image003Na última quarta-feira, 07/01, o mundo foi despertado com a notícia de que um grupo de fanáticos islâmicos invadiu a redação do jornal Charlie Hebdo e assassinou 12 pessoas, entre eles os cartunistas Charb, 47 anos, Cabu, 47 anos, Wolinski, 80 anos, e Tignous, 58 anos. O motivo? Uma retaliação religiosa devido ás muitas sátiras que o periódico vinha fazendo.

Charb, o editor do jornal vinha fazendo sátiras aos atentados dos terroristas islâmicos usando a figura do profeta Maomé. Como representar graficamente o profeta é considerado blasfêmia, o cartunista entrou na lista de mortes da Al-Qaeda em 2013 e desde então estava sob proteção policial.

A polêmica que começou em 2006, quando jornal decidiu republicar charges com Maomé teve seu momento mais dramático (até então) em 2011, quando a redação do jornal foi destruída num incêndio criminoso após a publicação de um número especial sobre a vitória do partido islâmico Ennahda na Tunísia, no qual o profeta Maomé era o “redator principal”.

Desenho de Wolinski, um dos desenhistas mortos no atentado
Desenho de Wolinski, um dos desenhistas mortos no atentado

Em sua última charge, Charb dizia: “Nenhum ataque na França ainda! Espere, nós ainda temos até o final de janeiro para enviar os nossos desejos!”. Ele nem precisou esperar tanto. Segundo relatos, os invasores estavam no encalço do editor e vitimaram todos os que estavam na reunião de pauta da revista.

Wolinski, um dos responsáveis pelo jornal é conhecido e admirado no Brasil desde os anos 70, quando a revista Grilo publicou sua Paulette. A personagem ilustrada pelo desenhista Pichard teve pelo menos um de seus álbuns publicado pela editora LPM.

image008Ao longo do dia, vários cartunistas brasileiros lamentaram a perda:

Em nome do Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, venho manifestar o nosso mais veemente repúdio ao atentado terrorista ocorrido hoje em Paris, contra o semanário “Charlie Hebdo”, que resultou em 12 mortes e outros feridos graves. A revista, que tradicionalmente ironizava a intolerância política islamita, foi covardemente assaltada e fuzilada.

O humor gráfico tem como traço principal, historicamente no mundo todo, a sua não subserviência contra quaisquer tipos de ditaduras, sejam políticas, militares ou religiosas.
Adolpho Queiroz , do Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba

Estamos chocados com a notícia do ataque e das mortes no jornal Charlie Hebdo, não só pela violência e pelas perdas inestimáveis, mas também porque não faz muito tempo que publicamos um livro ilustrado especialmente por Charb, editor-chefe do semanário, um dos mais importantes cartunistas franceses.
Boitempo Editorial, que publicou no Brasil o livro Marx, manual de instruções, que conta com cerca de 60 charges de Charb

Marx Manual de instruções.inddPor mais que um veículo de mídia – neste caso, de desenhistas – esteja desrespeitando esses preceitos religiosos, não se justifica essa violência, que é prejudicial aos próprios povos do Islã, já que o termo “islã” está ligado à palavra árabe salam, que significa paz – o que indica o caráter pacífico e tolerante da fé islâmica.

Repudiamos, sempre, todo e qualquer ato de violência à liberdade de expressão. O desenhista é justamente o artista que busca a defesa dos mais fracos e oprimidos, desde que as charges começaram há 200 anos. A palavra “charge” é francesa e significa “carga”, por ser sempre uma carga crítica aos governos e dogmas que mancham os direitos humanos e a livre expressão. Esses mesmos desenhistas, mortos, foram críticos em suas vidas em relação aos governos que oprimem povos de países do terceiro mundo.

Esperamos que esse triste acontecimento seja um exemplo de intolerância a ser varrido das relações humanas para que a morte desses jornalistas e desenhistas não seja em vão.

Estamos em luto total.
José Alberto Lovetro (Jal), presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB)

A liberdade de expressão está de luto pelo atentado à revista satírica Charlie Hebdo, em Paris. Doze pessoas morreram na ação entre as quais três desenhistas. Um deles Wolinski, considerado um dos maiores cartunistas do mundo, que com seu traço descontraído e humor irreverente, influenciou um bom número de artistas brasileiros. Ele os fazia rir às lágrimas. Como muitos dos seus personagens. Nossas homenagens às vítimas da intolerância.
Mauricio de Sousa, desenhista

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/01/161_001.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/01/161_001-300x300.jpgAlexandre DassumpcaoquadrinhosCabu,Charb,Charlie Hebdo,Tignous,WolinskiNa última quarta-feira, 07/01, o mundo foi despertado com a notícia de que um grupo de fanáticos islâmicos invadiu a redação do jornal Charlie Hebdo e assassinou 12 pessoas, entre eles os cartunistas Charb, 47 anos, Cabu, 47 anos, Wolinski, 80 anos, e Tignous, 58 anos. O motivo? Uma...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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