escola e estúdio, e uma das twittadas dizia que para o próximo ano o estúdio está planejando lançar seis álbuns. Isso se confirma? O que você pode adiantar para os leitores sobre a produção do estúdio?
Marcelo Campos:
Estamos com alguns álbuns prontos, e alguns praticamente prontos.
Dois álbuns já estão finalizados e entregues a Devir Editora, nossa parceira. Estamos com outros dois álbuns em finalização, que devo entregar a para a editora até fevereiro, no máximo. Tenho outro ainda em avaliação, esperando uma posição da Devir, é um álbum meu, bastante pessoal e difícil de se publicar. Eles se interessaram, mas não sei como ou quando vai sair. Outro álbum é o novo da Marcela Godoy, ilustrado pelo nosso ex-aluno e hoje professor de curso de Animação em Flash, Jeferson Costa, então, sim, somando estes todos que disse, temos seis álbuns a serem lançados pelo selo QUANTA ESTÚDIO.

IHQ: Quais serão álbuns que serão publicados e qual é a previsão?
Marcelo Campos:
Os dois álbuns já prontos e já na Devir são Quebra-Queixo Technorama nº 3 e um novo, de personagens infantis meus chamados ZETZ.
Os que estão em finalização são: Fim do Mundo em Quadrinhos, Quantoon e a Dama do Martineli.

O álbum que ainda está sendo analisado pela Devir é um tipo de seqüencia de um álbum que eu lancei há algum tempo chamado Talvez Isso. Ainda não tenho previsão de lançamento de nenhum deles.

Estou para ir a Devir fechar tudo isso com o pessoal de lá, tenho uma idéia das datas que gostaria de lançar cada um desses materiais e devo ir até lá, pra falar sobre isso.

IHQ: Você desenhou a capa do álbum Fractal depois de três anos sem produzir e se dedicando a Quanta Academia, nesses novos álbuns que estão em produção também têm alguma participação com ilustração que você produziu? Seria um retorno de Marcelo Campos as histórias em quadrinhos?
Marcelo Campos:
Desenhei uma história duas páginas para o álbum Fim do Mundo., que tem roteiro meu e da Carol Fernandez, minha namorada. E tem esse álbum que é uma espécie de continuação do Talvez Isso, com texto e arte minha.

São coisas que já têm certa data, já. Não tão recentes, da mesma época do Talvez Isso, na verdade. Não é necessariamente um retorno.

Fiz a capa do FRACTAL porque a Carol, a Marcela e o próprio Ferigato me pediram. Fazia muito tempo que não desenhava, então foi bacana.

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IHQ: Existe algum projeto de integração entre Escola e Estúdio para que os alunos participem dessas publicações?
Marcelo Campos:
Sim. Todos estes álbuns foram produzidos por ex-alunos. Estou produzindo estes materiais já há bastante tempo. Muitas histórias foram desenhadas e escritas na época em que muitos deles ainda eram alunos. Hoje já são profissionais da área e tudo mais, alguns já dando aula na própria Quanta, então é muito interessante ver como as coisas caminharam.

No momento estou começando a produzir mais quatro álbuns trabalhando em parceria com alunos, não sei quanto tempo demoraremos para finalizar todos eles, mas acho que quando isso acontecer, eles já serão ex-alunos. E já estarão no mercado de trabalho, como alguns já estão.

IHQ: Como foi realizada a seleção dos trabalhos que o estúdio está produzindo? Autores que não trabalham no estúdio podem enviar suas idéias para avaliação?
Marcelo Campos:
Eu fico de olho aqui na escola. Presto atenção aos alunos, à evolução deles, se percebo o avanço deles, convido a participar de algum projeto com a gente.

Quanto a autores fora do estúdio, na verdade não. Já aconteceu de ver algum projeto que acho legal e acabo indicando para editoras e editores que conheço, mas os projetos com o selo QUANTA ESTÚDIO são ligados aos artistas do ESTÚDIO ou alunos da ACADEMIA, mesmo.

Estas são as minhas empresas, e a intenção é focar na oportunidade de apresentar talentos que estão na casa. A Quanta não é uma editora, e também não somos agentes. Somos uma escola e um estúdio, então a idéia é batalhar e dar vazão aos talentos que encontro por aqui. Não teria como abrir mais do que isso.
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Lembrando que o no próximo sábado, 5 de dezembro partir das 19h, acontece à última palestra que os autores estão promovendo: Como Escrever um Livro – Dicas para Técnicas de Escrita (parte II) ministrada por Marcela Godoy.
Para saber mais sobre as palestras, clique aqui.

Para conferir a cobertura do Impulso HQ sobre a primeira palestra dos autores falando sobre a produção de Fractal, clique aqui.

Quanta Academia de Artes
Rua Dr. José de Queirós Aranha, 246 – Vila Mariana
São Paulo – SP

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