O segundo dia do HQ em Pauta 2 começou com a exibição do filme Superman II – A aventura continua, de 1980. Dessa vez em vez de falar 15 minutos antes e 15 depois, André Morelli comentou as curiosidades da produção após a sua exibição, por mais de 30 minutos.

Morelli agradeceu os presentes e disse que foi a primeira vez que assistiu ao filme do tamanho que ele foi exibido e também revela que é uma das suas adaptações favoritas. Ele comentou que a produção teve muitos contratempos e que até o primeiro filme de Superman de 1978, Hollywood tratava mal as transposições entre mídias.

Segundo Morelli um dos motivos responsáveis para o primeiro Superman ter sido um sucesso foi o diretor Richard Donner que extraiu várias partes da mitologia da HQ e criou novas problemáticas.

Devido a atritos com os produtores Richard Donner foi substituído por Richard Lester no segundo filme que assumiu um ar mais cômico.

A credibilidade de Richard Donner é tanta que em 2005 a DC Comics fez um convite para ele se tornar roteirista das histórias do Homem de Aço.

Os presentes participaram do bate-papo questionando as principais mudanças do personagem da HQ para o filme e Morelli explicou que a diferença que pode ser analisada é a relação Clark Kent e Kal-El onde qual seria o Super-homem e qual seria o personagem da identidade secreta. Morelli explicou que a reformulação do Super-homem nas histórias de John Byrne foi transformá-lo em terráqueo e mostrar a formação da sua família. Comentou com no filme foi excluído o Superboy e como é focado em sua relação com os alienígenas.

Morelli também falou da rica mitologia do personagem e como os super-heróis são a mitologia contemporânea e para encerrar falou dos seus dois livros já publicados, Super-heróis nos cinemas, um guia com mais de 150 filmes adaptados das histórias em quadrinhos e Super-heróis nos desenhos animados onde ele analisou mais de 200 desenhos que contém a figura do super-herói, não sendo necessariamente das HQs.

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A segunda palestra do dia foi com Gonçalo Junior, que falou sobre seu novo lançamento Guerra dos Gibis II, ou Maria Erótica e o Clamor do Sexo que fala como duas editoras Edrel (São Paulo) e Grafipar (Curitiba) que publicavam quadrinhos no período de censura no Brasil entre 1944 e 1964 e foram perseguidos em nome da moral e dos bons costumes e em defesa da família brasileira.

Como ponto de partida o jornalista Gonçalo Junior fez uma extensa pesquisa das duas editoras que passaram 21 anos sobre o regime militar. Como personagens principais Gonçalo revela um pouco mais sobre a vida de Minami Keizi e Claudio Seto, dois mestres dos quadrinhos nacionais.

Gonçalo Junior revela curiosidades como que Minami Keizi começou a ler lendo mangas que mostravam a vida de quadrinhistas orientais que viviam em grande estilo e de maneira confortável, e foi daí que ele decidiu se tornar um profissional dos quadrinhos. Quando Minami mudou São Paulo ele percebeu que as coisas eram bem diferentes tendo que dormir no chão da editora Edrel, que na época publicava revistas eróticas mais conhecidas como revistas de salão de barbeiros.

Gonçalo explicou que com a ida de Cláudio Seto a Curitiba abre-se um novo pólo de quadrinhos eróticos.

O jornalista também contou curiosidades como a revista Álbum Encantado, datado de dezembro de 1964, que deve ser a primeira publicação de mangá no Brasil.

A palestra foi ricamente explicada com imagens trazidas pelo jornalista que apontou em diversos casos nas capas das publicações o registro da ditadura. As publicações eram submetidas à censura e as que tinham permissão para serem publicadas ganhavam um carimbo na capa que continha o nome da editora e endereço. Esse carimbo era um facilitador para achar o responsável pela publicação caso posteriormente fosse notado algo “subversivo”.

Com certeza quem esteve presente na palestra acabou entendendo mais sobre os bastidores políticos da censura em nosso país.

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Dando continuidade ao evento foi a vez da mesa-redonda que abordava o mercado de quadrinhos no Brasil e no exterior, com as presenças de Danilo Beyruth (criador do personagem Necronauta), Eddy Barrows (desenhista oficial do Superman), com mediação do editor da Gal Editora, Maurício Muniz.

Foi muito interessante analisar como os dois desenhistas entraram no mercado internacional. Eddy que durante o bate-papo revelou que começou a ler quadrinhos depois de um acidente que teve na sua infância, que era músico profissional e que encarava quadrinhos como hobby, começou a trabalhar através de um estúdio de agenciamento de artistas para editoras pequenas e depois por vontade própria decidiu parar porque não se achava preparado artisticamente nos quesitos construção feminina e composição de página. Na sua volta, agora mais confiante ele desenvolveu trabalhos para Image e depois já foi para a DC Comics, onde está até hoje.

Já Danilo teve a sua estréia no mercado internacional na revista Jesus Hate Zombies, de uma editora pequena e revelou que prefere trabalhar de forma independente devido à liberdade que se tem para produzir.

Eddy falou da trajetória da sua carreira e como está realizando um sonho, já que também é um grande fã do Superman. “Fui procurado primeiro que o roteirista”, revela Eddy e ainda completa que recusou o convite de desenhar a Liga da Justiça.
O desenhista também falou às diferenças que percebeu entre o roteirista americano e o inglês, que tende a ser mais minucioso e detalhista.

Sobre o retorno dos fãs, Eddy comentou que sempre é positivo, e comenta que existe uma diferença muito grande entre o fã americano e o brasileiro quando se trata de acompanhar a carreira do desenhista e disse que recebe muitos e-mails de fãs espanhóis e que foi até convidado para participar de um evento sobre o Super-Homem na Espanha.

Sobre o mercado nacional Eddy comentou que falta atitude das grandes empresas e do governo. “O mercado tem que entender que quadrinhos não funcionam em curto prazo”, disse Eddy e completou dizendo que as empresas preferem investir em algo de fora porque não é preciso gastar com divulgação. “Falta um espírito empreendedor nos quadrinhos, como o do Maurício de Sousa”, finaliza Eddy.

Questionado sobre quais personagens ele gostaria de desenhar tanto da DC Comics e Marvel Comics, Eddy disse: “Já trabalhei com os grandes personagens da DC que eu gostaria de trabalhar. Na Marvel eu me interessaria pelo Hulk e pelo Capitão América”.

E o desenhista também afirmou que não existem personagens ruins, que é apenas uma questão de construção, e que só sente desanimo quando a revista é só com diálogos não inteligentes e conclui que só não desenha material erótico.

Outra exclusividade que quem foi ao HQ em Pauta conferiu foi a exibição em primeira mão do trailer e a capa de Bando de Dois, próxima publicação de Danilo Beyruth, que deve ser lançada no mês de setembro e foi uma das obras selecionadas pelo PROAC.

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Terminado o bate-papo o público já estava ansioso com o início da última atividade programada que foi um debate sobre os polêmicos scans. A mesa foi composta por Maurício Muniz, André Morelli, com mediação de Jota Silvestre.

A sessão começou com uma reportagem produzida pela equipe do programa Banca de Quadrinhos sobre a pirataria na Internet.

Jota Silvestre utilizou como mote para começar a declaração de Hélcio de Carvalho, editor-chefe da Mythos Editora, que faz as revistas de super-heróis para a Panini, concedida ao site Omelete, onde ele afirma que os scans diminuem as vendas de quadrinhos.

Discordando de Hélcio de Carvalho, o editor Maurício Muniz afirma que não há dados que mostrem que se 50 pessoas lerem uma história de uma revista através de um scan isso signifique que são 50 revistas que deixaram de serem compradas e ainda deixou uma questão para os presentes de quem lê quadrinhos e quem já tinha lido uma história via scan. Quase todos levantaram a mão. “Scan é o novo problema editorial do novo século e está longe de ser resolvido”, afirma Maurício.

Durante o bate-papo foi comentado como o mercado de quadrinhos encolheu devido a uma série de fatores e que existem grupos de scans que traduziam as revistas e que aconteceu muitas alterações nesses grupos e quem acompanha os fóruns de discussão sobre quadrinhos pode analisar todas as mudanças.

Outra questão levantada foi se a justificativa de scans é válida como ferramenta de pesquisa e até que ponto. Quem respondeu essa questão foi André Morelli, jornalista da revista Mundo dos Super-heróis, e afirmou que a Internet é uma mão na roda, e comenta que no seu caso ele herdou uma coluna na revista que fala sobre a época de ouro dos quadrinhos que vai do final dos anos 1930 até 1950 e que sem os scans ele não teria como produzir os textos por falta de material.

As perguntas foram abertas para o público que foi bastante participativo. Afirmações como “Scan deixou o público mais seletivo” e “hoje é muito difícil um leitor comprar quadrinhos às cegas”, foram declaradas a favor dos scans.

Mas também teve “Precisamos ensinar a próxima geração a ler quadrinhos e mostrar como scan é pirataria” e “Na visão de um advogado o scan é crime”, afirmações de quem é contra os scans.

No geral ficou a conclusão de que as editoras não estão usando a Internet ao seu favor e que possivelmente o leitor que procura um scan ou é para ele conhecer melhor sobre a história ou ele já não iria comprar mesmo a revista. E como salientou Mauricio Muniz: “Scan é um assunto complicado!”.

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Para finalizar Edson Rossatto agradeceu a presença de todos e o apoio da equipe de staff nos dois dias, a administração da biblioteca e aos palestrantes e anunciou que a terceira edição do HQ em Pauta já está confirmada para o mês de janeiro.

Para quem gosta de quadrinhos, não apenas de comprá-los e sim entender um pouco mais sobre o mercado, o HQ em Pauta é um evento que atinge todas as expectativas. Além de ser em um ambiente calmo e com espaço, as palestras são de alto nível e os palestrantes ficam acessíveis o tempo todo, demonstrando como estão contentes de participarem do evento.

Com certeza o HQ em Pauta já garantiu o seu espaço no calendário de eventos sobre quadrinhos. E agora é esperar pela terceira edição.

Galeria de Imagens: Fotos de Gisele Marin

Renato LebeauquadrinhosAndré Morelli,Cláudio Seto,Danilo Beyruth,Eddy Barrows,Edrel,Edson Rossatto,Gonçalo Junior,Grafipar,Guerra dos Gibis,Hélcio de Carvalho,HQ em Pauta,Jota Silvestre,Maria Erótica,Maurício Muniz,Minami KeiziO segundo dia do HQ em Pauta 2 começou com a exibição do filme Superman II – A aventura continua, de 1980. Dessa vez em vez de falar 15 minutos antes e 15 depois, André Morelli comentou as curiosidades da produção após a sua exibição, por mais de 30...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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