leitura_coreto

Espaço aberto onde estava as revistas para consulta

Continuando a programação, o domingo de manhã foi bem tranquilo tendo a atividade Gibiteca no Ponto de Leitura especial de HQ, onde quase duzentos livros e revistas em quadrinhos estavam disponíveis para consulta no Coreto do Parque Municipal, as crianças foram as que aproveitaram mais. E falando delas, as oficinas direcionadas pra elas sempre estavam com um bom número de participantes.

ivan_rafael

Ivan Brandon e Rafael Albuquerque e que foi o tradutor na mesa

Ao mesmo tempo que acontecia a primeira palestra do dia foi as 14h, com o americano Ivan Brandon, autor de Vikings, que falou sobre o seu processo de criação para roteiro e inspirações, ocorria o lançamento do livro “Shenzhen” e sessão de autógrafos com Guy Delisle.

guy_delisle_autografa

Guy Delisle

Continuando os bate-papos, Will Conrad, desenhista do Pantera-Negra (Marvel), falou sobre o começo de sua carreira e como foi marcante o seu encontro com Eisner em 1997.

will_conrad

Will Conrad

Na sequencia Eddy Barrows falou sobre a sua carreira e como ele a divide em duas fases, e como ele sempre se coloca na posição do leitor, quando começa a desenvolver algum projeto.

ed_barrow_02

Eddy Barrows

Logo após foi a vez de Rafael Albuquerque, um dos autores de Powertrio, que comentou a sua carreira e sobre a época que trabalhava em estúdio para o mercado de quadrinhos árabe. Comentou sobre o lançamento de Encore, e sobre o projeto que está em produção e que tem previsão para o final de 2010, Edu em Apuros, que na revista Cabaret, já vem com um preview. Quando perguntado se o Edu dos quadrinhos era o Edu Medeiros, um dos integrantes do Mondo Urbano, Rafael afirma que sim, mas que a história não tem nada a ver com o desenhista, e que já está sendo feito um personagem para Mateus Santolouco, e quem sabe mais para frente um com as características dele.

mesa_indie

Vasilis Lolos, Fábio Moon, Becky Cloonan, Rafael Grampá e Gabriel Bá

As 16h30 começou a mesa que o assunto era o “Mercado Indie” com a participação de Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Grampá, Becky Cloonan (ITA) e Vasilis Lolos (GRE), cada artista se apresentou e comentou como começou nos quadrinhos, detalhe para Vasilis que comentou que o mercado grego de quadrinhos é quase inexistente. Grampá, autor que Mesmo Delivery agora será publicado pela DarkHorse, comentou que apesar de agora ter assinado com a editora americana, os primeiros exemplares chegou ao mercado lá fora como publicação independente, e que todos os custos foram bancados por ele mesmo. Becky comentou como o mercado independente nos Estados Unidos está crescendo cada vez mais, e uma prova disso é que feiras antes que só tinham autores independentes e fanzines, agora já contam com estandes da Marvel e DC.

mesa_chinesa

Mesa Quadrinhos na China

Depois do “Mercado Indie” foi a vez do mercado chinês, com a mesa Quadrinhos na China, que contou com as presenças de Xiao Pan (FRA/CHI) e Benjamin (CHI). Xian Pan, é francês e seu nome verdadeiro é Patrick Abry, agencia artistas chineses para o mercado internacional, como Benjamin (Bin Zhang), que durante a palestra pintou uma imagem utilizando o software Painter.

mesa_italiana

Mesa sobre quadrinhos italianos

Fechando o domingo os italianos Gabriella Giandelli (quadrinhista) e Claudio Curcio (organizador do Napole Comic Con), falaram sobre o mercado de histórias em quadrinhos na Itália.

criancas_fiq

Esse ano o festival teve um dia a mais, e foi justamente na segunda feira, dia 12 de outubro, o dia das crianças foi tranquilo e o clima já estava de despedida e saudades, mas ainda havia toda uma tarde pela frente.

jose_aguiar

José Aguiar

As 14h aconteceu o bate-papo com José Aguiar, que falou sobre a sua carreira e falou sobre as suas principais publicações.

Às 15h o assunto da mesa foi Quadrinhos fora do papel: multiplicando as possibilidades da linguagem nos novos mercados, com a participação de Leo Ortiz, Alex D’ates e Gio Vieira, que falaram sobre o Kaplan Project, quadrinhos para o formato Iphone. Mais informações sobre o projeto aqui.

hq_web

Gio Vieir, Alex D’ates e Leo Ortiz

Em seguida, às 15h30min, ocorreu o bate-papo relâmpago sobre Anatomia, com Will Conrad, que se ateve a discutir técnicas de desenhos, comentários a formatos anatômicos de personagens, e concluiu falando sobre os iniciantes que só querem desenhar seres anabolizados que não existem.

will_conrad2

Will Conrad

A penúltima mesa do dia teve início às 16h30, e foi a mais debatida de todo o FIQ. Com a presença de Luis Gê, André Toral e Wellington Srbek o debate era intitulado de Versão em Quadrinhos, que discutia as adaptações de literatura para HQs. Luiz Gê esse ano lançou O Guarani, da obra de José de Alencar, Wellington Srbek irpa lançar em breve a sua versão de Braz Cubas, da obra de Machado de Assis e André Toral que publica obras autorais, não adaptou nenhum obra literária, mas alertou sobre o perigo de usar as adaptações como material didático, e foi ai que a mesa esquentou.

literatura_hq

Luis Gê, André Toral e Wellington Srbek

Para Toral usar adaptar clássicos “indigenistas” como Iracema, e usá-los para fins paradidáticos, é um erro, já que não existe rigor histórico nessas obras, e como são histórias da época de romantismo literário brasileiro, distorcem a caracterização do índio, logo o que seria ensinado nas escolas seria um grande equívoco.

E mesmo quando acabou a energia no Teatro João Ceschiat (segundo a organização foi uma queda em todo o bairro), o assunto não se apagou porque Luiz Gê comentou o seu ponto de vista que ia contrário de Toral. Gê assume uma posição de apoio ao que se está produzindo no Brasil, e falou sobre o seu processo de criação quando produziu o Guarani, chegando a dizer que colocou alguns elementos que não estão na obra original, mas que servem para contar melhor a história, o que gerou uma reação de alguns dos participantes da platéia, que foram contrários a essa idéia, e concluiu dizendo que pela primeira vez no Brasil as grandes editoras se interessam em publicar HQs, a exemplo da Ática.

Srbek comentou que teve o cuidado de manter o máximo possível do texto original de Machado, fazendo apenas pequenos ligamentos entre uma ideia e outra, acrescentando bem pouco ao texto, e lembrou que a maioria das vezes esse tipo de material é usado em aulas de literatura e não de história.

olivier_tallec2

Olivier Tallec

Depois de terminado o debate Versão em Quadrinhos (já com energia dentro do teatro), foi a vez do convidado francês Olivier Tallec, co-autor do livro recém lançado Negrinha, que comentou não ser artista de HQs e justamente por isso foi convidado pela editora francesa Gallimard para produzir o álbum.

fabrica_hq

Saindo do teatro já dava pra sentir o clima de fim de festa depois de quase uma semana de evento. Como foi o primeiro FIQ! do Impulso HQ não podemos fazer um balanço ou uma comparação com as edições anteriores, mas deu pra perceber como o evento sofreu um pouco por causa da chuva, mas foi logo superado. O publico compareceu principalmente no sábado, e como não temos ainda os dados oficiais de visitação, não podemos afirmar se superou o ano de 2007.

publico

Mas em relação ao conteúdo não tem o que se discutir. As exposições estavam em um espaço excelente (apesar de nem todas terem catálogo), a sala de exibição de filmes também tinha conforto e os convidados eram todos de alto nível. Ficamos sabendo também que durante a análise de portifólios por Eddie Berganza, um dos inscritos teve bons elogios e parece que o contato será mantido para um possível teste (informação não confirmada).

publico2

De certo o que ficou é o potencial que o evento possuiu e como ele pode se tornar uma atração oficial entre o calendário de feiras e eventos internacionais sobre quadrinhos. Claro que algumas falhas tiveram, mas isso é facilmente resolvido e esperamos que para a próxima edição do evento em 2011, o FIQ! venha ocupe de vez o lugar que merece.

___________________________________________________

Para esse post separamos a mini entrevista que fizemos com André Conti, editor do selo Quadrinhos na Cia, que representava a editora Cia da Letras, a única editora grande que compareceu ao Festival. A Panini esteve presente apenas com títulos antigos e não encontramos nenhum representante para falar sobre os títulos.

craig_thompson_03

IHQ: A Cia das Letras está tendo o retorno esperado publicando quadrinhos?
André Conti:
Nós já publicávamos quadrinhos, como Will Eisner que dividimos com a Devir, o Spiegelman, o Persépolis da Marjane Satrapi e sempre teve um retorno bom não só financeiro, mas é legal para uma editora diversificar e fazer quadrinhos e livros infantis. Daí surgiu a idéia de lançar o selo para montar um esquema mais regulares, porque antes lançamos quadrinhos mais quando encontrávamos títulos como Persépolis que tem a ver com Cia das Letras e é um quadrinho bom. A partir desse momento percebemos que tem muitos quadrinhos que tem a ver com a Cia da Letras, muito quadrinho literário, muito quadrinho juvenil e adulto bom.

A aposta foi muito melhor do que esperávamos. Retalhos é um grande sucesso de vendas e de público, as pessoas lêem e comentam, e depois espalham pelo boca a boca, e o mesmo aconteceu com o Umbigo sem Fundo, que é um livro enorme com 720 páginas de um autor desconhecido no Brasil e foi impulsionado um pouco pelo bom momento de quadrinhos no Brasil que vem crescendo e por estar associado a uma editora que trabalha literatura, então vai para os leitores da Cia também, não só para os leitores de quadrinhos.

roy_tiras

IHQ: O novo selo da Cia da Letras mudou o mercado de quadrinhos no Brasil?
André Conti:
Não. Isso é uma coisa que o Quintanilha falou e eu concordo, que é “a entrada das grandes editoras no mercado de quadrinhos brasileiros não é a salvação”. Nós não iremos salvar ou transformar o mercado de quadrinhos. È um algo a mais, eu acho pelo menos que quanto mais quadrinhos colocarmos quadrinhos na rua, nós, a Conrad, a Desiderata, agora a Record, e mais para frente a Cosac Naify, quanto mais as editoras colocarem quadrinhos no mercado nesse momento de crescimento, mais estande a gente vai ter, mais vitrine, mais divulgação em jornal, acho que é um momento bom coletivo, mas que a entrada da Cia não transforma o mercado de jeito nenhum e nem temos essa pretensão.

leitura_2

IHQ: Quais são os próximos lançamentos do selo Quadrinhos na Cia?
André Conti:
Era para outubro, mas agora vai sair em novembro Jimmy Corrigan: O Garoto Mais Esperto do Mundo, de Chris Ware, que eu acho que deve ser a graphic novel mais importante dessa década, do ponto de vista formal, se consideramos quantas pessoas ela influenciou, se você perguntar para 1 0quadrinhistas, 9 leram e gostam. Em novembro também teremos Breakdowns, de Art Spiegelman, que será um álbum de luxo. O autor quer que o livro saia exatamente como foi lançado nos Estados Unidos, com capa dura, com inseridos em cartão e vai se chamar Breakdowns a pedido do autor, então não traduzimos o título.

Para o próximo ano teremos Cachalote, do romancista gaúcho Daniel Galera e do desenhista Rafael Coutinho, que é uma graphic novel muito ambiciosa, com 300 páginas. Também era para esse ano, mas é muito grande, muito trabalho, então seguramos até Março.
Para a mesma época do ano que vem termos Scott Pilgrim, que é série que vai virar filme agora, pelo cineasta inglês Edgar Wright, que é o mesmo diretor de Shaun of the Dead. Scott Pilgrim é uma série em 6 volumes de Bryan Lee O’Malley, meio mangá falso, porque o autor é canadense e fala sobre cultura pop etc.

Temos um brasileiro já fechado que provisoriamente chamado Vento em Mala Fratá, que vai mudar esse nome, de Danilo Fraer, romancista e jornalista de São Paulo, junto com DW quadrinhistas curitibano. Esse é o primeiro semestre e temos mais coisas fechando que é melhor não falar para não azedar.

_______________________________________

Confira a segunda galeria de imagens feitas no FIQ!2009, clicando aqui.

Renato LebeauquadrinhosEddy Barrows,Edu Medeiros,FIQ,Guy Delisle,Ivan Brandon,Mateus Santolouco,Powertrio,quadrinhos,Rafael Albuquerque,Will ConradEspaço aberto onde estava as revistas para consulta Continuando a programação, o domingo de manhã foi bem tranquilo tendo a atividade Gibiteca no Ponto de Leitura especial de HQ, onde quase duzentos livros e revistas em quadrinhos estavam disponíveis para consulta no Coreto do Parque Municipal, as crianças foram as...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe