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Ivan Reis (foto divulgação FIQ!)

Para esse post sobre as entrevistas realizadas durante o FIQ! 2009 foram selecionados os artistas brasileiros que trabalham para o mercado americano, Ivan Reis, Eddy Barrows, e Cris Bolson.

Durante o evento o estande Beco dos Artistas estava desenvolvendo páginas de quadrinhos que serão publicadas pela Marvel e DC, e foi lá que realizamos a entrevista com Eddy Barrows, que fala sobre como é reformular grandes personagens da DC e Cris Bolson que explica como funciona a relação desenhista e contrato, e de quebra ainda fez um Gambit para o pessoal do Impulso HQ (tá bom o desenho eu pedi pra mim!:P).

E para começar Ivan Reis responde sobre se sente em relação ao seu atual momento na carreira profissional, como ele vê a influência dos quadrinhos americanos no mercado brasileiro e ainda tentamos descobrir qual o próximo personagem que ele irá desenhar após a saga Blackest Night.

Acompanhem as entrevistas e não deixem de conferir as galerias de imagens sobre o FIQ!2009 no fim do post!

Entrevistas:

Ivan Reis:

IHQ: Você desenha aqui no Brasil para o mercado internacional, como funciona todo esse processo?
Ivan Reis:
Trabalho aqui no Brasil em um estúdio em São Paulo, e não tenho nenhuma dificuldade em mandar as artes. Geralmente mando via Sedex ou e-mail. Ficou mais fácil com a Internet.

IHQ: Com as indicações de prêmios e reconhecimento internacional, mudou alguma coisa na sua carreira? Como você avalia o seu momento profissional?
Ivan Reis:
É engraçado saber de disso tudo porque geralmente ficamos a parte do que está acontecendo no mercado porque ficamos dentro de um estúdio fechado, então quando vejo na Internet, geralmente é sempre uma surpresa e é ainda mais legal quando você pode ver a reação do público cara a cara quando vou a alguma convenção. È difícil se auto-avaliar, posso dizer que nunca estive em um momento tão bom em termos profissionais.

IHQ: Você desenha personagens emblemáticos do Universo DC, e recebe o roteiro que definem a trajetória dos mesmos. Seu desenho é influenciado pelo teor do roteiro e como os leitores irão receber a história?
Ivan Reis:
Influencia sim, com certeza. Antes de tudo eu também sou fã dos personagens, e a reação do publico é fundamental para o meu trabalho.

IHQ: Após a saga Blackest Night, você pode adiantar qual o próximo personagem que você irá desenhar pela DC Comics?
Ivan Reis:
Não.

IHQ: Durante o bate-papo realizado no FIQ! 2009, você comentou que não tem tempo para acompanhar outras publicações, mas você tem visto o mercado nacional de quadrinhos?
Ivan Reis:
Não sei muito como funciona o mercado nacional, há muitos anos não trabalho com ele e estou só no mercado americano, então não sei dizer como anda a produção independente, se ela está crescendo ou não. Mas em relação o que eu vejo em banca, nunca tinha visto tanta produção, tanta coisa acontecendo, principalmente na Internet.

IHQ: Como você enxerga a influência dos quadrinhos americanos aqui no Brasil? Você acha que isso pode mudar?
Ivan Reis:
Sempre teve público para tudo e sempre teve influência para tudo também. Tem gente que vai para o mercado americano, ou do asiático, tem gente que tem influência até do próprio mercado brasileiro. A influencia sempre acontece de várias direções ainda mais com a Internet que ajuda a popularizar e unifica várias coisas. A globalização é real e em relação a isso também.

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Cris Bolson

IHQ: Qual a importância da produção que vocês estão desenvolvendo aqui durante o evento?
Cris Bolson:
O legal de trabalhar durante o evento é que o público consegue enxergar todo o processo, desde o início da revista até a publicação e normalmente ele só vê o produto final, com tinta, capa, tudo bonitinho. O público geralmente desconhece a produção que é o layout, o roteiro, não sabe que tem cinco ou seis artistas envolvidos, um editor, ou às vezes dois editores, ou três como foi o meu caso. É bacana ter a interação com o público porque alem de mostrar como funciona o processo e mostrar que tem muita gente trabalhando no mercado.

IHQ: E como foi a reação do público ao ver todo o processo?
Cris Bolson:
Como sempre as pessoas ficam impressionadas, algumas acham que é mais fácil do que parece. A idéia como um todo é sempre bacana e sempre surpreende.

IHQ: Você optou por trabalhar com o mercado estrangeiro, como foi todo esse processo?
Cris Bolson:
No meu caso foi uma opção por questões financeiras e de oportunidades. È triste dizer, mas no Brasil nós temos menos oportunidades, e não digo em relação a publicar ou desenhar histórias em quadrinhos, podemos fazer muito trabalho até, mas a questão de pagamento não é legal. Não dá para viver só dos quadrinhos. É difícil, já fiz alguns trabalhos aqui que nem foram publicados, então você não tem divulgação, e uma das coisas que o quadrinhista quer além de poder viver de quadrinhos, é ser visto, ter o seu material publicado, ver a sua revista publicada, e o mercado aqui é mais difícil você conseguir.

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IHQ: Sempre se fala da produção e a dificuldade de se produzir uma página de quadrinhos. Como funciona a relação desenhista / página / contrato?
Cris Bolson:
Quando você recebe um projeto eles já mandam pra você a data para a entrega do trabalho. Para algo mais curto, eles só mandam a data final, por exemplo, 6 páginas para a próxima segunda feira. No caso de um contrato maior eles estipulam, por exemplo, mês tal, dia tal, você entrega 5 páginas, na outra data você entrega mais 5. E isso varia de acordo com a complexidade da página, então se você tem um roteiro e o editor sabe que a complexidade é muito grande, ele sabe que o desenhista não vai conseguir fazer uma página por dia, então você recebe um prazo maior. È tudo uma questão de conversa, um dialogo entre editor e desenhista. Normalmente quando você faz um teste você já fala o quanto de tempo você precisa para executar tal arte, daí o editor já sabe quanto tempo vai demorar a conclusão do projeto.

IHQ: Depois de você começou a desenhar super-heróis, a vontade de ler esse tipo de quadrinhos diminuiu?
Cris Bolson:
A minha vontade se manteve. Continuo lendo quadrinhos, às vezes leio menos do que eu gostaria, mas por uma questão de tempo mesmo, mas sempre que uma coisa sai e alguém me indica vou atrás para ler. Admito que parei de comprar as revistas mensais, mas os encadernados eu compro sempre que posso. A magia continua a mesma, é legal você ler um quadrinho bom.

IHQ: Você está com algum projeto para o mercado nacional?
Cris Bolson:
Não, por enquanto só produzo para o mercado internacional. O que estou pensando em voltar a dar aula, porque fiz isso durante seis anos e parei por questão de trabalho. Claro que como todo desenhista eu tenho alguns projetos que envolvem personagens, histórias, mas ainda não conseguir colocar pra frente.

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Eddy Barrows

IHQ: Estando aqui no Brasil e desenhando para o mercado internacional, como é a sua relação com os editores?
Eddy Barrows:
Minha relação com os editores é muito simples. Tem o contato via e-mail, eu recebo os roteiros via e-mail também, me é passado antes mesmo dele ser revisado, para eu ter uma noção do que é, e depois recebo ele revisado e começo a trabalhar em cima. Mesmo sendo a longa distância temos um contato muito próximo, porque conheço todos eles pessoalmente, eu costumo ir duas vezes ao ano para os Estados Unidos, e já tive algumas reuniões com o pessoal da DC. Não chega a ser uma coisa separada só por causa da distância.

IHQ: Como é a relação de quando você está nos Estados Unidos e ser o Eddy Barrows, e aqui no Brasil poucas pessoas conhecerem o seu rosto. Já aconteceu algum fato curioso?
Eddy Barrows:
Já aconteceu em uma exposição de desenhos meus, e ter um cara olhando e elogiando, e eu estava do lado dele e comecei a brincar dizendo que estava vendo vários defeitos nos trabalhos e o cara ficou chateado comigo dizendo quem era eu pra colocar defeitos no trabalho de Eddy Barrows e tal, ai eu falei que como os desenhos eram meus eu estava dando pitaco no trabalho. Mas até me surpreendi porque nesse FIQ! muita gente me reconheceu, sinceramente não sei como, talvez deve ser porque no encarte tem uma foto minha. Veio muita gente veio com material meu e querem tirar foto.

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IHQ: Todo cara que desenha quadrinho geralmente é muito fã. Mudou a relação dos quadrinhos pra você de quando você era apenas leitor e agora é o desenhista dos seus personagens favoritos?
Eddy Barrows:
O amor ainda é o mesmo. Você tem que ter amor pelo que faz. Eu penso muita na questão de quando eu era leitor de quadrinhos, aliás, eu sou até hoje, eu comentei na palestra que eu penso primeiro como leitor para depois interagir como desenhista. E o encanto não se perde embora você esteja vivendo a indústria dos quadrinhos. Gosto do que eu faço, gosto de quadrinhos e descubro coisas novas toda vez que desenho, tenho um objetivo e uma meta e isso me traz uma alegria maior porque estou tentando superá-las.

IHQ: No mercado internacional existe abertura para o desenhista propor personagens e alterações de design?
Eddy Barrows:
Eu criei vários personagens para a DC, o visual mais moderno dos Titans fui eu que criei, também fiz o King Lycus, o Wonderdog reformulei ele inteiro. A sempre abertura para isso, a DC está reformulando os seus personagens e modernizando eles, então ela deixa o desenhista incumbido disso. Acho que reformular é legal, trazer algo antigo e trazer conceitos atuais e apresentar para um novo público. A DC está se preocupando com isso hoje em dia, e eu tenho feito isso nos últimos três anos, reformular, criar novos designs e novos personagens, só faltou eu criar um personagem pessoal meu nos Titans, um vilão, até tinha a liberdade para fazer isso, só que eu fui transferido para a Action Comics, o que acabou não acontecendo.

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IHQ: Qual é o peso de se reformular um personagem clássico?
Eddy Barrows:
È meio esquisito, porque na hora você não pensa nisso, você só pensa depois de ver as críticas, ouvir os comentários ou ler no blog. Você não tem a real sensação no momento e não dá para saber a dimensão, é quase impossível. Lembro de quando desenhei o Robin (Tim Drake), eu fiz uma coisa nova, e muita gente reclamou de eu estar desenhando ele meio magrelo, mas também muitos criaram afinidade com ele. Eu reformulei o Kid Devil e muitos adoraram também o que eu fiz naquele momento, mas não dá pra ter a noção. Me lembro da Supergirl, gosto de desenhá-la do meu jeito, ela um pouco diferente do que o pessoal desenha, e as pessoas perguntam porque eu não desenho igual ao desenhista principal, e isso é devido porque eu não tenho a mesma visão que o atual desenhista regular, vejo ela de forma diferente, e o editor me respeita por isso, e posso fazer uma abordagem diferente.

IHQ: Na palestra você comentou que não tem tempo para ler. Durante o FIQ! você chegou a ver os lançamentos do mercado nacional?
Eddy Barrows:
Tenho algumas coisas de quadrinho nacional que as pessoas me passam, e no geral eu até acompanho. Um amigo me enviou o Comando V e me enviaram também o Cometa. Eu acompanhava muito o Eugênio Colonesse e o Mozart Couto, eu comprava esse material. Hoje não é que eu não queira mais comprar ou saber de material nacional, e sim a falta realmente de tempo de acompanhar a indústria, porque como coloquei na palestra, você precisa se aproximar do mercado que você está trabalhando, se você está no mercado americano você precisa estudar o que ele está pedindo e se adaptar a isso.

Eu acho que o desenhista brasileiro precisa se adaptar ao mercado nacional. Existem muito quadrinhista brasileiro desenhando igual ao quadrinho americano, e não é funcional isso para a gente aqui. Por isso existem os grandes mestres como Colonesse, Shimamoto e Mozart Couto que tem uma identificação com o público brasileiro, eles desenham de maneira que o cara da roça, por exemplo, consegue se identificar com os personagens. Mas a maioria dos quadrinhistas nacionais que trabalham aqui dentro do Brasil fazem coisas mais americanizadas, o que faz o leitor não se identificar. Acho que se você se propõe a fazer quadrinho nacional ele tem que ter a cara nacional, porque é diferente, são duas coisas bem diferentes os quadrinhos nacionais para os americanos.

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Confira as galerias de imagens sobre o FIQ! 2009:

Galeria 1 | Galeria 2 | Galeria 3 | Galeria 4

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