pnbe

Visto no Blog dos Quadrinhos – por Paulo Ramos

Havia um mistério sobre quem selecionava as obras em quadrinhos do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do governo federal. O dado não era público.

Fim do mistério: quem faz a triagem dos títulos de histórias em quadrinhos são representantes de diferentes universidades. Todos são ligados à área de literatura.

A informação consta na última edição da “Educação”, à venda nas bancas. A revista traz uma reportagem sobre o uso dos quadrinhos no ensino.

O PNBE compra lotes de livros literários e os distribui a escolas do ensino básico (fundamental e médio). Desde 2006, a seleção inclui obras de histórias em quadrinhos.

O blog havia abordado o assunto no último dia 3. Na postagem, foram questionados os critérios adotados para a seleção de quadrinhos para compor a próxima lista.

O edital de inscrição de obras prevê, para as histórias em quadrinhos, os mesmos critérios de escolha de obras literárias. A ponderação é que quadrinhos não são literatura.

No caso específico dos quadrinhos, havia um adendo, que sinalizava uma generalização sobre o que seriam as HQs e sugeria um critério subjetivo para a seleção delas:

•    “Nos livros de imagens e quadrinhos, também será considerada como critério a relação entre texto e imagem e as possibilidades de leitura das narrativas visuais”.

Segundo a reportagem de “Educação”, a responsável por coordenar a escolha das obras – literárias e de quadrinhos – é a professora universitária Aparecida Paiva.

Ela integra o Ceale (Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita), ligado à Universidade Federal de Minas Gerais.

Aparecida Paiva detalhou os critérios de seleção dos quadrinhos à repórter Rachel Bonino, autora da matéria da revista “Educação”.

O blog reproduz a seguir os trechos da entrevista ligados a histórias em quadrinhos.

– Como se explica o aumento dos títulos de quadrinhos no PNBE? Há alguma orientação nesse sentido?
– A explicação é simples: consta no edital do MEC (divulgado no site) a chamada para a categoria quadrinhos e, como os segmentos avaliados na edição passada foram os anos finais do ensino fundamental e ensino médio, em que a produção editorial nesse gênero é maior, o número de inscritos cresceu.

– Quais foram os critérios para a seleção dos títulos de quadrinhos?
– Os mesmos estabelecidos para qualquer outro gênero em avaliação, com atenção às especificidades desse tipo de linguagem: qualidade textual; qualidade temática; qualidade gráfica.

– Quantos professores participaram da seleção dos títulos da lista 2009?
– Participaram da seleção 72 avaliadores (mestres e/ou doutores na área), vinculados a instituições de ensino superior (preferencialmente públicas) de 14 estados brasileiros, agrupados em quatro sub-coordenações, submetidas a uma coordenação geral e uma consultoria.

As deliberações finais sobre os acervos foram submetidas a um colegiado de 12 pesquisadores, representantes de cinco núcleos consolidados de pesquisa e pós-graduação na área de teoria literária e ensino de literatura, instância da qual fizeram parte, também, técnicos do MEC.

– Como a senhora recebeu as críticas à escolha de muitas obras adaptadas?
– As críticas, muito provavelmente, fundamentam-se em posições mais conservadoras sobre o texto literário, pouco voltadas para a recepção do leitor pretendido, para a possibilidade de mobilizá-lo com uma linguagem que lhe seja mais atraente.

Isso não significa abrir mão do texto original, ou barateá-lo, como supõem alguns; pelo contrário, foram selecionadas e defendidas excelentes obras em sua versão original.

As obras adaptadas, pelo menos as selecionadas, preservam o valor estético da obra original, agregam valores oriundos de uma outra linguagem e pressupõem uma porta de entrada para futuras leituras do mesmo texto.

– O professor sabe trabalhar livros de HQs em sala de aula?
– As mesmas dificuldades encontradas para trabalhar esse gênero em sala de aula se aplicam aos demais. Está clara a necessidade de se investir no “uso” dos acervos do PNBE como um todo.

As pesquisas demonstram claramente quanto ainda é fundamental investir na formação do leitor-professor para que ele esteja em condições de exercer uma boa mediação de leitura, independente mente do gênero trabalhado.

A reportagem completa de “Educação” está disponível para leitura on-line no site da revista.

Visto no Blog dos Quadrinhos – por Paulo Ramos

Renato LebeauquadrinhosCeale,MEC,PNBE,quadrinhosVisto no Blog dos Quadrinhos – por Paulo Ramos Havia um mistério sobre quem selecionava as obras em quadrinhos do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do governo federal. O dado não era público. Fim do mistério: quem faz a triagem dos títulos de histórias em quadrinhos são representantes de diferentes...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe