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Isso tudo é da época em que se amarrava cachorro com linguiça

O texto interessante dessa sexta-feira foi retirado do site Ideias soltas no Ar e foi escrito por Marco A Rigobelli, que faz uma análise sobre o mercado de quadrinhos nacional,  sua relação com a internet, as graphics novels e o aumento de venda dos álbuns de luxo em livrarias.

Você leitor pode colaborar com o texto interessante de sexta-feira, mande seu artigo com as suas ideias e reflexos sobre quadrinhos e linguagem visual q ele poderá se publicado aqui no Impulso HQ.

Abaixo o texto entitulado:

O mercado brasileiro de quadrinhos não é uma estrada de tijolos amarelos

Chamar a Indústria Brasileira de Quadrinhos de “Indústria” é um elogio com muito boa vontade. Anos atrás esse título era válido e merecido, hoje não.
Sim, ainda temos Turma da Mônica, e o enfadonho Turma da Mônica Jovem, adaptações de obras literárias, almanaques de tiras. Tudo isso faz muito bem para o mercado, mas não constitui a totalidade dele, muito menos tudo o que ele pode e precisa cobrir. Faltam obras, muitas delas são sim publicadas, mas de forma independente ou amadora, tornando seu conhecimento no mundo mainstream complicada.

Temos a internet para ajudar nessa divulgação, mas ela por si só não é suficiente, já que para o publicador independente ser encontrado, precisa que o leitor em potencial o procure. E acreditem, é muito mais raro disso acontecer do que imagina principalmente no Brasil. O internauta brasileiro tem uma notória dificuldade em procurar por coisas de seu interesse usando o todo-poderoso Skynet Google. Eles preferem pedir a outros por informações, esses outros que fazem o mesmo e por aí vai essa reação em cadeia de estupidez.

E é justamente na internet que está grande parte da salvação dos quadrinhos brasucas. Webcomics saltam em cada endereço, cada servidor, cada canto desse país. E usando a lógica das proporções, é fácil dizer que existem obras fantásticas dentre elas.

Só que no baú de pornografia na internet nacional, existe um, porém crucial problema que não estimula a publicação de tiras e HQs: As chances de você ganhar dinheiro com isso são de uma em um milhão. Já diziam Nimb e Murphy, chances de um em um milhão sempre acontecem, o problema é que não temos um milhão de webcomics sendo publicadas, o que não ajuda nada com aquelas velhas vadias conhecidas como estatísticas.

Outro problema dos quadrinhos on-line é o apego dos autores com o formato natural dos quadrinhos aos quais estamos acostumados, a mídia e forma de transmissão dela são diferentes, mas o formato é o mesmo por menos sentido que isso faça. E ler quadrinhos em seu formato tradicional na frente do computador é extremamente desconfortável se você não tiver um monitor de 22 polegadas. Por isso mesmo, as tiras tenham dado tão certo nesta mídia. São leituras curtas, rápidas e de fácil compreensão, sendo que na velocidade e liberdade da internet podem ter o plus de ainda assim serem parte de todo um enredo mais comum em HQs com dezenas de páginas.

Mas ainda assim, a internet tem funcionado como o maior Bairro da Luz Vermelha do mundo, tendo compradores e os quadrinhistas-vendidos-traidores-do-movimento-véio trafegando por aí apenas esperando encontrar e ser encontrados.
O problema mesmo das Webcomics é que a não ser que você seja pago para fazer isso, dificilmente vai ganhar dinheiro com elas, não dá pra vender um sistema de assinatura porque alguns dos filhos da puta que pagarem por isso vão colocar o conteúdo de assinantes disponível na internet praticamente ao mesmo tempo em que você publica em seu site.

Lembra daquela história que eu falei um pouco acima na qual disse que o brasileiro tem preguiça de pesquisar por coisas na internet? Então, esqueçam como para tudo no mundo, existe uma exceção. Brasileiros pesquisam sim na internet, quando querem achar a versão gratuita para alguma coisa que eles têm que pagar.

Mas e o mercado físico? É impossível de se estabelecer? A resposta é não. O problema do mercado físico em suma são as publicações mensais. Para que um grande público as consuma, revistas mensais deveriam custar no máximo R$ 3,00, quinzenais então nem se fala. O problema é que se custarem tão pouco, jamais vão conseguir se pagar se não venderem uma tiragem absurda até para a Playboy, uma das revistas brasileiras mais vendidas atualmente. Nudez, violência e sexo vendem, então não vou nem me dar ao trabalho de discutir o preço da revista.

Tenho como opinião que a vitória do mercado de quadrinhos físicos no Brasil mora nas livrarias, nos grandes encadernados, nas Graphic Novels. Que são mais caros, de fato, mas não tem a necessidade de serem publicados mensalmente pelo seu número maior de páginas, não sofrerem com os prazos de recolhimento das bancas, qualidade gráfica maior e preços por todos esses motivos bem mais justos que os praticados nas publicações mensais.

Isso vem se mostrando com o constante aumento de vendas dos quadrinhos de luxo em livrarias e com autores brasileiros preferindo esse formato em suas obras.

Não somente isso, Graphic Novels e encadernados são muito mais fáceis de serem transformadas em material para exportação. Pelos exatos mesmos motivos. HQs brasileiras não vão vencer em mercados competitivos se precisarem estar nas bancas todos os meses. Mas se tiverem qualidade, principalmente na tradução, podem muito bem disputar lugares com outras grandes obras nesse mesmo formato se tudo o que precisarem fazer é esperar ser comprado por algum colecionador interessado.

Visto no Ideias Soltas no Ar – por Marco A Rigobelli

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