Procurando textos interessantes sobre hq, achei um que aborda uma questão que muitos fãs se perguntam até hoje sobre o fator de cura do Wolverine, que pessoalmente não considero o melhor x-men, eu prefiro o Gambit.

O texto é extenso, mas no final tem uma reflexão sobre editor / personagem / leitor que vale a pena conferir.

Fiquem com o texto:

Visto no “I think that… wherever!”

Vai ter fator de cura assim lá na Casa do Carvalho!

Que o Wolverine é “o melhor naquilo que faz” todo mundo já tá cansado de saber, afinal, não é a toa que atualmente ele é um personagem tão bom, mas tão bom naquilo que faz, que além tocar o terror em qualquer um que se mete com ele apenas mostrando suas famosas garras de adamantium, ele também é capaz de driblar as leis da física e estar em pelo menos três grupos de super-heróis ao mesmo tempo (a facção rebelde dos Vingadores pós-Guerra Civil, a mais nova e mais letal X-Force e os X-Men), além de protagonizar duas, isto mesmo, DUAS revistas solo. Sim, não é pra qualquer um não. O baixinho, literalmente, está em todas!

Mas, creio o que mais vem incomodando os fãs do mutante de cabelo mais maneiro do planeta (mas hein?!) não é a onipresença de que ele vem usufruindo no Universo Marvel de uns anos pra cá, nem a bagunça que virou seu passado (que já é bagunçado desde… deixa eu pensar… sempre?!), mas sim o grau de eficiência alcançado por seu fator de cura.

Recentemente o baixinho foi protagonista de uma das cenas mais controversas de sua história.

Durante uma caçada ao vilão Nitro, um sujeito capaz de gerar explosões através do seu corpo, sem com isto explodir a si mesmo (coisas de quadrinhos…), Wolverine recebeu à queima-roupa toda a intensa carga de uma destas explosões.

O negócio foi tão feio que tudo que sobrou do baixinho foi seu esqueleto de adamantium, cuja resistência foi suficiente para não ceder nem diante de uma quantidade tão grande de energia.

Isto devia ser o suficiente pra dar cabo do cara, certo? ERRADO!! Minutos depois, miraculosamente, Wolvie estava de volta ao campo de batalha, novinho em folha, porém sem seu famoso uniforme amarelo e azul.

Ou seja, ele passou a edição inteira peladão lutando contra Nitro (afinal, por mais foda que seja seu fator de cura, ele ainda não é capaz de reconstruir suas roupas). MAS COMO É POSSÍVEL UM NEGÓCIO DESSES?!! Vocês devem estar se perguntando.

E a Marvel respondeu: “Não fazemos a menor idéia! Só achamos que ficaria muito legal, e pronto!”

Claro que os editores não usaram estes termos, mas ficou explicitamente implícito que foi bem por aí a intenção deles. Deixar a gente com a pulga atrás da orelha, só pensando em como e quando diabos Wolverine tinha alcançado tal grau de fodasticidade.

Tem muito fã do personagem por aí chiando até dizer chega depois de ser forçado a engolir uma cena como aquela, e não dá pra tirar a razão de cada um deles, pois foi quase o mesmo que alguém nos dar um pedaço de carvão em brasa com lâminas encrustadas em sua superfície e dizer: “Manda pra dentro sem mastigar, faz favor!”

Mas eu, como um fã de quadrinhos que adooora criar teorias mirabolantes a respeito de explicações que nenhum escritor se arriscou a nos dar, depois de um período de revolta, fazendo coro com aqueles que sentiram sua inteligência sendo ofendida pela canastrice dos editores da Marvel, comecei a pensar um pouco a respeito do que eu já conhecia do personagem, e cheguei a uma explicação até redondinha sobre como ele conseguiu aquilo (na minha opinião, é claro).

Para entendermos a coisa toda, devemos começar láaaa do início de tudo, quando Logan era apenas James Howlett, um garoto doente filho de pais ricos, que um dia descobriu que era mutante no meio de uma situação altamente dramática e trágica, que culminou nele projetando de suas mãos, pela primeira vez em sua vida, garras pontiagudas de osso, rasgando pele e músculos.

Não demorou muito até ele descobrir que os ferimentos causados por elas logo se cicatrizavam, graças a um fator de cura que só foi se manifestar no início de sua adolescência (como ocorre com a maioria dos mutantes), estabelecendo, desta forma, um contraste bem irônico com seus anos de criança cheia de doenças crônicas.

A partir daí Logan começou a afastar-se de sua origem nobre graças a uma seqüência de eventos trágicos, que também o distanciaram de sua própria humanidade. Começou a vagar pelo mundo em busca de seu “lugar ao sol”.

Com o passar dos anos ele foi aprendendo a equilibrar-se entre o instinto puramente animal, e seu lado mais humano, seja aprendendo artes marciais no Japão, ou técnicas de combate militar no Canadá, levando-o a envolver-se tanto na Primeira como na Segunda Guerra Mundial, e finalmente na Guerra Fria, onde atuou ao lado daquele que viria a ser um de seus maiores inimigos anos mais tarde: Victor Creed, o Dentes-de-Sabre.

Durante todos estes conflitos seu fator de cura mostrou-se essencial para sua sobrevivência.

Um dia Logan foi capturado e levado a uma instalação secreta do governo canadense, cujo objetivo era criar supersoldados mutantes que serviriam como verdadeiras armas vivas sob seu total controle.

Para isto precisavam que fossem altamente resistentes a ferimentos, e seu fator de cura mostrou-se perfeito para seus intuitos. Na época uma outra pesquisa do governo canadense estava em andamento: a aplicação de ligas de adamantium no corpo humano.

Claro que eles não demoraram muito pra terem a sacada de unir um projeto ao outro, e aproveitarem a oportunidade que tinham em mãos.

Afinal, de um lado eles tinham o metal mais resistente já criado pelo homem, e do outro o homem capaz de resistir a qualquer tipo de ferimento. “E se revestíssemos o esqueleto dele com adamantium?”, perguntaram-se, “Teríamos a arma humana mais perfeita e poderosa já existente desde o Capitão América! A Arma X!” Este era o nome do projeto que visava transformar Logan no cão-de-caça do Canadá.

Obviamente deu tudo errado.

Logan conseguiu resistir à lavagem cerebral que vinham fazendo nele, a fim de domar seus instintos assassinos, mas estes foram mais fortes, muito provavelmente por influência de seu fator de cura, que não só ajudou-o a sobreviver ao processo de implantação do adamantium no seu esqueleto, como também a cada ferimento infligido nas muitas tentativas de encontrarem um meio viável de fazer isto.

Durante este período cativo, o fator de cura desenvolveu-se.

Quando já fazia parte dos X-Men, Logan teve uma breve aventura ao lado de Alex Summers, o Destrutor, irmão de Ciclope, durante a qual seu braço esquerdo foi seriamente ferido, sobrando pouco mais que o osso revestido pelo adamantium, e partes dos músculos.

No final da história ele já estava com braço quase inteiramente reconstruído.

Anos depois, durante uma dramática batalha contra Magneto, Wolverine feriu o vilão com suas garras, que respondeu ao golpe com um contra-ataque extremo: extraiu cada gota de adamantium do esqueleto de Logan com seus poderes magnéticos, através de seus poros.

Isto não apenas feriu-o de uma das maneiras mais traumáticas já experimentadas pelo mutante, como também desregulou seu fator de cura, que por um tempo não funcionou muito bem.

A perda do adamantium também afetou a mente de Logan, que deu indícios de que corria o risco de reverter-se a um estágio mais animal do que humano.

Por um tempo ele ficou vivendo na floresta nos arredores da Mansão dos X-Men, procurando manter-se afastado de qualquer ser humano, para evitar problemas caso perdesse o controle de seu lado primitivo.

Nesta mesma época, Wolverine tinha um inimigo chamado Cyber, um sujeito grandalhão que tinha braços revestidos por uma couraça de adamantium.

Chegaram a se trombar algumas vezes antes e depois de Logan perder o revestimento de seu esqueleto.

Enquanto Logan procurava descobrir de que forma seu corpo estava reagindo à perda do metal, Cyber foi capturado por um vilão chamado Genesis, que o matou a fim de roubar o adamantium que possuía em seu corpo.

Mais tarde Genesis capturou Logan e revelou seu plano: reimplantar o adamantium roubado de Cyber no esqueleto de Wolverine, e transformá-lo num dos membros de seu grupo, os Cavaleiros da Tempestade.

Durante a tentativa de reimplante, Wolverine resistiu a ela, e com a ajuda de seu fator de cura ele foi capaz de expelir o adamantium já parcialmente implantado, mas não apenas isto, sua própria forma física alterou-se. Assumiu o aspecto de uma fera humana, num nível tanto físico como mental.

Com o tempo, graças a um treinamento que fez com Elektra, aos poucos ele recuperou sua aparência humana através de uma rígida disciplina de autocontrole, até que o vilão Apocalipse capturou-o, e reimplantou definitivamente o adamantium no seu corpo, usando um processo mais refinado que aquele utilizado por Genesis, usando, paralelamente, técnicas mais avançadas de lavagem cerebral, que o impediram de novamente tentar lutar contra o reimplante.

Wolverine, por um breve período, tornou-se Morte, um dos Cavaleiros do Apocalipse, até conseguir resistir ao controle mental do vilão, e voltar-se contra ele.

Mais adiante o Tentáculo, o mesmo grupo de ninjas assassinos do qual Elektra foi integrante, armou uma emboscada para Wolverine, matando-o (isto mesmo!), e logo em seguida ressuscitando-o através de magia negra.

Todos aqueles que são mortos e ressuscitados pelo Tentáculo passam a ter a mente controlada pelo grupo, tornando-se mais uma parte do “corpo” formado pela vasta rede de seus membros (como um polvo mesmo).

Isto fez com que ele se voltasse contra vários super-heróis da Marvel (a intenção do Tentáculo era matar os mais poderosos e transformá-los em soldados controlados por eles, como fizeram com Logan), até que, mais uma vez, ele recuperou o controle sobre seu corpo, e partiu com tudo pra cima da organização que vinha zuando com a mente dele (a cena dele montado num Sentinela reprogramado tocando o terror no QG da organização é antológica!).

Não muito tempo depois, graças a um efeito colateral do evento conhecido como Dinastia M, durante o qual Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate, filha de Magneto, usou seus poderes de manipulação da energia do caos pra remodelar o mundo, Logan recuperou todas as lembranças que tinha de sua vida anterior ao projeto Arma X, lembranças estas que até então estavam bloqueadas graças às muitas manipulações mentais por que passou.

De alguma forma a magia da Feiticeira Escarlate, usada para fazer com que o mundo voltasse a ser da forma como era antes de reconstruí-lo como um império mundial dominado por mutantes, cujo governante era seu pai, afetou a constituição cerebral de Logan.

Depois disto, Wolverine passou a integrar os Vingadores por um tempo, até que veio a Guerra Civil, Nitro se explodiu próximo a um colégio durante uma luta contra os Novos Guerreiros, matando mais de 600 pessoas, em sua maioria crianças, o que despertou o desejo de vingança do baixinho, que foi atrás do sujeito querendo fazer justiça com as próprias mãos, e finalmente chegamos à cena descrita no começo deste post.

Basicamente, este é um resumo das principais atuações do fator de cura de Wolverine ao longo de sua história.

Tendo tudo isto em mente, há alguns pontos a serem destacados:
1º) Houve uma clara evolução do fator de cura do personagem desde a primeira manifestação dele, que atingiu um nível sem precedentes durante seu combate com Nitro;

2º) Seu fator de cura também é capaz de atuar sobre a massa cerebral, a ponto de ajudá-lo a lutar contra algumas das muitas manipulações mentais feitas por alguns vilões;

3º) Ele também é capaz de reconstruir tecidos seriamente destruídos, como no caso de seu braço durante sua aventura com Destrutor, como se suas células “se lembrassem” do que aquelas que foram destruídas formavam antes de sofrer o ferimento, por maior e mais irreversível que ele possa parecer;

4º) Tanto na época em que o adamantium foi implantado em seu esqueleto, como na vez em que o metal foi removido dele por Magneto, Logan sofreu um processo de reversão mental para um estado animalesco, que atingiu níveis extremos quando ele próprio expeliu o metal de seu corpo;

5º) O adamantium que o vilão Genesis tentou implantar em seu esqueleto pertencia a um inimigo de Wolverine. Baseado nisto pergunto: será que ele expeliu conscientemente o metal, ou foi seu corpo que o rejeitou, reconhecendo-o não só como um corpo estranho, mas também como algo que havia pertencido a alguém que o feriu em ocasiões anteriores?

6º) Desde que perdeu o adamantium Wolverine passou a ter problemas para controlar seu instinto animal, e ao perder totalmente o controle sobre ele, assumiu uma forma bestial, com garras cheias de espinhos, pêlos mais longos, rosto felino, aspecto mais intimidador. Não seria esta uma forma de defesa do seu corpo para compensar a segunda perda do metal que revestia seu esqueleto?

Conclusão:

Depois de mais de um século sofrendo os mais variados tipos de ferimentos, desde um simples corte, até as mais terríveis queimaduras, o corpo de Wolverine, ou, mais especificamente, as células de seu corpo, adquiriram um apuro cada vez maior na “arte” de reconstruir-se depois de cada dano sofrido.

A cada novo ferimento seu corpo “aprendia” uma forma nova de retornar a um estado anterior à perda provocada.

Suas células adquiriram o mesmo tipo de potencialidade das células-tronco embrionárias, capazes de se diferenciarem, convertendo-se em qualquer tipo de tecido do organismo.

Isto explicaria como ele conseguiu reconstruir seu braço após perder grande parte do tecido muscular e nervoso, durante a história protagonizada por ele ao lado de Destrutor.

Assim, cada célula de Logan guarda em si um mapa completo de todo o corpo do mutante, fazendo uso de uma “memória-celular”. Portanto, no nível atual de sua mutação, Wolverine é capaz de resconstruir-se a partir de qualquer resquício de matéria celular restante.

No caso da destruição provocada por Nitro, apenas seu esqueleto havia restado, mas, não é totalmente impossível que haja sobrado tecido ainda vivo ali (afinal, estamos falando de um sujeito que, muitas vezes, começava a curar-se imediatamente após sofrer um ferimento).

Além disto, como pode ser deduzido a partir do que ocorreu na ocasião em que expeliu de si o adamantium que Genesis tentou implantar no seu esqueleto, suas células podem memorizar não só o todo do qual fazem parte, como também o próprio histórico do que aconteceu a este todo, isto é, ao corpo de Logan, desde o seu nascimento.

Por isto não pode ser descartada a possibilidade de que foi o corpo, acima da consciência do mutante, que expulsou de si um metal que revestia os braços de um inimigo dele, alguém que lhe representava uma ameaça no passado.

E a forma bestial que ele assumiu após este evento pode ser explicada como uma “mutação colateral”, uma forma de compensação física e psíquica pela perda do metal.

O corpo de Logan havia se dado conta de que, sem o metal, ele devia assumir uma postura mais agressiva que a adotada anteriormente, uma forma que afastasse de si qualquer potencial perigo pra sua constituição física.

O mesmo ocorreu em menor escala quando ele havia acabado de receber seu primeiro implante de adamantium, durante o projeto Arma X, mas naquela ocasião não havia necessidade deste “retrocesso mental” afetar seu aspecto físico, já que o adamantium mostrou-se um aliado na defesa de seu corpo contra as ameaças que enfrentou após recebê-lo, como seu corpo logo veio a aprender.

Claro que isto é pura especulação da minha parte, afinal, a Marvel, até o momento, não arriscou nenhum tipo de explicação convincente a respeito do nível atual do fator de cura de Wolverine.

E é óbvio também que esta “teoria” minha não pode ser totalmente levada a sério, afinal, estou usando como base pra ela a “pseudo-ciência” dos quadrinhos para sustentá-la.

E mesmo que a minha explicação se aproxime, futuramente, da que a Marvel pretende dar (caso isto algum dia aconteça), isto não mudaria o status que o personagem atingiu em sua atual fase, tornando-se praticamente imortal e invencível.

Com o tempo perde-se o interesse em torcermos por um personagem que, não importa o que aconteça, no instante seguinte ele vai aparecer com um sorriso de canto de boca, dizendo quão fodão ele é, e que ninguém pode com ele.

O Logan de antigamente podia ser foda, mas era um cara que, se não tomasse cuidado, poderia se ferrar pra valer, não tendo fator de cura que desse conta.

Parece que os escritores e editores que vem cuidando do personagem atualmente estão se esquecendo que um dos grandes fatores de identificação entre um herói e seus fãs não são seus poderes, mas sim suas fraquezas, e a capacidade que eles possuem de superarem cada uma delas não simplesmente se tornando mais poderosos do que já são, mas se virando com o pouco que já têm, e aprendendo com os erros que cometeram no uso do que possuem.

E diante disto, me pergunto: até quando um personagem que, mesmo errando, acaba não sofrendo na pele as conseqüências de seus erros vai continuar despertando o interesse de seus admiradores?

Se as coisas continuarem assim pro Wolverine, não haverá fator de cura que o ajude a recuperar-se da pior das injúrias: a perda dos poucos leitores que ainda se importam com o que lhe acontece.

Visto no “I think that… wherever!”

Renato Lebeaufator de cura,Wolverine,x-menProcurando textos interessantes sobre hq, achei um que aborda uma questão que muitos fãs se perguntam até hoje sobre o fator de cura do Wolverine, que pessoalmente não considero o melhor x-men, eu prefiro o Gambit. O texto é extenso, mas no final tem uma reflexão sobre editor / personagem...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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