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Entrevistar Fabio Turbay no FIQ!2009 foi além de gratificante foi um momentoque para mim foi cheio de surpresas. O bate-papo foi realizado no estande da pessoal do Café Nanquim, que a todo momento tinha um café para ser tomado, e pintado. Não leitor, não escrevi errado, os quadrinhistas usavam o café como material de pintura, e misturam com naquim ou ecoline, e executavam ilustrações ao vivo. O resultado é uma técnica de aquarela mais escura e com um resultado final muito impressionante, e é claro uma ilustração com aroma maravilhoso.

Durante a entrevista aconteceu uma interrupção inesperada e Fabio Turbay, desenhista da publicação Mariazinha, estava prontamente disposto a atender a todos com agilidade e carisma, o que deixou claro como ele tem jeito de falar com as crianças e que Mariazinha não poderia ser desenhada por outra pessoa.

Mariazinha é uma publicação de Claudia Gomes e Fábio Turbay, e conta com o apoio da lei de incentivo a cultura da prefeitura de Vitória – Espírito Santo (Rubens Braga), e tem uma história interessante antes de conseguir ser publicada, a obra foi inscrita em duas leis e aprovada em ambas, mas em uma os autores foram “aconselhados” a mudar partes da publicação.

Durante a entrevista Fabio fala sobre esse episódio, as atividades que desenvolve nas escolas do Espírito Santo, as próximas aventuras de Mariazinha e muito mais.

Não deixe de conferir os links para as galerias de imagens do FIQ!2009 no fim do post!

Acompanhe a entrevista:

IHQ: Mariazinha é uma publicação que foi inscrita em duas leis de incentivo, e o curioso é que em uma ela foi barrada pelo conteúdo, como foi essa história exatamente?
Fabio Turbay:
Na verdade isso foi um caso interessante, porque existem algumas leis de incentivo municipais no estado de Espírito Santo e a gente nunca havia sido contemplados em nenhuma delas e já estávamos há três anos tentando, e quando bolamos o projeto da Mariazinha, nos vimos problemas e não fizemos por mau em inscrever o projeto em duas leis, e ele acabou sendo aprovado em ambas.

O mais interessante de que o fato de em uma das leis o projeto foi aconselhado em ter alguns cortes, acho que é o fato de não haver um intercâmbio de informações entre as leis e isso exemplifica bem as falhas que existem no mesmo processo das leis de incentivo.

IHQ: Como foi o pedido do corte de algumas partes de Mariazinha?
Fabio Turbay:
O livro passou nas duas leis, e em uma delas a gente foi aconselhado a censurar algumas tiras. Sobre o conteúdo foi aquela besteira, pra você ver eu tenho no mínimo 140 quilos e um cara desse não pode fazer uma piadinha de gordo? É estranho porque tinha uma que a Mariazinha fica com medo de ver o Micky Jagger nadando na praia e aponta para ele e fala com o mostro marinho que explica que é apenas o Micky Jagger e ela responde que assustador. Ai o pessoal falou que o Micky Jagger é uma pessoa normal, e que não podemos fazer uma piadinha assim com ele. Foi isso, o que eu posso dizer? Um brinde ao politicamente correto.

IHQ: Vocês lançaram a versão censurada?
Fabio Turbay:
Sim, lançamos a primeira versão que é a proibidona, que o pessoal ri quando falamos assim, e temos a versão light, que os pais e mestres aconselham a colocar dessa forma. Eu aconselharia até você fazer uma leitura comparativa entre as duas versões e ver se realmente tem algo assim tão desaconselhável.

IHQ: Como funciona a divulgação então das duas edições?
Fabio Turbay:
Ambas as versões são aconselháveis e para o pessoal do circuito a gente conversa sobre isso, falamos que tem a versão proibidona, mas que é um livro infantil, então trabalhamos com as duas ao mesmo tempo.

Acabou ficando até uma coisa até mais prática, porque teve o livro impresso primeiro, vimos algumas falhas, além do aconselhamento editorial forçado, vimos em algumas tiras algumas pequenas falhas que não passaram pela revisão. Então trabalhamos com as duas ao mesmo tempo, com o pessoal que a gente conversa e ouve a história preferem a original e nas escolas trabalhamos com a versão corrigida vamos dizer assim.

IHQ: Como funciona o projeto que vocês desenvolvem nas escolas?
Fabio Turbay:
Temos vários projetos da Mariazinha nas escolas, porque ela é o personagem ideal para o incentivo da leitura. Algumas escolas têm espaços para leitura como as salas que são uma espécie de adendo à biblioteca, e isso é muito triste porque várias das escolas municipais que visitamos não tinham bibliotecas, e quando a professora conhecia o projeto ela pedia um auxílio e indicações de como fazer. Então agora estamos montando um projeto de levar gibitecas de pequeno porte as bibliotecas municipais das escolas mais próximas de Vila Velha.

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*durante a entrevista uma leitora mirim por volta de 6 a 8 anos pede um autógrafo de Fábio Turbay. Isabela estava acompanhada por sua mãe Carla Andrade.

Isabela e Carla Andrade

IHQ: O que você mais gostou da Mariazinha?
Gostei da leitura de Mariazinha.

IHQ: Depois de ler você sentiu vontade de ler mais?
Sim, gostei e quero ler mais.

IHQ: Você quer ler mais histórias de Mariazinha?
Quero muito.

IHQ: Você gostaria de ver ela fazendo o que nos próximos livros?
Não sei, eu acho que ela pode falar sobre a vida dela.

IHQ: Como você conheceu a Mariazinha?
Eu ganhei da minha mãe.

IHQ: E você mãe da Isabela por que comprou Mariazinha?
Porque eu acho que é uma leitura apropriada para as crianças e incentiva a ler. Achei interessante e apresentei para a minha filha.

IHQ: Você sabia que Mariazinha tem o apoio de uma lei municipal do Espírito Santo que incentiva a leitura?
Eu não sabia, mas eu acho importante ter essas leis de incentivo, principalmente as que são voltadas para leitura das crianças, porque é a partir dessa idade é que elas formam uma personalidade e uma opinião própria, através da leitura que eles tem acesso.

IHQ: E o que você acha da linguagem dos quadrinhos e o formato de tiras para as crianças?
Eu achei que de fato a linguagem foi de fácil entendimento, as crianças não dependem da mãe para ficar lendo o livro o que desperta mais o interesse delas pela leitura.

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IHQ: Acabamos de ver uma leitora sua dizendo que adorou fez a mãe comprar uma edição e tudo mais. Como você recebe essa recepção das crianças?
Fabio Turbay:
Como a Mariazinha foi o primeiro trabalho desse tipo de linguagem, meu e da Claudia Gomes, nós tentamos caprichar, mas ficávamos preocupados porque não sabíamos o resultado e foi realmente uma surpresa. Nós não esperávamos todo essa reação, é bem legal você trabalhar com um produto que você sabe que a pessoa vai gostar, que ela não vai se arrepender da compra.

Por exemplo, quando tem gente parada no estande eu vou lá e pergunto se ela gosta de quadrinhos, se gosta de tiras e apresento o álbum e elas começam a rir e dizem que vão comprar. Então está bem uma relação de conheceu, gostou e comprou.

IHQ: Como anda a produção independente de quadrinhos no Espírito Santo?
Fabio Turbay:
Olha se você fizer essa pergunta para algum paulista, para algum carioca, pernambucano, gaúcho e tal que eu acho que a resposta vai ser a mesma. O pessoal que deseja fazer quadrinhos independentes tem que mostrar o seu trabalho por conta própria e correr atrás do seu público, porque as editoras não apostam nos quadrinhos independentes e com Mariazinha não foi diferente. Se você tem um bom produto você consegue manter o trabalho e por isso mantemos as atividades nas escolas. O importante é você ter qualidade na sua proposta.

IHQ: Vocês já receberam alguma proposta de alguma editora para publicar Mariazinha?
Fabio Turbay:
Já tivemos várias reuniões com algumas editoras maiores e estamos ouvindo o que eles tem a dizer e eles dão boas dicas. Estamos em uma produção diária e estamos aqui para aprender, queremos fazer o melhor e sabemos que um dia vai sair por alguma editora.

IHQ: Quais são os próximos projetos para Mariazinha?
Fabio Turbay:
Tem o Sarau da Mariazinha que é um projeto de poesia infantil que terá ilustrações minhas. Em seguida terá o Cordel da Mariazinha, que estou até freqüentando algumas turmas de artes plásticas da Universidade Federal do Espírito Santo, estou aprendendo a técnica da xilogravura para fazer o livro mais fiel, para os leitores verem que nos esforçamos para fazer um bom produto.

E estamos fazendo um gibi também com o José Salles da Júpiter II, uma editora pequena, mas que acreditamos na proposta dele e pretendemos lançar esse ano ainda.

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Confira as galerias de imagens sobre o FIQ! 2009:

Galeria 1 | Galeria 2 | Galeria 3 | Galeria 4

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