Pegue todos os clichês que você conhece de bons filmes, reúna e estrague. Leve as telonas e faça fãs saudosistas chorarem!

Não sei se alguns dos nossos leitores tiveram a curiosidade de ir ao cinema conferir Gigantes de aço (Real Steel, 2011). Não foi o meu caso, juro, mas não resisti ao convite, apesar do meu sentido aranha ter disparado. O fato é que esse filme me fez pensar “o que está acontecendo?”. O que é “aquilo”? “Como alguém pode filmar isso?”

Então, se você não assistiu, poupe seu dinheiro. Se quiser saber a razão desse drástico posicionamento, prossiga na leitura, mas saiba que, pra ajudar vocês a fazer essa, digamos, “economia”, vou revelar SPOILERS!

Ainda por aqui? Ok, vamos lá!

Hugh Jackman, o Wolverine da cinessérie X-MEN (sei que sabem disso, mas sempre existe a chance de alguém não estar antenado nisso) é o chamariz do filme, somado a robôs “boxeadores” ao estilo Transformers, um pequeno Justin Bieber dos pobres e com a gatíssima Katie da série Lost de gorjeta. Falando sério: robôs lutadores e um pai ausente não é o plot mais promissor, mas juro que me surpreendi ao ver que ainda podia piorar muito.

A trama de Gigantes de aço é um mistura sem-vergonha de elementos de um punhado de filmes, como Falcão, o Campeão dos Campeões e Rocky, “um lutador” (do pujante Silvester Stallone) e Transformers (obviamente) com uma pitada até de um personagem de Star Wars.

Num mundo futurístico (que de futurístico mesmo só tem os tais robôs lutadores), com risíveis menções a família Gracie de lutadores e a “situação” dos campeonatos de artes marciais nesse “cenário”, Jackman interpreta um mau caráter, pilantra e pai ausente, metido em trambiques mil vezes piores que os de Han Solo antes do encontro com Luke e Obi Wan na taverna em Tattoine no episódio IV.

A “relação” que ele “tem” (ou melhor, “não tem”, pois chega a “vender” o filho para a cunhada) vem do filme Falcão, trocentas vezes piorada, não duvide!

Já que mencionei o menino, o tal filho do Wolverine, que infelizmente NÃO É O DAKEN, vou logo escancarar a verdade: é um filme para a “geração Justin Bieber”. Não falta nem o “estilo musical” do “astro” teen, nem “dancinhas” ou o cabelinho.

Infelizmente nem os efeitos especiais salvam! Hoje em dia, a mais alta tecnologia está à disposição para ótimos efeitos. Se os estúdios pagam, eles têm o melhor possível, mas uma BOA história, isso está cada vez mais raro e precioso! Então, atualmente, os efeitos são um elemento secundário, na minha opinião. O desafio é contar uma história decente! E Gigantes de aço se quer entrou na fila pra isso.

Moralmente, o filme além de não acrescentar, “diminui”. Os personagens, sem exceção, não tem profundidade, são rasos como pires (sempre quis usar essa expressão, mas sem precisar forçar a barra… E isso o filme garantiu pra valer). Ah, não posso me esquecer de mencionar como o merchandising da HP é ridículo… Sem falar num energético que até deve ser conhecido no estrangeiro, mas que faz o menino pegar uma lata com a mão torta e absolutamente sem espontaneidade para não cobrir a marca.

O caso é que Wolverine irá, em certa altura do “filme” (me perdoem, mas sinto-me sujo de chamar Gigantes de aço de filme), “treinar” o robô pelo qual o menino se afeiçoou (argh!), redimindo-se de TODOS os anos como pai ausente. O fedelho petulante (bem coisa de Justin Bieber) desafia o mega-robô de um império capitalista do segmento do entretenimento baseado em máquinas que se digladiam. E isso nos leva ao embate final.

Todos os clichês possíveis estão lá, senhores. Cenas em câmera lenta, olhares e lágrimas… E quando o último round da luta chega ao fim, é tão impressionantemente igual ao final de Rocky, que você espera o robô gritar: “Adriaaan! I did it!! I did it!!!”. Quem me dera a coisa tivesse parado por aí, pois o robô “herói”, bonzinho e ultrapassado, perde a luta por pontos assim como o velho Rocky Balboa no último filme da, hum, “hexologia”!

O assustador é que o filme leva a criançada ao delírio… Bom… Espero mesmo que o tempo mude isso e que o destino se encarregue de fazer justiça aos filmes cujos roteiros serviram de “argamassa” para Gigantes de aço. Para tirar o gosto amargo, só assistindo a animação O Gigante de Ferro, do absolutamente competente Brad Bird, que tem no currículo simplesmente Os Simpsons, Os Incríveis e Ratatouille.

Gigante de Ferro é um desenho animado incrível, com texto e arte sensacionais, para dizer o mínimo, repleto de referências sensacionais aos quadrinhos da década de 1950 e 60.

Então, que tal usar o dinheiro economizado do cinema pra alugar o longa-metragem em animação? Cabe dizer quem me fez o convite quis sair antes de uma hora de filme, mas resisti bravamente para poder escrever esse texto de alerta.

Dennis RodrigoquadrinhosGigantes de aço,Hugh JackmanPegue todos os clichês que você conhece de bons filmes, reúna e estrague. Leve as telonas e faça fãs saudosistas chorarem! Não sei se alguns dos nossos leitores tiveram a curiosidade de ir ao cinema conferir Gigantes de aço (Real Steel, 2011). Não foi o meu caso, juro, mas não...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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