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alguns integrantes do coletivo Quarto Mundo durante o FIQ!2009

O post de hoje de entrevista realizadas durante o FIQ!2009 traz o bate papo com alguns integrantes do coletivo Quarto Mundo, que estão se destacando no cenário de quadrinhos independentes, tanto pela originalidade, traço e dedicação às HQs.

Começaremos com Mario Cau, autor de Pieces e que durante o festival lançou a segunda edição da publicação, que vem recebendo excelentes críticas da mídia especializada. Em seguida você confere Ana Carolina, autora do mangá independente Patre Primordium, que recentemente passou a barreira do papel e pode ser lido até no Iphone, e para finalizar o post o bate papo feito com Caio Majado, autor da HQ Consequência, com a colaboração de Isabela Gaglianone, editora da Multi Editores, que publica o Terceiro Testamento aqui no Brasil.

Não deixe de conferir os links para as galerias de imagens do FIQ!2009 no fim do post!

Acompanhe as entrevistas:

59Mario Cau – Pieces

IHQ: Como surgiu a idéia da publicação?
Mario Cau:
A Pieces surgiu de uma mudança de postura em relação aos quadrinhos. Na época da faculdade eu queria trabalhar com super heróis para a Marvel e para DC. Com o tempo fui conhecendo quadrinho adulto e mais autoral e conheci trabalhos que tinham vertentes mais psicológicas como 10 Pãezinhos, mais coisas do Eisner e Terry Moore. Percebi que não me conectava bem com a temática de super heróis, e comecei a fazer histórias sobre o que fazia mais sentido pra mim, e achei o que eu precisava falar e me expressar com desenhos e quadrinhos, que virou a Pieces.

IHQ: A primeira edição da Pieces recebeu excelentes críticas da mídia especializada, como foi a sua reação?
Mario Cau:
Foi uma honra e uma surpresa. Não imaginava e não esperava as boas críticas que teve, porque tem um nicho dos quadrinhos que meche com essa temática também e um receio foi que eu ficasse taxado, que falassem que eu usei a mesma formula do Bá e o Moon, Terry Moore, Craig Thompson, Daniel Esteves e etc.

IHQ: O que o leitor pode esperar de Pieces nº2?
Mario Cau:
Como estou costumando a falar a Pieces nº2 tem mais pedaços para tentar compor o quebra cabeça insano, e nunca vai entender o todo da coisa, tem que juntar as peças e os pedaços. A número dois tem mais cenas, mais momentos que não vão trazer uma conclusão final pra coisa, mas vão ajudar talvez a entender mais o que eu quero dizer com os quadrinhos da Pieces.

IHQ: Como foi produzir a continuação depois do excelente resultado do número um? Mudou algo na sua postura?
Mario Cau:
Sempre que você faz uma coisa que ela é bem aceita, com boas críticas, você já automaticamente fica com uma autocrítica maior. Eu tenho que atender uma expectativa que pode existir do número 2. Não vou falar que mudei o meu jeito de trabalho porque na verdade eu não mudei. A maior parte das histórias já estavam prontas quando a Pieces nº1 saiu, e tem duas histórias inéditas que fiz para a continuação.

Dá para perceber que as histórias mudam o estilo visual um pouco, elas têm traços variáveis, mas isso vai tanto da proposta de cada história, tanto da época que eu estava produzindo, tem histórias de dois anos atrás, e achei melhor não redesenhar, apenas revisei o texto, porque se redesenhasse eu estaria fazendo uma releitura e mudaria a coisa mais pura que tem lá. O resto da montagem foi igual à primeira edição, com muito carinho e o mesmo cuidado e a vontade de fazer o melhor trabalho possível.

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IHQ: Existem mais peças do quebra-cabeça para lançar um número três?
Mario Cau:
Sempre tem. A Pieces três já está metade pronta e pretendo fazer mais histórias, colocar coisas inéditas, mas antes dela provavelmente eu vou acabar fazendo uma edição especial com uma história só.

IHQ: Como anda a sua produção? Você está mais focado na Pieces ou tem outros títulos?
Mario Cau:
Participo da Nanquim Descartável, da Quadrinhopole, da Café Espacial, da Front, então tem bastante coisa acontecendo além da Pieces. Mas fora do âmbito e quadrinhos eu atuo como professor de desenho e basicamente o ganha pão é nessa parte.

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Ana Carolina – Patre Primordium

IHQ: Como você enxerga a Patre Primordium sendo um mangá independente no meio das outras publicações?
Ana Carolina:
Eu vejo que é muito bom ela ser um mangá no meio independente, porque é muito restrito os fanzines de mangá que você só encontra em eventos especializados, mas eles não acabam chegando ao grande público eles ficam dentro do vento. A ideia da Patre apesar dela ser uma manga é expandir isso, por isso levo ela para grandes eventos de quadrinhos de maneira em geral, porque com a Patre acredito que chego ao meio termo.

Não é um mangé que usa nomes em japonês, como muitos mangas brasileiros tem. Eu estou seguindo um pouco a trilha da Holly Avenger, que se expandiu da questão de ter um público somente de manga para um público bem maior. Eu acho que um nome de uma revista tem que ser revista em quadrinhos, em um primeiro ponto, independente que seja mangá ou quadrinho americano. Pra quem gosta de ficção científica com um pouco de ação vai gostar da Patre.

IHQ: Sobre o que é história da Patre?
Ana Carolina:
A Patre é a história da Amanda Ângela, e como eu costumo falar o seu caminho de herói. No número um a gente vê como ela se confronta com o seu destino e durante as edições vamos descobrindo seus poderes e seu passado. No quatro é interessante porque é uma edição esclarecedora, até esse numero você não tem noção do universo, e partir dela já começamos a contar a história do mundo, que criamos desde o começo e toda a mitologia. Com certeza a minha edição favorita é sempre a próxima, então estou muito animada com a quarta edição.

IHQ: A Patre Primordium é um tipo de história que se encerra ou vai caminhar até um numero indefinido? Como funciona os arcos?
Ana Carolina:
Não. Por enquanto estou trabalhando com a história da Amanda, inclusive a revista chama Patre Primordium porque é uma entidade que veio para a Terra, que é um pouco que explica no número quatro, e o nome é em cima dessa entidade que trouxe os poderes sobrenaturais para a Terra porque qualquer história que envolva o sobre natural dentro do Universo da Patre eu posso explorar, o veiculo é a revista.

A primeira temporada vai ser a história da Amanda entre ser uma garota normal é ser uma heroína vai ter 14 capítulos, talvez tenhamos surpresas no próximo ano, mas se encerra ai a primeira parte da história da Amanda. Eu tenho planejado cinco arcos de histórias da Amanda. Entre eles a gente pode publicar ao mesmo tempo outras histórias do mesmo universo. Não sei se chegaremos ao número 150, mas histórias a gente tem, e nisso eu acho que eu mesclo um pouco a questão do mangá coma revista mensal americana.

O mangá tem começo meio e fim. Existem séries longas como Dragon Ball, Yuni Yasha, mas eles têm começo meio e fim. Na Patre a história da Amanda acaba, mas do mundo não. Isso é uma coisa que eu exploro inclusive nos contos que servem justamente pra isso, para aprofundar o universo que é vasto, então se tudo dar certo vamos continuar.

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IHQ: Como você o modismo do mangá? Você acha que a Patre pode entra na onda de Lulu Teen e Turma da Mônica Jovem e ter mais visibilidade?
Ana Carolina:
Tanto a Turma da Mônica Jovem e Lulu Teen têm uma indicação para um publico um pouco mais novo que a Patre. Apesar de termos uma indicação de 14 anos, a Patre é uma história com elementos mais violentos, como luta e mortes, então não sei se pega o mesmo público, na minha concepção não.

Lógico que quando você coloca em estilo mangá que é um mercado que está crescendo nos últimos 10 anos, que começou a expandir, mas ainda representa pouco do mercado do quadrinho nacional. Então eu acho que a Patre tem a se beneficiar com isso sim, porque quando você cria leitores de um determinado estilo é normal que esses leitores migrem para outras revistas.

Uma menina hoje que lê Turma da Mônica Jovem, se gostar do mangá com certeza vai procurar outras publicações, então nesse sentido eu acho que ajuda, mas não é o que ocorre nesse momento com a Patre devido ao público.

IHQ: Fora a Patre você tem outra publicações? Como está a sua produção?
Ana Carolina:
Eu fiz uma história agora para a Quadrinhopole, estou escrevendo um livro, mas esse é um projeto pessoal, e em quadrinhos eu tento sempre participar dessas revistas mais Mix. Tenho 5 roteiros com desenhistas e talvez ano que vem saia em 5 revistas diferentes. Esse ano saiu a Patre e a Quadrinhopole com texto meu e a arte de Mário Cau.

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Caio Majado – Conseqüência

IHQ: Durante quanto tempo você estuda os seus personagens?
Caio Majado:
Normalmente eu parto de uma ideia, sou um cara muito visual, diferente de roteiristas eu não fico com o processo de “eu gostaria de fazer um história assim ou gostaria de fazer desse jeito”, então são momentos que me pegam visualmente falando e dessa imagem eu vou criando um roteiro em cima disso. Ultimamente eu ando pensando em muitas coisas tendo muitas idéias, mas não estou com tempo de colocar isso no papel.

IHQ: Você escreve o roteiro primeiro depois desenha?
Caio Majado:
Geralmente escrevo primeiro. Normalmente eu escrevo pra mim então não faço um roteiro completo com quadrinho um e quadrinho dois, quase sempre faço um roteiro mais esboçado, com uma ideia que eu quero, se estiver muito complicado eu escrevo direitinho, ou se eu já tenho uma idéia na cabeça e for muito visível eu já escrevo, mas a maioria eu dou uma esboçada primeiro.

IHQ: Qual o tema que está mais te interessando no momento para escrever algo?
Caio Majado:
Quadrinhos pra mim é pura diversão e entretenimento, é você pegar a revista ficar meia hora com ela dar risada e pronto. Como eu gosto mais de desenhar do que escrever, meus temas favoritos sempre foram ação e aventura, mas eu gosto muito de romance drama, especialmente em livros.

A Dama das Camélias é o meu livro favorito, mas eu acho que é muito difícil fazer algo desse tipo, principalmente nos quadrinhos porque eu gosto de desenhar muita ação e dinamismo, gosto de trabalhar storytelling e histórias mais paradas eu tenho mais dificuldades, mas eu gostaria muito de tentar conciliar as duas coisas. Tenho alguns projetos, tenho pensando nisso há muito tempo, em como misturar essas duas coisas e fazer algo interessante. Vamos ver o que vai dar.

consequencias

IHQ: Você gosta de desenhar as histórias de outros autores ou prefere desenhar as suas próprias histórias?
Caio Majado:
Ultimamente eu só tenho desenhado histórias de outros autores, mas eu gosto bastante porque eu gosto mais de desenhar. Quando a história é de autores brasileiros eu me preocupo mais em pegar roteiros que me agradam, que eu ache mais interessante, que eu quando leia eu já visualize alguma coisa que me dê o prazer em desenhar. Mas quando pego alguns projetos que são para fora, que eu quero entrar no mercado, ai eu já não sou tão criterioso.

IHQ: São apenas projetos? Você pode revelar alguns?
Caio Majado:
Como eles não foram publicados ainda então são só projetos. Estou fazendo trabalhos para uma editora pequena chamada Aprobation Comics, estou fazendo uma revista seriada chamada Chaos Campus. É uma história divertida, com aventura, voltada para adolescentes. Fiz a primeira edição que está pronta, mas não sei quando será publicada e agora estou trabalhando na segunda.

Como eu acho que eles tempo e precisam de material para começar a publicar por causa de não haver atrasos e tudo mais, eu acho que vai demorar a ser publicado, mas eu acho que esse é um material que nem vai aparecer aqui no Brasil infelizmente.

IHQ: Mas você não poderia lançar esse material aqui no Brasil?
Caio Majado:
Infelizmente não. Porque envolve direitos autorais da editora e é complicado. Dificilmente sairá no Brasil. Eu acho que é mais o começo mesmo, ver se eu agüento o tranco de trabalhar para fora.

IHQ: Você prefere escrever para algum tipo de público mais específico?
Caio Majado:
Não sei. Acho que o meu público é mais juvenil-masculino, que gostam de aventura e ação, eu acho que pelo traço esse tipo de público se identifica melhor, não é uma coisa adulta nem infantil, apesar de que estou tentando fazer várias coisas, tenho projetos de histórias de terror também, e quero encontrar vários caminhos para experimentar e ver o que eu posso pegar.

IHQ: Algum lançamento próximo aqui no Brasil?
Caio Majado:
Tenho projetos em andamento, tem um que faço junto com um amigo meu que há muito tempo estamos trabalhando nele, tentamos colocar no Proac, mas acabou não rolando. Tenho projetos com outros autores como Alex Mir que até o fim do ano eu acho eu termino, tenho projeto com Matheus Moura, chamado Orla, que fiz a primeira parte. E tem alguns pessoais, mas que estão só meio escritas e nada definido.

IHQ: Quais as consequências da revista Consequências?
Caio Majado:
Desde que lancei a revista tenho recebido só coisas positivas. È complicado porque se você não lança algo novo, você vai meio que perdendo o que você conseguiu, mas para o que eu tinha em mente a revista funcionou muito bem, e outra eu consegui fazer a Consequência inteira sem por a mão no bolso. Consegui o patrocínio tanto que ela sai pelo selo ABRA que é a escola que eu dou aula, então já divulguei a instituição e as aulas que eu dou.

IHQ: Esse foi o seu argumento para conseguir o patrocínio da escola?
Caio Majado:
Não vou dizer que esse foi o argumento, mas se você pegar a revista você verá o ABRA apresenta. Eu cheguei nos responsáveis e falei que tinha uma revista e disse que ela tinha uma qualidade legal e a minha intenção é fazer uma publicidade pessoal e perguntei se eles não queriam colocar o nome da escola. Apresentei faltando uma coisa ou outra, como capa, design e montagem e perguntei se eles topavam e como eu já tinha contato com o pessoal do 4º Mundo eu falei que ia para o Brasil inteiro e realmente foi.

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Confira as galerias de imagens sobre o FIQ! 2009:

Galeria 1 | Galeria 2 | Galeria 3 | Galeria 4

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