Na ocasião do lançamento em São Paulo, estavam presentes três quadrinhistas brasileiros que participam da primeira edição da Fierro nacional. Gustavo Duarte com o seu traço fluido já muito conhecido pelos leitores de quadrinhos e das charges esportistas, Danilo Beyruth que com a sua técnica de pincel faz muito leitor ficar impressionado e Elloar Guazzelli, quadrinhista gaúcho que possui uma longa história com os quadrinhos argentinos, tendo até participado da Fierro argentina nos anos de 1980 e 1990.

O Impulso HQ conversou com os três para saber mais sobre como é participar desse momento das HQs brasileiras. Confira:

Impulso HQ: Como você recebeu o convite em participar da primeira Fierro nacional e qual a emoção em fazer parte dessa publicação?
Gustavo Duarte:
Recebi por e-mail (risos). É super legal. A gente sabe da tradição da Fierro. Lembro-me quando eu era moleque e fui para Buenos Aires e vi as bancas nas ruas, muitas bancas, e eles colocam as revistas em exposição, me lembro de uma capa que eu tenho em minha cabeça até hoje. Eu sou um cara apaixonado pela Argentina, então pra mim é uma honra dupla fazer parte desse numero um que conta com uma porrada de quadrinhistas argentinos que eu sempre respeitei, e além de tudo tenho muito carinho pela Argentina e pelo Uruguai. Acho que isso tudo seria muito melhor se tivéssemos todos juntos. É um baita prazer.

Gustavo Duarte, Danilo Beyruth Cláudio Martini e Elloar Guazzelli

IHQ: Para desenhar na Fierro nacional você tentou busca algo argentino ou algo mais nacional?
G.D.:
Não. Tentei buscar o que sempre tento fazer. Como sempre digo, sou muito novo ainda e estou aprendendo. Estou tentando achar o meu caminho. Fiz uma história que fosse interessante em qualquer lugar como sempre tento fazer. Não pensei em fazer algo que tenha a ver com a Argentina. Fiz uma coisa que tenha a ver com qualquer coisa.

IHQ: Quais são os seus próximos projetos?
G.D.:
Acabei de finalizar o argumento e a historia da minha próxima história em quadrinhos, e comecei a desenhar. Deve ficar pronta no mês de julho. Será nos mesmos moldes que a Có e a Táxi, com o mesmo numero de páginas e mesmo formato. Quando acabar essa, para agosto eu começo outra nova que terá 70 ou 80 páginas, será diferente e terá uma cara que estou tentando criar, ainda não consegui, mas estou tentando.

IHQ: Como é participar desse marco dos quadrinhos nacionais?
Danilo Beyruth:
Foi muito bom receber o convite e legal em participar. A Fierro dá pra gente uma ideia de o que é um mercado que está muito próximo de nós, e ao mesmo tempo com algumas diferentes marcantes. A publicação dá essa percepção das diferenças e dá até pistas do que poderíamos implementar aqui em nosso país. Eu acho que eles têm uma coisa forte de roteiristas, e a gente não tem o respeito pelos nossos roteiristas como eles. A Fierro é uma revista que sai em um jornal que tem grande circulação, ou seja, é uma revista que chega para todos que assinam esse jornal. Eles basicamente jogam quadrinhos na casa das pessoas, independente se o cara compra quadrinhos a revista chega com o jornal, e isso dá uma força enorme para os quadrinhos argentinos.

IHQ: Esse seria uma das características dos quadrinhos argentinos a serem copiadas?
D.B.:
Com certeza, isso é um modelo as ser copiado. Se um jornal de grande porte no Brasil como a Folha, o Estado ou o Globo, implementassem algo desse gênero, estaríamos criando toda uma nova geração de leitores de quadrinhos.

IHQ: Você já tinha contato com os quadrinhos da Argentina?
D.B.:
Pouca coisa, mas claro que dentro da percepção que existia toda uma tradição. Foi recentemente que eu fui conhecer autores como Salvador Sanz que tem um trabalho fenomenal. O Carlos Trillo eu já conhecia, mas recentemente fui para Argentina e tive a oportunidade de comprar vários álbuns dele que nunca saíram aqui. Do Sanz e do Trillo sou fã incondicional.

IHQ: Para você que já conhece toda a tradição dos quadrinhos argentinos, como é esse momento de ver uma versão da Fierro nacional?
Elloar Guazzelli:
É um grande momento com certeza. Considero a Fierro uma das melhores revistas em quadrinhos em determinado período. Acho fantástico que só os argentinos conseguem a proeza de ressuscitar uma revista. Eles conseguiram renascer uma publicação, que é a coisa mais difícil que se possa fazer. É emocionante e muito importante essa questão do intercambio acontecer efetivamente.

IHQ: Como você classificaria ou identificaria esse momento do mercado dos quadrinhos brasileiros?
E.G.:
É um momento histórico porque estamos estabelecendo um vínculo com a América Latina que é uma grande demanda, e sempre existiu essa reclamação dos países dessa região que dizem que o Brasil é um país fechado nesse aspecto. Essa publicação mostra que estamos abrindo o mercado e estabelecendo esse diálogo que é fundamental.

IHQ: Esse intercâmbio é um novo momento no mercado do quadrinho nacional? Ele representa um amadurecimento?
E.G.:
Eu acho que é mais um momento positivo do quadrinho brasileiro graças ao esforço do Cláudio que está fazendo um trabalho incrível e de outras pessoas que estão abrindo o caminho para colocar o mercado em outro patamar. Esse diálogo já houve, e veio de Porto Alegre, uma região de fronteiriça que trazia para dentro do País esse tipo de trabalho. Teve uma publicação com o apoio da prefeitura de Porto Alegre que tinha o Adão e todo o pessoal daquela região ligada à fronteira que também era uma revista meio a meio. A Fierro nacional é uma iniciativa muito parecida com aquela com a novidade que está acontecendo no meio do país, o que faz repercutir mais essa escola argentina de quadrinhos que é maravilhosa.

IHQ: Você consegue analisar como será daqui pra frente o mercado de quadrinhos nacional com a entrada das publicações argentinas?
E.G.:
Essa novidade é muito recente. Essa coisa em si sem colocar no futuro já sinaliza algo. É sempre arriscado dizer o que vai acontecer adiante. Tem o Adão que mora lá e outros quadrinhistas, eu mesmo, que já tem há muito tempo um diálogo com os quadrinhos de lá. Então essa publicação dá uma continuidade a esse processo que vem dos gaúchos há 20 anos e reafirma que está andando. E se está andando vai.
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O Impulso HQ finaliza este post de entrevistas avisando que em breve será publicado aqui no site o texto falando sobre a publicação Fierro nº1 na coluna HQ que Acontece. Aguardem.

Galeria de Imagens:

Renato LebeauentrevistasDanilo Beyruth,Elloar Guazzelli,Fierro,Gustavo DuarteNa ocasião do lançamento em São Paulo, estavam presentes três quadrinhistas brasileiros que participam da primeira edição da Fierro nacional. Gustavo Duarte com o seu traço fluido já muito conhecido pelos leitores de quadrinhos e das charges esportistas, Danilo Beyruth que com a sua técnica de pincel faz muito...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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